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O Ódio é Nossa Energia - Parte 2

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Na Sala com Simuladores

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Na Sala com Simuladores


Ron estava na sala de simulação desde cedo, os olhos grudados nas telas de telemetria. A manhã tinha sido boa: Rix, Ara, Dio, Joa, Doca, Lans, Ray e Pace entregaram números expressivos. O ambiente tinha cheiro de suor e plástico aquecido; os oito simuladores emitiam o zumbido constante das turbinas virtuais.

Quando Dan entrou na sala, todos os pilotos ergueram os olhos, ainda ofegantes. Ela cruzou os braços e foi direto ao ponto:

— Dispensei os quatro que ficaram de fora. Vocês estão bem demais, talvez até confiantes demais. Doze pilotos num único dia de simulação é insano, Ron. Mas não temos tempo — disse, num tom seco.

Ron assentiu, sem desgrudar os olhos das telas.
— Simuladores são ótimos, mas não passam de um aperitivo. O GFG é o que chega mais perto do que é pilotar o supercarro. Claro… — ele sorriu, quase sádico — o GFG também é muito mais cruel.

A menção ao GFG fez a sala gelar. Alguns pilotos se mexeram no banco, desconfortáveis. Sabiam da fama — três no mundo, dois em Ceres, um na República de Fiúme. Um campo de treinamento brutal.

Ron completou:
— E para quem vomitar lá dentro… 200 flexões.

O silêncio ficou pesado. A adrenalina, que antes vinha da corrida virtual, agora batia no peito como martelo.

Dan se aproximou dos consoles, os olhos brilhando com uma ideia.
— Então vamos dificultar as coisas aqui. Se eles estão indo tão bem, está na hora de “soltar os sacos de maldade”.

Ron apenas acenou. Em segundos, a dificuldade da simulação foi ajustada: menos aderência, combustível mais pesado, curvas mais traiçoeiras. O ambiente se encheu de ruído metálico e gritos abafados de frustração.

Os minutos seguintes foram uma dança de tensão: corpos inclinados, respiração curta, suor escorrendo pela testa. Cada erro soava alto, cada perda de tempo era uma facada no ego.

Depois de quase quarenta minutos de sessão intensificada, Ron finalmente deu sinal de parar. O silêncio que se seguiu foi quase religioso — apenas os motores virtuais desacelerando até o zero.

Quando os simuladores desligaram, o silêncio foi quase ensurdecedor. Por alguns segundos, ninguém se mexeu. O corpo de cada piloto parecia colado ao assento, como se ainda estivesse a 300 km/h. O suor escorria pela nuca, alguns tiraram as luvas com raiva, outros só abaixaram a cabeça.

Ron caminhou até o centro da sala, prancheta debaixo do braço. Sua presença bastava para que todos ficassem em posição ereta.

— Respirem. — Ele disse, com voz firme. — Vocês sobreviveram.

Alguns riram nervosos. Outros apenas engoliram seco.

Dan pegou o controle, apagou as telas e falou:

— Agora sim eu gostei. Vi erro, vi desconforto, vi vocês saírem do automático. É isso que queremos. Se vocês não errarem aqui, vão errar lá fora, e lá fora custa caro.

O olhar dela passou de um por um, sem pressa.

— Feedback coletivo daqui a dez minutos, no auditório. Quero vocês limpos, uniformes alinhados, e com a mente preparada. O que vocês sentiram agora precisa ser traduzido em palavras. Se não souberem falar, aprendam.

Ron completou:
— E lembrem: consistência é mais importante que heroísmo. Não preciso de um campeão no simulador, preciso de alguém que não quebre o carro na vida real.

Ele olhou para o relógio.
— Dez minutos. Dispensados.

Os pilotos saíram em silêncio, caminhando pelo corredor iluminado por LEDs brancos. O som dos passos ecoava como um cortejo. Não havia conversa, apenas respiração pesada. Pareciam soldados depois de uma batalha curta — vivos, mas transformados.

Ron permanecia em pé, braços cruzados, observando os números subirem e caírem nas telas. Dan estava sentada, digitando, olhos grudados nos gráficos. A sala cheirava a suor e plástico aquecido, os simuladores ainda zumbindo em rescaldo.

