Vinho e Sangue
Por Cláudio Souza Lisboa
Vinho e sangue se misturam em uma noite de lágrimas
e o gosto que desce pela garganta não tem mais o gosto de vinho,
e sim o adocicado gosto de sangue, e do esquecimento damos conta
é resultado desse vício.
E quando olhamos para as nossas mãos, não há mais manchas de sangue
apenas esquecimento.
Sangue por terra; terra por sangue!
E quando cambalear e beijar a lona pelo nocaute dado pela estupidez humana
e na ânsia de querer mais diante do tédio de possuir,
irá ter desejado ter esquecido a dor do prazer.
Dói como dor forçada, embalada, gemida e esquecida logo em seguida.
Andas e corres ante os mortais pelejando por suas cabeças.
Sangue por carne, carne por desejos e nunca desejar parar,
nunca desejas voltar a si para que me encare,
como que nunca pare de me olhar.
Restos mortais orando sobre as terras secas diante das iras.
Tiras minha sorte e isso pode ser a gota d'água,
a gota é o começo e o resgate de ser você mesmo diante do próprio desejo.