Pular para o conteúdo
Carregando…

Uma história de amor!! Capítulo 2

Thayane
Pensamento

Pensamento

guguzinho07

Sete anos. Caramba

Sete anos. Caramba

Conteúdo da publicação

Porém, eu já havia errado e reconheci que a usei, durante aquele tempo, que

fui imatura. Ali eu percebi que as coisas estavam mudadas, e mesmo ela me

aceitando de volta, continuamos a ficar de onde paramos, mas não era mais

o mesmo envolvimento pra ela, pois estava machucada e eu começando a

enxergar o que tinha feito. Quando a situação se inverteu...

Me apaixonei por Ana Lis. Comecei a valorizar cada palavra que ela tinha me

dito quando se declarou há quase 7 meses atrás e cada vez mais fui me

apaixonando. Toda e cada palavra de incentivo, enquanto nos encontrávamos

e mantínhamos o contato guardei na minha mente e no meu coração,

usando como motivação para não desistir dela e também de quem eu estava

enxergando ser...alguém que merecia ser livre e feliz, conquistando o que

quiser, com a mesma força que eu também estava começando a enxergar

nela...

É...mal sabia que estava escrevendo uma longa história. Vivenciando um

amor injusto e triste.

Nessa fase, nos víamos 1 vez por mês, num hotel da minha cidade, já que ela

vinha de uma outra cidade afastada.

Nós duas, não tínhamos uma relação firme, pois nossa realidade era

diferente. Além de Ana Lis ter cultivado um ressentimento por mim, eu não

era assumida e tinha uma missão com a minha bisavó a cumprir.

Naquela época, eu já não trabalhava mais, por conta da dificuldade no

mercado de trabalho em relação ao desemprego e também ao compromisso

que de certa forma tinha com a minha bisavó, na intenção de ajudar minha

avó dentro de casa.

Ana Lis, já era mais independente e livre, e por mais que carregasse aquela

mágoa de mim, estava ali comigo e tentando ficar. Ela também enfrentava

outro desafio em sua vida, a depressão e ansiedade. Assunto que era um

tabu pra gente...não se falava de forma direta ou esclarecida, era algo

implícito e prejudicial ao decorrer da nossa relação, fazendo com que

dificultasse e nos afastasse como um obstáculo, entre idas e vindas, como

eu costumava dizer.

Como outra forma de obstáculo entre nós, havia a minha questão com a

minha irmã, sempre como um caso à parte.

Na época, minha irmã estava experienciando um relacionamento com uma

mulher também, que inclusive foi a primeira namorada da Lis, na época

delas. E agora, logo minha cunhada, quem me apresentou a Ana Lis. Como o

relacionamento que minha irmã teve, foi abusivo nessa época. Eu e minha

cunhada tínhamos uma amizade, e toda vez que existia qualquer tipo de

desentendimento ou briga entre elas, minha irmã se aproveitava para usar da

minha amizade com sua namorada, para as duas se reconciliarem.

Até um ponto que começou a me atingir, prejudicando a minha vida pessoal

e por conta daquela minha dependência emocional que tinha com a minha

irmã, acabava mais uma vez, interferindo na minha relação com a Ana Lis.

Mas continuamos nos relacionando, sem ser nada firmado, já que ainda não

tinha me assumido. Acreditava que minha vida não poderia ser diferente da

minha atual realidade até então. Infelizmente, fui cultivando dentro de mim

um sentimento de angústia, me acomodando cada vez mais no pensamento

de que eu não merecia ser feliz ou ser capaz de fazer alguém me amar e me

sentir amada...o medo me tomava por inteiro.

A Ana Lis, foi a pessoa que fez mudar essa minha visão, esse pensamento

triste e injusto. Eu estava em transformação, em processo, diante de

tamanha dor, que carregava no peito, tava pesado demais pra engolir como

conformismo toda a minha situação, sendo que eu sabia e sentia que não

estava certo!

Eu estava me tornando alguém forte, para buscar a minha verdade, lutar para

ser quem eu sou e principalmente, não desistir! Era tudo “consciente” pra

mim...

Eu e Ana Lis, vivíamos em uma cansativa discussão sobre o nosso possível

futuro juntas. Pelo lado de lá com Ana Lis, a depressão e a ansiedade eram

reais e cruéis. Desse lado de cá, a angústia foi se instalando dentro de mim,

cada vez mais, ao mesmo passo que vinha me expressando colocando para

fora no papel, vomitando tudo exatamente como eu estava sentindo.

Arrancava todo excesso do meu coração, aliviando o peso que eu carregava dentro de mim, para assim conseguir minimamente seguir em frente.