— Eles não conseguem controlar o carro — Ron disse, sem disfarçar o tom grave. — É como se soubessem onde estão as alternativas no volante, mas não tivessem criatividade para usá-las sob pressão.

Dan assentiu, sem tirar os olhos da tela.
— Falta gatilho mental, falta reflexo. Começo foi bom, fluiu… mas a vida é o saco das maldades. Conforme o desgaste entrou, eles começaram a rodar.

Ron apontou para os dados de pedal.
— Quarenta quilos de pressão em cada freada e mesmo assim perdem ponto de frenagem. É psicológico. Eles se intimidam com a máquina.

Dan respirou fundo.
— O carro é bom demais no papel. Mas papel não tem curva, não tem temperatura, não tem medo. A realidade cobra caro.

Ron sorriu de canto, um sorriso cansado.
— E quanto melhor o carro, mais selvagem ele fica. É um xadrez imprevisível. Ganha dois, três segundos por volta… e perde uma corrida se o piloto não souber domar a fera.

Dan puxou o relatório de performance.
— Michà entrega 99%, às vezes 95% em dias ruins. Esses aqui… nenhum passa de 60%. É medíocre.

Ron suspirou, virou-se para a janela onde se via o corredor vazio.
— E todos sabem que este garoto de Fiúme está aqui só por política. Intercâmbio de pilotos. É óbvio que não vai entrar na equipe.

Dan fechou o relatório e o colocou sobre a mesa com força.
— Diplomaticamente é bom, mas tecnicamente… não temos piloto.

Ron ficou em silêncio por alguns segundos.
— Então teremos que criá-los. Do zero.

Dan fechou o relatório, respirou fundo e olhou para Ron.
— Não temos opção. Esses pilotos precisam de um choque de realidade… e só Michà pode dar isso. Ela é a única que pode sacudir essa gente e fazer eles terem insight.

Ron franziu o cenho, sabendo onde aquilo ia dar.
— Você quer trazer Michà como instrutora?

— Sim. — Dan respondeu firme. — Sei que ela detesta esse tipo de coisa. Odeia se exibir sem necessidade, odeia fazer algo que não envolva performance real na pista. Mas precisamos dela.

Ron ficou em silêncio por um instante, avaliando. Então assentiu.
— Concordo. Amanhã de manhã, depois dos aquecimentos e academia, quero ela lá. Mas você vai falar com ela hoje. Prepare o psicológico dela para o que vem.

Dan soltou um leve suspiro.
— Vai ser difícil convencê-la.

Ron sorriu de canto, quase irônico.
— Ela vai ter uma surpresa amanhã. E, acredite, no fundo… ela vai gostar.

Dan saiu da sala de simulação depois de horas de testes. O corpo doía, o suor grudava na pele, mas a mente estava mais cansada que os músculos.
No auditório, os outros pilotos esperavam o veredito. Ele se colocou diante deles e anunciou:

— Podem ir ao refeitório ou às áreas comuns. O dia acabou.

Ninguém contestou. O grupo se dispersou em silêncio, como sombras.

Dan tomou outro caminho. Seguiu pelo corredor principal até os aposentos privativos de Michà. Não precisou bater — a porta se abriu ao reconhecê-lo.

O quarto dela era um contraste vivo com o resto do complexo: amplo, paredes de vidro, uma piscina interna que refletia a luz suave, sauna ao fundo. Um luxo quase austero — o tipo de luxo que só um lugar sem dinheiro poderia oferecer. Em Ceres, privilégios não eram comprados, eram concedidos. E Michà era um espelho privilegiado da Mãe.

Ela estava sentada na beira da cama, de cabelos soltos, com um tablet na mão. Não olhou para Dan quando ele entrou.

— Os pilotos são medíocres — disse, como se estivesse concluindo um relatório para si mesma.

Dan respirou fundo, sentindo o peso da conversa que viria.

— Preciso da sua ajuda.

Ela ergueu os olhos negros, intimidantes, quase belos demais para um lugar tão frio. Havia algo neles que fazia Dan hesitar — uma frieza que vinha mais de sinceridade do que de crueldade. Michà podia ser arrogante, mas jamais mentirosa.

