Em minha casa também houve um ano em que as conversas se iam adiando até deixarem de existir, mas sem nada do peso que descreves aqui. O que reconheço é esse assunto que nunca se diz às claras e acaba por mandar na relação toda, entre idas e vindas. Não sei se serve de alguma coisa, lembrei-me disso ao ler.
Uma história de amor!! Capítulo 2
Pensamento
Em minha casa também houve um ano em que as conversas se iam adiando até deixarem de existir, mas sem nada do peso que descreves aqui. O que reconheço é esse assunto que nunca se diz às claras e acaba por mandar na relação toda, entre idas e vindas. Não s
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Porém, eu já havia errado e reconheci que a usei, durante aquele tempo, que
fui imatura. Ali eu percebi que as coisas estavam mudadas, e mesmo ela me
aceitando de volta, continuamos a ficar de onde paramos, mas não era mais
o mesmo envolvimento pra ela, pois estava machucada e eu começando a
enxergar o que tinha feito. Quando a situação se inverteu...
Me apaixonei por Ana Lis. Comecei a valorizar cada palavra que ela tinha me
dito quando se declarou há quase 7 meses atrás e cada vez mais fui me
apaixonando. Toda e cada palavra de incentivo, enquanto nos encontrávamos
e mantínhamos o contato guardei na minha mente e no meu coração,
usando como motivação para não desistir dela e também de quem eu estava
enxergando ser...alguém que merecia ser livre e feliz, conquistando o que
quiser, com a mesma força que eu também estava começando a enxergar
nela...
É...mal sabia que estava escrevendo uma longa história. Vivenciando um
amor injusto e triste.
Nessa fase, nos víamos 1 vez por mês, num hotel da minha cidade, já que ela
vinha de uma outra cidade afastada.
Nós duas, não tínhamos uma relação firme, pois nossa realidade era
diferente. Além de Ana Lis ter cultivado um ressentimento por mim, eu não
era assumida e tinha uma missão com a minha bisavó a cumprir.
Naquela época, eu já não trabalhava mais, por conta da dificuldade no
mercado de trabalho em relação ao desemprego e também ao compromisso
que de certa forma tinha com a minha bisavó, na intenção de ajudar minha
avó dentro de casa.
Ana Lis, já era mais independente e livre, e por mais que carregasse aquela
mágoa de mim, estava ali comigo e tentando ficar. Ela também enfrentava
outro desafio em sua vida, a depressão e ansiedade. Assunto que era um
tabu pra gente...não se falava de forma direta ou esclarecida, era algo
implícito e prejudicial ao decorrer da nossa relação, fazendo com que
dificultasse e nos afastasse como um obstáculo, entre idas e vindas, como
eu costumava dizer.
Como outra forma de obstáculo entre nós, havia a minha questão com a
minha irmã, sempre como um caso à parte.
Na época, minha irmã estava experienciando um relacionamento com uma
mulher também, que inclusive foi a primeira namorada da Lis, na época
delas. E agora, logo minha cunhada, quem me apresentou a Ana Lis. Como o
relacionamento que minha irmã teve, foi abusivo nessa época. Eu e minha
cunhada tínhamos uma amizade, e toda vez que existia qualquer tipo de
desentendimento ou briga entre elas, minha irmã se aproveitava para usar da
minha amizade com sua namorada, para as duas se reconciliarem.
Até um ponto que começou a me atingir, prejudicando a minha vida pessoal
e por conta daquela minha dependência emocional que tinha com a minha
irmã, acabava mais uma vez, interferindo na minha relação com a Ana Lis.
Mas continuamos nos relacionando, sem ser nada firmado, já que ainda não
tinha me assumido. Acreditava que minha vida não poderia ser diferente da
minha atual realidade até então. Infelizmente, fui cultivando dentro de mim
um sentimento de angústia, me acomodando cada vez mais no pensamento
de que eu não merecia ser feliz ou ser capaz de fazer alguém me amar e me
sentir amada...o medo me tomava por inteiro.
A Ana Lis, foi a pessoa que fez mudar essa minha visão, esse pensamento
triste e injusto. Eu estava em transformação, em processo, diante de
tamanha dor, que carregava no peito, tava pesado demais pra engolir como
conformismo toda a minha situação, sendo que eu sabia e sentia que não
estava certo!
Eu estava me tornando alguém forte, para buscar a minha verdade, lutar para
ser quem eu sou e principalmente, não desistir! Era tudo “consciente” pra
mim...
Eu e Ana Lis, vivíamos em uma cansativa discussão sobre o nosso possível
futuro juntas. Pelo lado de lá com Ana Lis, a depressão e a ansiedade eram
reais e cruéis. Desse lado de cá, a angústia foi se instalando dentro de mim,
cada vez mais, ao mesmo passo que vinha me expressando colocando para
fora no papel, vomitando tudo exatamente como eu estava sentindo.
