Diziam que, em algum lugar do mundo, existia uma biblioteca que não guardava livros.
Guardava vidas.
Ninguém sabia onde ela ficava.
Até que uma garota chamada Elisa encontrou uma porta no meio de uma floresta que não aparecia em nenhum mapa.
Na porta estava escrito:
"Entre apenas se estiver pronta para descobrir quem escreveu sua história."
Curiosa, ela entrou.
Lá dentro havia milhares de livros.
Mas cada livro tinha o nome de uma pessoa viva.
Ela encontrou o seu.
Na capa estava escrito:
"Elisa — páginas ainda não terminadas."
Assustada, abriu o livro.
E começou a ler.
Falava sobre sua infância.
Sobre seus medos.
Sobre momentos que ninguém mais sabia.
Mas havia algo estranho...
Algumas páginas estavam apagadas.
Como se alguém tivesse tentado esconder partes da sua vida.
Então apareceu um velho bibliotecário.
— Você não deveria ter encontrado este lugar.
— Quem escreveu meu livro?
O velho ficou em silêncio.
— Todos acham que existe alguém escrevendo suas histórias...
Ele tocou o livro dela.
— Mas poucos descobrem que algumas pessoas nasceram para escrever a própria.
Elisa olhou para as últimas páginas.
E viu algo impossível.
A última página já estava escrita.
Com uma frase:
"Elisa finalmente descobriu que era a personagem que estava procurando pelo autor."
Ela virou o livro assustada.
— Quem escreveu isso?
O velho sorriu.
— Você.
— Mas eu nunca vim aqui antes.
Ele olhou para o relógio da biblioteca.
Um relógio parado há centenas de anos.
— Ainda não.
O chão começou a desaparecer.
Os livros começaram a se fechar.
E antes que tudo sumisse, Elisa ouviu uma voz igual à sua:
— Obrigada por terminar minha história.
Quando acordou em casa...
Tudo parecia normal.
Exceto por uma coisa.
Em sua estante havia um livro novo.
Sem nome na capa.
Quando abriu...
A primeira frase era:
"Hoje, Elisa descobriu que algumas histórias não são escritas para serem vividas... são vividas para serem escritas."
Fim.