— Ajuda para quê? — perguntou, cruzando os braços.

Dan se aproximou. Não havia formalidade entre eles, só uma tensão crescente, algo que os puxava para o mesmo ponto.

— Por causa do Ron. Você sabe que ele não vai aguentar sozinho.

Um silêncio se espalhou no quarto. Ela desviou o olhar, pela primeira vez demonstrando algo além de indiferença.

— Acha que é por isso que eu estou aqui? — sussurrou.

Dan assentiu. E pela primeira vez desde que chegou a Ceres, começou a entender. Tudo naquele lugar — os privilégios, os testes, a vigilância — era para moldá-los, para direcionar sua força, para que não houvesse espaço para nada além do trabalho.

E ainda assim, havia algo ali que escapava ao controle da Mãe.

A atração entre os dois era quase palpável.

Michà se levantou da cama, lenta, como se medisse cada movimento. Caminhou até a piscina, passando a mão pela superfície da água.

— Dan, você sabe o que significa ser escolhida pela Mãe?

— Significa que você é a melhor — ele respondeu, seco.

— Não. Significa que você não tem escolha.

Ela se virou, os olhos negros brilhando na penumbra.

— Eu não escolhi estar aqui. Fui moldada para isso. — fez uma pausa, o olhar duro. — E agora você me pede para ajudar Ron, para salvar um sistema que nunca me deu nada além de obrigações.

Dan respirou fundo. Era sempre assim com ela — um choque, uma luta para não se perder no olhar dela.

— Você recebeu mais do que qualquer um de nós — rebateu, gesticulando para o quarto luxuoso. — Olhe ao seu redor.

Michà deu um meio sorriso, sem humor.

— Luxo não é liberdade, Dan.

Ele se aproximou. Agora estavam a poucos passos um do outro.

— Ron precisa de nós. E você sabe que se ele cair, a Mãe vai encontrar outro para substituir. Mas nenhum vai ser como ele.

O silêncio que se seguiu parecia tão denso quanto o ar quente vindo da sauna. Michà respirou fundo, fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, algo nela havia mudado.

— Você é impossível.

— Não, só insistente.

Ela se aproximou até ficarem quase frente a frente. Não havia mais barreira entre eles, só a tensão que os prendia no mesmo eixo.

— Eu vou ajudar — disse enfim, baixando a voz. — Mas não por você. Nem pela Mãe. É pelo Ron.

Dan sentiu o corpo relaxar, um alívio que não ousou demonstrar.

— Isso é tudo o que eu precisava.

Michà desviou o olhar, mas não recuou.

— Só não se engane, Dan. A Mãe nos colocou aqui para trabalhar. E quanto mais perto você chegar de mim, mais perigoso isso vai ser para nós dois.

Ele sorriu, um sorriso cansado.

— Eu sei. Mas acho que finalmente estou entendendo por que ela fez isso.

Por um instante, não havia simulações, nem relatórios, nem Ceres — apenas eles dois, espelhos de um mesmo destino.




O Refeitório

O refeitório estava carregado de um silêncio que não era silêncio. Era um campo de batalha. Cada piloto sentado sozinho, mastigando como se o alimento fosse parte de um ritual de guerra. Ayr e Adual sentaram juntos, atraindo olhares de soslaio. Lidi, desconfiada, escolheu uma mesa logo atrás deles, os olhos cravados como lâminas, vigiando cada palavra.

Adual comentou, quase em sussurro:
— Esse lugar é hostil... até pra respirar.

Ayr riu de canto de boca.
— Se acostume. Sossego aqui só quando você dorme. E mesmo assim, sonha que está brigando.

— Isso mantém a gente alerta — completou, mexendo no prato sem fome. — É como se o perigo viesse de todos os lados.

Adual olhou ao redor, fascinado.
— Talvez isso esteja no sangue de vocês... há algo de místico nisso. Intrigante. Excitante.

Ele soltou uma risada curta.
— Aposto que, no primeiro descuido, aquela ali — fez um gesto de cabeça em direção a Lidi — enfia um garfo nas minhas costas.

Ayr gargalhou, sem piedade.
— Não duvido.

