Vagantes condenados: Nêmesis
Nascida e crescida em um pequeno vilarejo religioso, a jovem chamada Nêmesis esteve imersa desde a infância nos ensinamentos e doutrinas do culto local. Sua curiosidade insaciável a levou a explorar cada vez mais profundamente esses conhecimentos, culminando na descoberta de um antigo grimório encapado com pele humana.
Ao estudar com fervor as páginas amareladas e empoeiradas daquele livro proibido, Nêmesis despertou um potencial latente para a feitiçaria. Quanto mais se aprofundava nos feitiços e rituais obscuros, maior se tornava sua sede de conhecimento — marcando uma trágica virada em sua vida.
Sua família foi vítima de uma injustiça atroz, sendo condenada à execução apenas por supostamente possuir conhecimentos proibidos. Esse evento fez brotar em Nêmesis um profundo sentimento de rancor e sede de vingança, que se enraizou em seu coração. Consumida pelo ódio, lançou-se ainda mais fervorosamente aos estudos da magia negra, buscando acumular cada vez mais poder.
Após anos de busca incansável, Nêmesis desvendou finalmente os responsáveis pela morte de seus pais. A descoberta perturbadora sobre o passado desencadeou uma onda de fúria incontrolável em sua mente, consumindo toda a sua racionalidade. Cega pela sede de vingança, correu pelas ruas até chegar à primeira igreja que encontrou, determinada a cometer um ato hediondo.
Ao entrar no local sagrado, Nêmesis interrompeu a missa que estava sendo realizada. Antes que qualquer um dos fiéis pudesse reagir, lançou-se sobre o padre, agarrando-o com força brutal. As veias da cabeça do sacerdote incharam até o limite e, com um estampido horrendo, a sua cabeça explodiu em uma chuva de sangue e miolos que salpicou até mesmo o rosto de Nêmesis.
Atônitos e apavorados, os fiéis presenciaram a cena dantesca; alguns chegaram a vomitar diante da violência. Com um sorriso macabro, Nêmesis voltou-se para os outros que tentavam desesperadamente escapar pela entrada. Estendendo a mão, ativou seu poder destrutivo, fazendo os corpos dos fiéis explodirem em uma morte agonizante e pintando as paredes com um mar vermelho de restos mortais.
Caminhando sobre o piso escorregadio, Nêmesis deixou o local com um sorriso satisfeito estampado no rosto, com sua fúria aparentemente saciada pela chacina.
Após queimar a igreja, viu-se forçada a fugir por dois longos anos, constantemente perseguida pelos membros furiosos daquela comunidade religiosa. Sem descanso, ela corria de um lugar para outro, tentando escapar de seus perseguidores implacáveis.
Uma noite, quando já estava exausta após mais um dia de fuga, foi surpreendida e capturada em uma emboscada. Ao recuperar a consciência, percebeu estar amarrada a um tronco de árvore no mesmo local onde antes ficava a igreja destruída.
Enquanto a multidão a rodeava, gritando acusações de bruxaria, uma figura se destacou entre os outros. Todos deram passagem ao homem que se aproximou com um olhar sério e decidido.
— Pelos hediondos crimes de bruxaria, profanação da sagrada casa de Deus e o brutal assassinato de quinze inocentes famílias, a multidão enfurecida exige justiça imediata: esta abominável bruxa deve ser condenada à pena máxima! — bradava o líder da turba, com olhos cheios de ódio. — Que ela seja jogada viva à fogueira, para que as chamas purifiquem essa alma maldita!
A multidão enlouquecida se pôs a clamar em uníssono:
— Bota fogo! Bota fogo! Bota fogo! Queime no inferno, bruxa maldita! Queime, desgraçada!
Determinado, o homem que presidia o julgamento levou a tocha incandescente até a condenada. Com ar solene, encarou-a nos olhos e perguntou:
— Bruxa, você se arrepende de seus atos malignos?
Erguendo a cabeça com desafio, ela respondeu com firmeza:
— Não.
Ao ouvir a negativa, o homem afastou-se e atirou a tocha sobre a pilha de lenha. Instantaneamente, as chamas começaram a devorar seu corpo, consumindo sua carne lentamente. Uma dor excruciante deveria tê-la assolado, mas, para o espanto de todos, a bruxa não soltou um único grito.
Os homens se aproximaram para constatar o seu fim. Porém, depararam-se com algo inacreditável: não havia nenhum resto da condenada, nem mesmo cinzas. Atônitos, não conseguiam compreender como aquilo era possível depois de vê-la ser consumida pelas chamas.
O espaço-tempo em que se encontrava foi rasgado, puxado a uma camada acima das realidades, revelando a Nêmesis um conhecimento que transcendia a existência e a sua percepção sobre a natureza da realidade. Ela se viu diante de um novo mundo de possibilidades que ia muito além do que jamais imaginara.