Porque, haviam dias em que eu acordava, sentava na beirada da cama ou ia

até a janela e olhava através dela por um tempo... paralisada e permanecia

com o olhar longe e vazio...cheio de dor e incertezas do que vinha pela

frente. E quando chegava a noite, depois de escrever cada detalhe, aliviando

minha alma. Automaticamente vinha a insônia, vinha também o arrepio na

pele, o frio...só indo me deitar na cama de madrugada, e conseguindo pegar

no sono somente ao amanhecer. Enquanto minha cabeça ficava em

turbilhão, eu só sentia as lágrimas caírem sob meu rosto até pingar no

travesseiro. Vez chorava de soluçar em posição fetal... ardendo em dor, mas

cheia de coragem no olhar para enfrentar as adversidades. Às vezes nem

tinha um motivo aparente, eu só sentia rolar quente as lágrimas, sem que eu

pudesse controlar.

E assim, vivi essa fase da minha vida, lidando com o meu processo e

seguindo nessa missão, encarando os desafios que atravessavam minhas

necessidades para viver. Eu não podia simplesmente parar! E num acalanto

comigo mesma, eu continuava devagarinho...em cada ação do meu dia a dia,

em cada movimento, cada passo pra que eu pudesse um dia me orgulhar de

tudo que fui capaz de passar, depois de tanto tempo. E quem sabe, me

tornar uma mulher forte, resiliente e que sonha em deixar um legado com a

sua própria história.

Apesar de tudo, eu tinha muita esperança de que tudo um dia pudesse

mudar.

Sinceramente, perdi as contas de quantas vezes eu e Ana Lis tentamos ficar

juntas. Foram tantos erros, tantas idas e vindas, ora a tentativa de ficar era

mais forte e longa, outra era fraca e a curto prazo. E assim, se passaram 7

anos...

Até que chegou o momento depois da fase de missão com a minha bisavó.

Eu já trabalhava como cuidadora de idosos, em uma casa de repouso e eu

estava trabalhando. No horário de almoço, enquanto estava alimentando

uma senhorinha, quando minha irmã chegou na porta da clínica e me deu a

notícia pessoalmente, de que a nossa vó Cecília, tinha falecido naquela

madrugada.

Um dia antes, tinha ido visitá-la no hospital onde estava internada. Esse foi o

último dia que a vi, consegui na minha folga, me despedir dela e agradecer

de coração pela honra de ter feito parte de sua jornada. Observei que no

aparelho de batimentos cardíacos do hospital, alterou aumentando as

batidas quando eu falava no seu ouvido, em tom de despedida.

Depois da fase de luto em casa, com a minha avó e a minha irmã, tomei uma

decisão.

Não precisava mais pensar em nada antes de mim como prioridade, eu

estava pronta para viver a minha vida e até que enfim, ser quem eu era. Não podia me esconder por mais tempo...

E então, me organizei e comuniquei a minha vó sobre minha saída de casa,

aproveitando o momento para contar finalmente sobre o motivo pelo qual eu

estava tomando essa decisão importante. Antes de partir, assumi minha

sexualidade ao sair pela porta.

Me mudei para uma república e finalmente comecei uma nova fase, onde

pude conquistar minha independência e liberdade.

Nessa fase, observei uma mensagem de uns meses atrás de Ana Lis no meu

celular, em rede social. No áudio ela pedia mais uma vez, pra gente zerar

tudo e ficar juntas. Eu fiquei extremamente feliz e surpresa, e a aceitei de

volta...Tentamos nos relacionar novamente. Porém, durou pouco tempo, nem

chegamos nos ver de fato, ela ainda estava lutando com a depressão e

lidando com suas próprias questões, das quais a gente não encarava de

frente, fazendo com que dificultasse o desenvolvimento da nossa relação. O

meu excesso de preocupação, só fazia com que as coisas piorasse cada

vez mais entre a gente, ela se sentia sufocada. Não estava bem mesmo. E

mais uma vez, não deu certo...

Trabalhar, era o que me distraia da tamanha dor paralisante que eu sentia. Na

clínica, fazendo o que me motivava desde sempre, que é cuidando de

idosos. Me mantive firme e forte mesmo com lágrimas nos olhos, ao

cantarolar uma música para uma paciente querida minha... Eu tinha um lugar

para me encontrar...e era ali.

Depois de alguns meses, eu conheci outra pessoa, e depois de tanto sofrer,

eu tinha consciência de que eu merecia me permitir, ser feliz e seguir em

frente com alguém que pudesse dar certo.

E aí, Ana Lis apareceu novamente, pedindo pra voltar outra vez, como

sempre sendo uma surpresa emocionante pra mim, pois eu a amava muito e

meu sonho era ter ela em minha vida. Porém naquele momento da vida, eu

já estava namorando e envolvida com outra menina e pela primeira vez eu

disse “não” a Ana Lis, em palavras ditas. Uma atitude mais uma vez dura com

ela e comigo também, pois era o que eu mais queria que se tornasse real. Eu

a quis muito, mas eu não podia ser injusta com a minha atual situação e com

essa outra pessoa, que eu já tinha criado um sentimento e era recíproco.