Lidi ouviu, endureceu ainda mais o rosto, as unhas fincando no metal da bandeja. Não podia reagir. Não ali. Mãe Ceres queria que ela aprendesse tolerância, queria que engolisse cada ofensa como se fosse uma lição de diplomacia. Era essa a doutrina: suportar o ódio até ele se transformar em força.

As horas passaram lentas, os simuladores esperando por eles como juízes impacientes. Os outros pilotos, espalhados pelas mesas, mantinham o ar arrogante, mas todos sabiam a verdade: o simulador tinha sugado suas forças, esvaziado seus egos. Para alguns, foi apenas um ensaio para o GFG. Para outros, uma humilhação.

E aquela era apenas a primeira manha de treinos.

Os pilotos da manhã saíram do refeitório, insatisfeitos, parecendo moscas tontas. O fracasso estava estampado em oito rostos, cada expressão desenhando a decepção de perder para um simulador. Ninguém sabia exatamente os resultados, mas Ron tinha destruído a moral deles de forma silenciosa e absoluta.

Mais tarde, Dan chama Adual, Ayr, Lidi e Ickx para os simuladores. Ambos entram no mesmo corredor amplo e branco do complexo, cada passo ecoando sobre o piso polido. Os LEDs nas paredes começam a pulsar, imagens de Michà surgem em grande escala, a “Donzela de Aço”, seu rosto imponente e o olhar negro que intimida até os mais experientes. Metallic Blue – House Of Lords invade o espaço, batida profunda, vibrando como se o próprio corredor respirasse no ritmo da música.

Cada piloto sente o peso da presença dela mesmo à distância. Não é só a imagem, não são só os vídeos de suas corridas épicas: é a aura que envolve Michà, a força silenciosa de quem domina sem se submeter, de quem perde por pouco mas faz todos sentirem que perderam junto. Aquele corredor é uma catedral, cada LED e som é vitral e órgão, e eles, meros visitantes diante de um mito vivo.

Ayr engole em seco. Adual, mesmo vindo da República de Fiúme, percebe o quanto o poder simbólico de Michà transcende qualquer nacionalidade. Lidi cruza os braços, desconfiada, tentando manter a postura de piloto endurecida, mas seus olhos não conseguem deixar de acompanhar cada detalhe do rosto, cada movimento na tela gigante. Ickx se inclina levemente para frente, consciente de que está diante de algo que vai além de velocidade e técnica — é quase espiritual.

Eles caminham mais um pouco, os motores simulados e sons eletrônicos do complexo intensificando a atmosfera. Cada passo aumenta a tensão, cada LED reforça a expectativa: ali não se entra apenas para pilotar, entra-se para testemunhar, absorver e se medir contra a própria lenda. A energia é quase física, um formigamento na pele, um chamado silencioso para que cada um dê mais do que tem, porque ali, ninguém é apenas piloto.

E, mesmo sem estar presente, Michà domina tudo: o espaço, a mente e o coração de todos. Ela é o teste que nenhum manual ensina, a adversária invisível que eles precisam enfrentar antes mesmo de tocar no volante. O corredor termina, e eles sabem: tudo que vem depois, no simulador, será menor do que a pressão que já sentem agora.

Os quatro pilotos chegam aos simuladores. Cada cabine é como um pequeno cockpit real, mas o som e a vibração são amplificados, quase dolorosos, como se antecipassem a realidade da pista. Dan ajusta rapidamente os parâmetros de cada carro, sem perder tempo com formalidades.

Ela diz:
— Lembrem-se, não se trata apenas de velocidade. Obedecer aos reflexos, entender o carro, sentir cada detalhe do volante… isso é o que separa quem sobrevive de quem falha.

Ayr senta-se primeiro, colocando as mãos no volante com cuidado quase reverencial. O coração bate acelerado, mas ele mantém a postura. Adual, mesmo com o sotaque carregado, inspira fundo e segue. Lidi observa, desconfiada, seu olhar alternando entre o simulador e a imagem de Michà ainda no corredor nos LEDs — mesmo ausente, ela parecia guiá-los. Ickx entra por último, fechado, concentrado.

