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Capítulo 1: Quer Pertencer - Parte 2

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Iago entrou na sua barbearia.

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Iago entrou na sua barbearia.

A Augusto's tinha um estilo clássico, quase uma barbearia de outra época. Madeira, cadeiras antigas, objetos cuidadosamente escolhidos e uma pequena coleção de cervejas artesanais — algumas produzidas por ele mesmo.

Ele olhou o celular.

Os primeiros clientes agendados chegariam em breve.

Enquanto esperava, organizou algumas coisas no balcão e observou a rua pela vitrine.


***

Do outro lado, Anton entrou na Garimpo Discos.

Passou os olhos pelas duas grandes estantes de vinis, organizadas com uma precisão quase obsessiva.

Tudo estava no lugar.

Ele escolheu um disco, colocou para tocar e deixou o som preencher a loja em volume ambiente.

A música atravessou o corredor da galeria.

Iago ouviu.

Sorriu.

E começou a cantarolar baixinho enquanto preparava a barbearia.


***

Guillian já estava em sua "caverna".

A Rosa Selvagem era seu território.

Ele era especialista em lineart, desenhos feitos com linhas precisas, minimalistas e cheios de personalidade. Suas próprias tatuagens carregavam marcas de outros artistas, como uma coleção de histórias na pele.

Mas existia uma tatuagem que ele mais queria fazer.

Anton.

O único problema era simples:

Anton tinha medo de agulhas.


***

As horas passaram.

No ateliê, chegou a hora do almoço.

Clarisse e Linda continuavam conversando entre risadas.

— E aí entrou uma senhorinha aqui... bem velhinha. Ela abriu a porta e perguntou: "Aqui tem algum psicólogo?"

As duas começaram a rir.

— Tadinha, Linda. Ela confundiu.

— Sim. Do lado tem um consultório. Ela acabou entrando no lugar errado.

— Você riu na hora?

Linda fingiu indignação.

— Claro que não. Não sou tão insensível assim. Levei ela até o consultório do vizinho.

— E o acompanhante dela?

— Também era velhinho. Tinha esquecido os óculos em casa.

Clarisse sorriu.

— O mais engraçado é que era uma psicóloga sexual.

As duas se olharam por um segundo.

Depois caíram na risada.

Aquela manhã na Galeria Le Village seguia seu ritmo.

Cada porta escondia uma história.

Linda olhou o relógio na parede.

— Já deu nossa hora. Vamos almoçar.

Clarisse assentiu.

— Vou te passar o vale-refeição. Aqui na galeria tem restaurante de prato feito, comida por quilo e também um self-service. Se preferir, tem outras opções na Augusta.

— Tudo bem. Já almocei por aqui algumas vezes.

— Melhor ainda. Você já conhece a região.

Linda pegou a bolsa.

— Vou trancar o ateliê. Tenho um almoço com uma cliente. Se eu me atrasar, pode ficar pela galeria. Assim que eu voltar, te aviso.

— Não se preocupe, Linda.

Ela pegou a chave do ateliê e a do carro.

As duas saíram.

— Vamos?

O corredor da galeria estava cheio.

Gente entrando e saindo.

Conversas cruzadas.

Passos.

Portas abrindo.

No meio daquele burburinho, uma música escapava da loja de discos.

Era melancólica e, ao mesmo tempo, luminosa.

Daquelas músicas que despertam saudade de algo que nunca se viveu.

Linda seguia apressada, distraída com as chaves dentro da bolsa.

Clarisse, não.

Quando passaram em frente à Garimpo Discos, os olhares se encontraram.

Anton.

Clarisse.

Por um instante, o resto da galeria desapareceu.

Ela piscou, disfarçou e virou o rosto.

Do outro lado do corredor, Iago sorriu discretamente.

Os dois eram irresistivelmente belos.

Linda continuou andando sem perceber nada.

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Thoughts

  • romanceNasCostas

    Véi, o Iago sorrindo do outro lado do corredor quando o Anton e a Clarisse se olham. Esse aí sacou tudo antes deles!

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  • linhaTorta

    Montei o mapa da galeria na cabeça: a barbearia do Iago de um lado, a loja de discos do Anton na frente, a Rosa Selvagem em cima e o ateliê da Linda no mesmo corredor. A Clarisse passa no meio de todo mundo justo na hora do almoço, com a Linda distraída procurando a chave do carro. Meu palpite é que a Linda, que não viu nada, ainda vai ser a ponte entre o ateliê e aquela loja de discos.

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