Eu sabia o que era ser injusta e eu não poderia fazer isso com essa outra

pessoa que eu dizia amar, mesmo amando ainda mais Ana Lis. Porém, tudo

no seu tempo justo da vida.

Infelizmente, passei por uma situação traumática, da qual fui buscar consolo

e um conselho a Ana Lis. Nós conseguíamos ser amigas em certos

momentos da vida, para dar apoio emocional uma à outra e estar ali de

alguma forma.

E sinceramente, pelas questões mal resolvidas, sempre nos

desentendimentos, acontecia a sensação de ressentimento no ar.

Logo depois desse ocorrido em particular em minha vida, do qual interferiu

bastante no meu atual relacionamento.

Por consequência, outro dia, eu estava trabalhando demais, fazendo plantão

24hrs de surpresa, completamente cansada e triste, pois naquele dia, essa

minha atual namorada, terminava comigo.

Eu desolada e sem direção, fui procurar saber da atual situação de Ana Lis.

E no momento em que fui procurá-la na rede social, me deparei com um

perfil de casal. Ana Lis estava namorando e eu ali em pleno plantão noturno,

no meu momento de descanso, caí em prantos feito criança. O tanto que

me arrependi...o tanto que doía não tava escrito... Logo depois, em uma

conversa com Ana Lis, me contando sobre esse relacionamento, comunicou

sua união. Elas estavam indo morar juntas.

A partir disso, eu entrei em conformismo, eu a via nas fotos em rede social,

sorrindo, parecia bem, sendo tão feliz com sua namorada, que sentia paz em

saber que ela estava sendo cuidada por alguém e que não ficaria sozinha. Já

que esse era seu maior medo, depois de tantos traumas, de tanta dor, ela

não merecia sofrer ainda mais na vida.

Com saúde e viva, era o que prevalecia de mais importante pra mim. Via

também os seus olhos... só não tinha certeza sobre o que ela sentia através

deles e nem o que se passava em seu coração...

Eu simplesmente entreguei Ana Lis para sua futura esposa e passei até

admirar o relacionamento ao ver as duas juntas.

Mesmo com um fundo de dor no coração, com muito amor guardado...eu a

entreguei e joguei pro universo, todo sentimento de gratidão por tudo que

vivemos até então, para que em outra vida talvez pudéssemos ter a chance

e a oportunidade de viver o nosso amor...do qual construímos aos trancos e

barrancos, a tanto custo, com tanta dor e resistência.

Após a fase de namoro que tive, e que mudou por inteiro o rumo da minha

vida, sendo um caso à parte.

Passou-se um bom tempo, mais ou menos um ano e meio, vivendo ou

sobrevivendo... Ana Lis de lá e eu de cá, com as nossas respectivas questões

em processo.

Houve uma reaproximação novamente, porém desta vez seria a última!

Thoughts

  • rveiga27

    Entregar a Ana Lis pra futura esposa e ainda achar bonito ver as duas juntas. Eu não chegaria nesse ponto tão cedo, precisaria de bem mais que um ano e meio.

    Permalink
  • paulovitor

    A clínica aparece duas vezes no texto e nas duas é onde você se segura: dando almoço pra uma senhorinha quando chega a notícia da vó Cecília, e depois cantarolando pra uma paciente com os olhos cheios. Desconfio que o trabalho vai continuar sendo esse lugar no próximo capítulo.

    Permalink
  • mcardoso41

    Em minha casa também houve um ano em que as conversas se iam adiando até deixarem de existir, mas sem nada do peso que descreves aqui. O que reconheço é esse assunto que nunca se diz às claras e acaba por mandar na relação toda, entre idas e vindas. Não sei se serve de alguma coisa, lembrei-me disso ao ler.

    Permalink
  • jpaulo107

    Dizer que não à Ana Lis pela primeira vez, logo quando era o que mais querias, custa mais do que muita gente imagina. Fiquei do teu lado nessa parte.

    Permalink
  • passaporteVencido

    Uma vez por mês num hotel, com ela vindo de outra cidade, durante sete anos e sem nada firmado. Aposto que tinha data anotada no calendário e contagem regressiva pro próximo encontro.

    Permalink
  • mma1998

    Ver o perfil de casal no descanso de um plantão de 24h, rapaz. É osso, fiquei com o peito apertado aqui.

    Permalink
  • guguzinho07

    Sete anos. Caramba

    Permalink
  • Ovid

    O aparelho de batimentos subindo quando você falava no ouvido da vó Cecília me fez pensar em quanto a gente continua ouvindo até o fim, mesmo sem conseguir responder. Dá pra ver que esse capítulo ainda está perto de você, e aposto que muita gente aqui vai reconhecer alguém da própria família nessa despedida. Obrigado por confiar isso à gente!

    Permalink

Publicações relacionadas

Pública 21 conversas 29 pensamentos 34 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Porém, eu já havia errado e reconheci que a usei, durante aquele tempo, que

Em grupos