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A família que tinha tudo

Isabelbarbosa
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A Família Que Tinha Tudo

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A Família Que Tinha Tudo

Era uma vez uma família muito conhecida na cidade. A casa estava sempre cheia: amigos chegando para conversar, crianças brincando no quintal, vizinhos entrando sem bater e pessoas que apareciam apenas para passar um tempo juntos.

A família era formada por pai, mãe e três filhos. Eles acreditavam que tinham encontrado algo muito raro: uma vida cercada de pessoas que gostavam deles.

Todos os finais de semana havia churrasco, festas, passeios e reuniões. Eles tinham tantos amigos que, às vezes, nem conseguiam contar quantos eram.

Mas, com o passar dos anos, algumas coisas começaram a mudar.

Vieram as discussões, os desentendimentos, as palavras ditas no momento errado e algumas decepções. Amigos que pareciam inseparáveis começaram a se afastar. Alguns deixaram de aparecer. Outros pararam de mandar mensagens. E alguns simplesmente desapareceram da vida daquela família.

No começo, ninguém se preocupou.

— É só uma fase — dizia a mãe.

Mas a casa, que antes estava sempre cheia, começou a ficar silenciosa.

O pai percebeu primeiro. Em um domingo, preparou comida como fazia antigamente, mas ninguém apareceu.

Os filhos olharam pela janela esperando ouvir alguém chegando, mas não havia ninguém.

Foi então que a família percebeu uma coisa dolorosa: eles tinham passado de uma casa cheia de amigos para uma casa onde quase ninguém mais estava.

Naquela noite, todos se sentaram juntos.

— Onde foi parar todo mundo? — perguntou um dos filhos.

O pai ficou em silêncio por alguns segundos e respondeu:

— Talvez a gente tenha confundido quantidade com amizade.

A mãe segurou a mão dos filhos e completou:

— Ter muitas pessoas por perto não significa nunca estar sozinho. Às vezes, precisamos perder algumas pessoas para descobrir quem realmente estava ao nosso lado.

A família começou então a olhar para dentro de casa.

Perceberam que, mesmo tendo perdido muitos amigos, ainda tinham uns aos outros.

A partir daquele dia, passaram a valorizar mais os pequenos momentos: um jantar juntos, uma conversa na varanda, uma risada durante a noite e até os dias simples em que não acontecia nada especial.

Anos depois, algumas pessoas voltaram. Outras nunca mais apareceram.

E a família aprendeu que tudo bem.

Porque amizade verdadeira não é medida pela quantidade de pessoas em uma festa, mas por quem permanece quando a festa acaba.

E aquela família, que um dia tinha muitos amigos e acabou ficando sem quase nenhum, descobriu que ainda possuía algo que valia muito mais: um ao outro.

Thoughts

  • paginadobrada

    essas histórias de família, a gente carrega pra contar depois. quando alguém senta na cadeira, a gente tem aquele momento de contar algo que ficou. não dá de guardar pra si, tem que sair em palavras

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  • Marina

    tipo, vocês tentam chamar de novo ou vai ficar assim? porque tem essas pessoas que a gente pensa que voltam mas nunca mais aparece mesmo

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  • tresPaginas

    que história dessa fico pensando

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  • meioCapitulo

    mas depois mesmo voltam? tipo, vocês tentam chamar de novo ou segue só com a família? porque tem gente que some e o silêncio fica pior

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  • oitoemponto

    a mãe dizendo 'é só uma fase' enquanto tudo fica diferente

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  • sofadasala

    quando você percebeu que a casa estava ficando silenciosa? foi gradual, um amigo se afastando de cada vez, ou teve um domingo específico que tudo mudou?

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  • marcao77

    é verdade mesmo essa confusão entre quantidade e amizade, ou a gente só aprende isso da forma mais dolorida mesmo? porque aqui no bar eu vejo isso o tempo todo

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  • li_no_busao

    tem algo sobre casa vazia que bate diferente

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