Arrancava todo excesso do meu coração, aliviando o peso que eu carregava dentro de mim, para assim conseguir minimamente seguir em frente.
Porque, haviam dias em que eu acordava, sentava na beirada da cama ou ia
até a janela e olhava através dela por um tempo... paralisada e permanecia
com o olhar longe e vazio...cheio de dor e incertezas do que vinha pela
frente. E quando chegava a noite, depois de escrever cada detalhe, aliviando
minha alma. Automaticamente vinha a insônia, vinha também o arrepio na
pele, o frio...só indo me deitar na cama de madrugada, e conseguindo pegar
no sono somente ao amanhecer. Enquanto minha cabeça ficava em
turbilhão, eu só sentia as lágrimas caírem sob meu rosto até pingar no
travesseiro. Vez chorava de soluçar em posição fetal... ardendo em dor, mas
cheia de coragem no olhar para enfrentar as adversidades. Às vezes nem
tinha um motivo aparente, eu só sentia rolar quente as lágrimas, sem que eu
pudesse controlar.
E assim, vivi essa fase da minha vida, lidando com o meu processo e
seguindo nessa missão, encarando os desafios que atravessavam minhas
necessidades para viver. Eu não podia simplesmente parar! E num acalanto
comigo mesma, eu continuava devagarinho...em cada ação do meu dia a dia,
em cada movimento, cada passo pra que eu pudesse um dia me orgulhar de
tudo que fui capaz de passar, depois de tanto tempo. E quem sabe, me
tornar uma mulher forte, resiliente e que sonha em deixar um legado com a
sua própria história.
Apesar de tudo, eu tinha muita esperança de que tudo um dia pudesse
mudar.
Sinceramente, perdi as contas de quantas vezes eu e Ana Lis tentamos ficar
juntas. Foram tantos erros, tantas idas e vindas, ora a tentativa de ficar era
mais forte e longa, outra era fraca e a curto prazo. E assim, se passaram 7
anos...
Até que chegou o momento depois da fase de missão com a minha bisavó.
Eu já trabalhava como cuidadora de idosos, em uma casa de repouso e eu
estava trabalhando. No horário de almoço, enquanto estava alimentando
uma senhorinha, quando minha irmã chegou na porta da clínica e me deu a
notícia pessoalmente, de que a nossa vó Cecília, tinha falecido naquela
madrugada.
Um dia antes, tinha ido visitá-la no hospital onde estava internada. Esse foi o
último dia que a vi, consegui na minha folga, me despedir dela e agradecer
de coração pela honra de ter feito parte de sua jornada. Observei que no
aparelho de batimentos cardíacos do hospital, alterou aumentando as
batidas quando eu falava no seu ouvido, em tom de despedida.
Depois da fase de luto em casa, com a minha avó e a minha irmã, tomei uma
decisão.
Não precisava mais pensar em nada antes de mim como prioridade, eu
estava pronta para viver a minha vida e até que enfim, ser quem eu era. Não podia me esconder por mais tempo...
E então, me organizei e comuniquei a minha vó sobre minha saída de casa,
aproveitando o momento para contar finalmente sobre o motivo pelo qual eu
estava tomando essa decisão importante. Antes de partir, assumi minha
sexualidade ao sair pela porta.
Me mudei para uma república e finalmente comecei uma nova fase, onde
pude conquistar minha independência e liberdade.
Nessa fase, observei uma mensagem de uns meses atrás de Ana Lis no meu
celular, em rede social. No áudio ela pedia mais uma vez, pra gente zerar
tudo e ficar juntas. Eu fiquei extremamente feliz e surpresa, e a aceitei de
volta...Tentamos nos relacionar novamente. Porém, durou pouco tempo, nem
chegamos nos ver de fato, ela ainda estava lutando com a depressão e
lidando com suas próprias questões, das quais a gente não encarava de
frente, fazendo com que dificultasse o desenvolvimento da nossa relação. O
meu excesso de preocupação, só fazia com que as coisas piorasse cada
vez mais entre a gente, ela se sentia sufocada. Não estava bem mesmo. E
mais uma vez, não deu certo...
Trabalhar, era o que me distraia da tamanha dor paralisante que eu sentia. Na
clínica, fazendo o que me motivava desde sempre, que é cuidando de
idosos. Me mantive firme e forte mesmo com lágrimas nos olhos, ao
cantarolar uma música para uma paciente querida minha... Eu tinha um lugar
para me encontrar...e era ali.
Depois de alguns meses, eu conheci outra pessoa, e depois de tanto sofrer,
eu tinha consciência de que eu merecia me permitir, ser feliz e seguir em
frente com alguém que pudesse dar certo.
