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URBEX, Lo e Bru

Eduardo13
Pensamento

Pensamento

gel

A coruja 😂

A coruja 😂

ConteĂșdo da publicação

URBEX — LO E BRU

Capítulo I — A Casa do Fim da Rua

A chuva caĂ­a fina sobre a cidade quando Lo e Bru estacionaram o carro diante de uma velha casa abandonada.

A construção ficava no fim de uma rua quase sem iluminação. O portão estava torto, coberto de ferrugem, e o mato havia tomado conta do quintal.

Bru colocou a Gopro presa à cabeça e verificou o equipamento.

— Gravando?

Lo levantou a cĂąmera que segurava na mĂŁo.

— Gravando.

Bru olhou para a casa.

— Então vamos entrar.

— VocĂȘ fala isso como se fosse fĂĄcil.

— É só uma casa abandonada.

Lo apontou a cĂąmera para ele.

— VocĂȘ sempre fala isso antes de alguma coisa tentar matar a gente.

Bru riu.

— Para de drama.

Os dois atravessaram o portĂŁo.

CREC!

Uma tåbua velha quebrou sob o pé de Bru.

Ele congelou.

— O que foi isso?!

Lo começou a rir.

— Foi vocĂȘ!

— Eu sei! Mas parecia outra coisa!

— Nem entramos ainda.

Eles continuaram.

O mato chegava quase à cintura. Galhos batiam nas roupas enquanto avançavam.

A casa parecia ainda maior de perto.

Janelas quebradas.

Portas entreabertas.

Paredes cobertas de mofo.

E, no segundo andar, uma janela que balançava lentamente com o vento.

Nheeeeeec...

Bru apontou a cabeça para cima.

— VocĂȘ ouviu?

Lo aproximou a cĂąmera.

— A janela.

— Tem certeza?

— NĂŁo. Mas prefiro acreditar que Ă© a janela.

Eles chegaram Ă  porta principal.

Lo empurrou.

CRAAAAAAAC...

A porta abriu lentamente.

Os dois ficaram em silĂȘncio.

A cĂąmera de Lo iluminou o interior.

Um corredor comprido.

Papéis espalhados.

Móveis cobertos por lençóis.

Retratos antigos nas paredes.

E uma escada que desaparecia na escuridĂŁo.

Bru respirou fundo.

— Beleza. Entramos, filmamos cinco minutos e vamos embora.

Lo olhou para ele.

— Cinco minutos?

— Dez.

— Agora vocĂȘ estĂĄ com medo?

— Não estou com medo.

Um barulho veio do andar de cima.

TUM!

Os dois se assustaram.

— CORRE!

Bru saiu disparado pela porta.

Lo correu atrĂĄs dele.

— VOLTA, SEU MALUCO!

Eles pararam no quintal.

SilĂȘncio.

Lo respirava ofegante.

— VocĂȘ falou que nĂŁo estava com medo!

Bru colocou as mĂŁos nos joelhos.

— Eu não estava!

— Então por que correu?

— Reflexo!

Lo começou a rir.

— Vamos voltar.

— VocĂȘ Ă© louco.

— O vĂ­deo precisa de conteĂșdo.

Bru olhou para a casa.

— Tá bom.

Ele apontou para a cùmera da cabeça.

— Mas se alguma coisa aparecer, vocĂȘ corre primeiro.

— Combinado.

Eles entraram novamente.

Dessa vez, seguiram pelo corredor.

No chĂŁo havia marcas antigas de barro.

Lo aproximou a cĂąmera.

— Olha isso.

Bru abaixou a cabeça.

— Pegadas?

As marcas seguiam pelo corredor.

E desapareciam diante da escada.

Bru ficou sério.

— Essas marcas não estavam aqui quando entramos.

Lo olhou para ele.

— Talvez estavam.

— Não estavam, olha para a porta, nós fizemos essas pegadas quando entramos da primeira vez e saímos correndo.

Um vento frio atravessou o corredor.

Fuuuuuu...

EntĂŁo veio um som.

Ras... ras... ras...

Alguma coisa se mexia dentro de um quarto.

Lo apontou a cĂąmera.

— Tem alguma coisa ali.

Bru pegou um pedaço de madeira e aponta para o barulho, na cabeça dele era uma espingarda na mão e não uma madeira.