Dan ativa os simuladores. O som do motor virtual explode nos fones, reverberando pelo peito dos pilotos. Metallic Blue ainda ecoa baixo, dando o ritmo, um lembrete constante de que aquilo não é só técnica, é ritual.

Ayr tenta a primeira curva. O carro responde, mas ele percebe imediatamente que não basta pressionar o acelerador — é preciso sentir o equilíbrio, antecipar cada movimento. Rodopia, corrige, respira fundo. Adual faz o mesmo, cada volta é um aprendizado, cada correção um insight. Lidi tenta acompanhar, mas a tensão mostra suas primeiras falhas. Ickx mantém-se firme, mas o suor escorre, a pressão mental é intensa.

Dan observa, fazendo anotações rápidas. — Todos vocês têm técnica, mas ainda não têm “cabeça de piloto”. Isso é sentir o carro, viver dentro dele, deixar que ele dite os limites sem perder controle.

O corredor atrás deles ainda pulsa com os LEDs, e a sombra de Michà parece flutuar sobre os quatro. A presença dela é quase física: cada piloto sente que ela observa, que cada erro é notado, cada acerto medido. Nenhum deles ousa falar, o silêncio é pesado.

Ayr consegue uma volta limpa, mas percebe que ainda falta algo. Ele respira fundo e murmura para si mesmo:
— Se Michà estivesse aqui… faria diferente.

Adual sorri levemente, sentindo que compreendeu parte do que a Donzela de Aço representa — não apenas habilidade, mas controle absoluto da mente e do corpo sob pressão.

Dan finaliza a sessão de aquecimento:
— Amanhã, vocês terão o GFG. Isso aqui é só o início. Lembrem-se: a velocidade não perdoa. Não existe mérito em ego, apenas em resultados.

O corredor se esvazia aos poucos. Metallic Blue diminui, mas o eco da música ainda vibra nos corpos e mentes dos pilotos. Cada um sai do simulador sabendo que a verdadeira corrida não é contra o tempo ou o carro, mas contra o que Michà representa. Uma lenda, uma prova viva de que limites existem apenas para serem sentidos, desafiados e superados.

Quase 17h, a sala de simulação fervia. Ron ordena que Dan lidere o “saco das maldades”. Os últimos quatro pilotos, escolhidos por último, subestimados por todos, agora mostravam números acima de 90% de eficiência. Ron, orgulhoso, dá um pequeno soco nos ombros de Dan, aprovação silenciosa, ambos riem.

Dan aperta os comandos, acrescenta dificuldades nos simuladores. O carro reage como uma fera contida: curvas mais rápidas, frenagens mais abruptas, pit stops cronometrados em menos de 2 segundos. Cada piloto sente o volante vibrar como se fosse seu próprio corpo em alta velocidade. Adual dispara com precisão, Ayr desliza no limite, 96%, o resto em torno de 94%. Cada curva é um teste de reflexos, cada pedal uma decisão de vida.

O barulho do motor virtual é ensurdecedor, mas claro, controlado. Luzes simulando o pôr do sol de Ceres passam pelos vidros, refletindo nos capacetes dos pilotos. Dan observa, ajusta e puxa mais desafios: curvas cegas, trechos de baixa aderência, simulação de vento e calor. O suor escorre, mãos se esforçam nos pedais de 40kg, cada movimento exige precisão absoluta.

Ron em silêncio, como maestro de um concerto de aço, percebe a evolução. Ele sabe que Michà faria isso parecer fácil, mas ali, cada piloto enfrentava seu próprio limite. O simulador não mente: cada erro é medido, cada acerto gravado. A adrenalina sobe, os rostos se contorcem em concentração e raiva, mas ninguém desiste.

Dan sorri, percebe que o nível máximo está sendo atingido. O carro é perfeito no papel, mas agora os pilotos estão sendo moldados pela fera, aprendendo a domá-la. Cada giro no volante, cada freada, cada aceleração é um passo a mais para a realidade do GFG.

O relógio marca quase 18h. Luzes piscam, números subindo, a pressão atinge o pico. Ayr olha para o painel: 96,1%. Adual 95,8%. Ron sorri: amanhã, com Michà ao lado deles, nada será impossível.


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