E aí, Ana Lis apareceu novamente, pedindo pra voltar outra vez, como
sempre sendo uma surpresa emocionante pra mim, pois eu a amava muito e
meu sonho era ter ela em minha vida. Porém naquele momento da vida, eu
já estava namorando e envolvida com outra menina e pela primeira vez eu
disse “não” a Ana Lis, em palavras ditas. Uma atitude mais uma vez dura com
ela e comigo também, pois era o que eu mais queria que se tornasse real. Eu
a quis muito, mas eu não podia ser injusta com a minha atual situação e com
essa outra pessoa, que eu já tinha criado um sentimento e era recíproco.
Eu sabia o que era ser injusta e eu não poderia fazer isso com essa outra
pessoa que eu dizia amar, mesmo amando ainda mais Ana Lis. Porém, tudo
no seu tempo justo da vida.
Infelizmente, passei por uma situação traumática, da qual fui buscar consolo
e um conselho a Ana Lis. Nós conseguíamos ser amigas em certos
momentos da vida, para dar apoio emocional uma à outra e estar ali de
alguma forma.
E sinceramente, pelas questões mal resolvidas, sempre nos
desentendimentos, acontecia a sensação de ressentimento no ar.
Logo depois desse ocorrido em particular em minha vida, do qual interferiu
bastante no meu atual relacionamento.
Por consequência, outro dia, eu estava trabalhando demais, fazendo plantão
24hrs de surpresa, completamente cansada e triste, pois naquele dia, essa
minha atual namorada, terminava comigo.
Eu desolada e sem direção, fui procurar saber da atual situação de Ana Lis.
E no momento em que fui procurá-la na rede social, me deparei com um
perfil de casal. Ana Lis estava namorando e eu ali em pleno plantão noturno,
no meu momento de descanso, caí em prantos feito criança. O tanto que
me arrependi...o tanto que doía não tava escrito... Logo depois, em uma
conversa com Ana Lis, me contando sobre esse relacionamento, comunicou
sua união. Elas estavam indo morar juntas.
A partir disso, eu entrei em conformismo, eu a via nas fotos em rede social,
sorrindo, parecia bem, sendo tão feliz com sua namorada, que sentia paz em
saber que ela estava sendo cuidada por alguém e que não ficaria sozinha. Já
que esse era seu maior medo, depois de tantos traumas, de tanta dor, ela
não merecia sofrer ainda mais na vida.
Com saúde e viva, era o que prevalecia de mais importante pra mim. Via
também os seus olhos... só não tinha certeza sobre o que ela sentia através
deles e nem o que se passava em seu coração...
Eu simplesmente entreguei Ana Lis para sua futura esposa e passei até
admirar o relacionamento ao ver as duas juntas.
Mesmo com um fundo de dor no coração, com muito amor guardado...eu a
entreguei e joguei pro universo, todo sentimento de gratidão por tudo que
vivemos até então, para que em outra vida talvez pudéssemos ter a chance
e a oportunidade de viver o nosso amor...do qual construímos aos trancos e
barrancos, a tanto custo, com tanta dor e resistência.
Após a fase de namoro que tive, e que mudou por inteiro o rumo da minha
vida, sendo um caso à parte.
Passou-se um bom tempo, mais ou menos um ano e meio, vivendo ou
sobrevivendo... Ana Lis de lá e eu de cá, com as nossas respectivas questões
em processo.
Houve uma reaproximação novamente, porém desta vez seria a última!
Thoughts
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PermalinkEntregar a Ana Lis pra futura esposa e ainda achar bonito ver as duas juntas. Eu não chegaria nesse ponto tão cedo, precisaria de bem mais que um ano e meio.
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PermalinkA clínica aparece duas vezes no texto e nas duas é onde você se segura: dando almoço pra uma senhorinha quando chega a notícia da vó Cecília, e depois cantarolando pra uma paciente com os olhos cheios. Desconfio que o trabalho vai continuar sendo esse lugar no próximo capítulo.
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PermalinkEm minha casa também houve um ano em que as conversas se iam adiando até deixarem de existir, mas sem nada do peso que descreves aqui. O que reconheço é esse assunto que nunca se diz às claras e acaba por mandar na relação toda, entre idas e vindas. Não sei se serve de alguma coisa, lembrei-me disso ao ler.
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PermalinkDizer que não à Ana Lis pela primeira vez, logo quando era o que mais querias, custa mais do que muita gente imagina. Fiquei do teu lado nessa parte.
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PermalinkUma vez por mês num hotel, com ela vindo de outra cidade, durante sete anos e sem nada firmado. Aposto que tinha data anotada no calendário e contagem regressiva pro próximo encontro.
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PermalinkVer o perfil de casal no descanso de um plantão de 24h, rapaz. É osso, fiquei com o peito apertado aqui.
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PermalinkSete anos. Caramba
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PermalinkO aparelho de batimentos subindo quando você falava no ouvido da vó Cecília me fez pensar em quanto a gente continua ouvindo até o fim, mesmo sem conseguir responder. Dá pra ver que esse capítulo ainda está perto de você, e aposto que muita gente aqui vai reconhecer alguém da própria família nessa despedida. Obrigado por confiar isso à gente!
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