Quando hoje a calçada,
mesmo que aos tropeços,
lhe permite caminhar altivo,
seguro e de mãos dadas,
lembre-se que lá atrás,
eu caí nela e sangrei.
Não há que ter culpa,
apenas lembre-se.
Toda a pele colorida
do seu rosto maquiado,
eu tive que disfarçar
e foi sentindo escorrer
por cada poro.
O meu caminhar de antes,
hoje mostra a sua rua.
Os seus beijos e carinhos
agora, só se podem porque
eu não os podia.
E os seus dedos correm pelo rosto de quem se ama à luz de todos os lugares.
Eu me escondi,
para que você se mostrasse,
eu chorei, para que você sorrisse,
eu apanhei para que você não sentisse dor,
eu cambaleei para que você andasse ereto.
A minha luta ontem
presenteia a sua paz,
tendo eu caído e sangrado
debaixo de uniformes armados.
Era o chão que me restava
estirado, contorcido, marcado,
humilhado sem o que me era
de direito.
Assustado, subjugado, indigno.
Mesmo sem que me tirassem
a vida, quase tudo de mim foi levado.
A sua história de alguma liberdade foi escrita pelas minhas lágrimas que encharcavam as folhas de um livro que você nem leu.
Repare no riso que estampa a minha cara agora.
Ele descreve as conquistas.