Me aventurei nas seleções do existir.
Descobri muitas ofertas vazias a sorrir,
Mais nada se compara à maior que vi surgir:
O saber, guiado por gana ética e consciente.
Quero tudo o que me foi negado
No lance de dados de um berço marcado.
Se me tolheram direitos, nem sei quais de fato,
Pois jamais os possuí em nenhum contrato.
Mas felizmente a engrenagem não para assim,
Pois esses privilégios que fogem de mim
Despertam fome e ânsia de desforra sem fim.
Quando eu for buscar o que me pertence,
Direi tão alto à multidão que silencia e vence,
Que os arranha-céus e a orla hão de estremecer,
Num pavor saudável por um mundo a florescer.
Iremos erguer as insígnias do mútuo respeito,
Munindo os pequenos com o livro no peito,
Com a Carta Magna — e nunca com o ferro estreito.
Cantaremos a favor da base deste planeta doente,
E tal contenda jamais vai cessar,
Até o rebento do trabalhador poder se formar!