Já havia semanas, desde o início do problema — afinal, ter filhos com um ano, em desenvolvimento constante, é uma caixinha de surpresas —, que o sono da Bela havia mudado. Ela já dormia pouco, mas ficou tão escasso a ponto de se resumir a duas horas seguidas de sono e dez horas brincando; mais duas horas de sono e outras oito horas acordada. E as madrugadas... As madrugadas se transformaram em maratonas de choro e vigília, cinco dias seguidos embalando ela no colo para ver se adormecia.
Marquei uma consulta com a pediatra. Estávamos na sala de espera, que reunia mais algumas mães. A secretária da médica estava atenta a tudo; algumas mulheres conversavam animadamente, enquanto eu, exausta, apenas olhava para a minha bebê, que brincava com alguns blocos de montar na mesinha de centro.
— Oi, que bebê linda! — indagou uma senhora perto dos sessenta anos, que acompanhava uma moça com um recém-nascido confortavelmente acomodado num bebê-conforto no canto do sofá. — Você é a avó dela?
Sorri educadamente e neguei com a cabeça:
— Não, sou a mãe.
— Ah, hoje em dia as pessoas têm filhos cada vez mais tarde. Eu tive os meus quando nem havia completado dezessete anos — comentou, animada em puxar conversa, antes de emendar: — Nossa, que menina linda! Mas ela não parece com você, né? Tem os olhos azuis e você não. Qual é o nome dela?
— Não parece comigo, parece com o pai — respondi, tentando encerrar o assunto.
— O que ela tem? — continuou o interrogatório, sem notar o meu desconforto.
— Ela não dorme.
— Sério? Não parece, ela está toda animada brincando. Quando o bebê não dorme, costuma ficar choroso.
A secretária da médica também entrou na conversa:
— A sua filha realmente é muito bonita. Deve ser mau-olhado! Você acredita nisso? — perguntou, olhando fixamente para mim, à espera de uma resposta. — Mau-olhado existe sim, deixa a gente doente mesmo. Energia negativa é fogo, acaba adoçando as crianças.
— Pois é, pode ser... — falei polidamente, sem querer estender o papo. Eu estava exausta de passar noites em claro.
Nesse instante, o pai da minha filha entrou na sala. Aproximei-me da minha pequena e falei:
— Olha, amor, quem chegou... O papai!
A senhora falante olhou para meu marido e soltou, sem filtro:
— Nossa, a sua menina também não parece com o pai! Quem foi que ela puxou da família? — perguntou, voltando os olhos para mim.
— Não sei, acho que pode ter puxado os avós — disse, mantendo a educação, sem muita paciência, mas no fundo achando divertido — eu sou feia e velha, meu marido é feio, mas pelo menos fizemos uma menina bonita, pensei.
Logo em seguida, a médica chamou o recém-nascido, e a mãe e a avó dele entraram no consultório. Aproveitando o momento, a secretária me chamou até o balcão para uma conversa mais reservada. Caminhei em sua direção e ela falou baixo:
— Olha, eu anotei aqui o número de uma conhecida minha que faz Reiki. Ela é ótima! Eu não deveria falar isso aqui, mas energias negativas e inveja pegam forte em crianças tão bonitas. Você sabe o que é Reiki?
Eu estava meio atordoada com toda aquela interação, mas apenas assenti, dizendo que conhecia um pouco, embora nunca tivesse passado por uma sessão. Peguei o papel com o nome e o número anotados e agradeci educadamente.
Pouco depois, a médica finalmente chamou a minha filha para a consulta. Saímos de lá com pedidos de exames e uma orientação preciosa: a recomendação de estabelecer uma rotina de sono muito mais rigorosa.