Amo-te.
Amas-me?
Sim, amo-te.
Por que dizes que me amas?
Por que digo que te amo?
Há um perigo velado e brando
em dizer o que tanto procuro e chamo.
Amo-te simplesmente porque te amo;
amo-me a mim... mas por quê?
Por que questionas o meu querer?
Porque dizes apenas por dizer,
e se apenas dizes, logo não amas.
Mas eu amo-te!
Que amor é este, afinal?
Feito de ti, feito do verbo amar,
um labirinto sem ponto final.
Então não amas.
Mas amo-te!
Pois quem ama verdadeiramente...
não começa por se amar?
E como saber a fronteira exata
entre sentir que amo e amar de verdade?
Palavras ditas no vento do tempo,
repetidas na mesma saudade.
Se apenas dizes que amas, sem amar,
como podes afinal afirmar
que te amo... e que me amas?