— Se for alguĂ©m, eu vou conversar.

— Conversar com um pedaço de pau?

— É minha diplomacia.

Eles abriram a porta lentamente.

Nada.

O quarto estava vazio.

Apenas caixas velhas e um armĂĄrio quebrado.

Lo entrou.

Bru ficou na porta.

— Vamos embora.

— Espera.

Lo apontou a cĂąmera para o teto.

Um pequeno morcego estava pendurado ali.

— Bru...

— O quĂȘ?

— Olha para cima.

Bru olhou.

— AAAAAAAAH!

O morcego voou.

— CORRE!

Os dois dispararam pelo corredor, o morceguinho parecia gigante.

— É SÓ UM MORCEGO! — gritou Lo.

— EU SEI!

— ENTÃO PARA DE CORRER!

— NÃO CONSIGO!

O morcego passou por cima deles e desapareceu pela janela.

Os dois ficaram parados.

SilĂȘncio.

Lo começou a rir.

— Isso vai dar muita audiĂȘncia.

Bru olhou para a cùmera da cabeça.

— Se vocĂȘ colocar isso no vĂ­deo, eu nego tudo.

De repente...

TUM... TUM... TUM...

Os dois pararam de rir.

O som vinha do andar de cima.

TrĂȘs batidas.

Pausa.

Mais trĂȘs.

TUM... TUM... TUM...

Lo levantou lentamente a cĂąmera.

Bru engoliu seco.

— Isso não foi morcego.

— Não.

— Nem vento.

— Não.

Bru apertou o pedaço de madeira.

— Então o que foi?

A cùmera de Lo começou a registrar a escada.

E, lĂĄ no alto...

uma sombra passou rapidamente diante da porta.

Lo ficou imĂłvel.

Bru sussurrou:

— VocĂȘ viu?

Lo respondeu baixinho:

— Vi.

— Vamos embora?

Lo respirou fundo.

Olhou para a cĂąmera.

Depois para a escada.

— Agora a gente vai descobrir o que tem lá em cima.

Bru fechou os olhos por um instante.

— Eu sabia que vocĂȘ ia dizer isso.

Os dois começaram a subir.

TUM...

Uma batida.

TUM...

Outra.

E quando chegaram ao Ășltimo degrau...

a porta do corredor superior se fechou sozinha.

CLAC.

Bru e Lo se entreolharam.

Bru sussurrou:

— Agora... a gente corre?

Lo apertou a cĂąmera.

— Agora a gente corre, Puuuummm, peidei..

E os dois dispararam escada abaixo.

Mas nenhum dos dois percebeu uma coisa:

a cĂąmera de Lo continuava apontada para o andar superior.

E, durante alguns segundos, registrou uma figura parada no fim do corredor...

observando os dois fugirem.

URBEX — LO E BRU

Capítulo II — Os Dois Olhos

Os dois chegaram à porta da frente quase tropeçando um no outro.

Bru colocou a mão na maçaneta.

— Abre!

CLAC!

A porta nĂŁo abriu.

Bru tentou novamente.

— Está trancada!

Lo olhou para ele.

— Mas a gente não trancou!

Bru puxou a maçaneta com força.

CLAC! CLAC! CLAC!

Nada.

— LO!

Lo ficou completamente paralisado.

O corredor parecia ter ficado ainda mais escuro.

EntĂŁo...

Toc... toc... toc...

Alguma coisa bateu em uma janela.

Lo arregalou os olhos.

— Eu... eu não estou gostando disso.

De repente, suas pernas amoleceram.

PLOFT!

Lo caiu no chĂŁo.

— LO!

Bru se ajoelhou ao lado dele.

— Lo! Levanta!

Nada.

— LO!

Bru deu dois tapinhas no rosto dele.

— Cara, acorda!

Lo abriu lentamente um olho.

Olhou para Bru.

Depois olhou ao redor.

O corredor estava cheio de pequenos ruĂ­dos.

Creeeeec...

Uma madeira rangendo.

Tic... tic... tic...

Alguma coisa pingando.

Rrrrrrrr...

Um som estranho vindo de algum lugar da casa.

Lo fechou o olho novamente.

Bru arregalou os olhos.

— VocĂȘ desmaiou mesmo?

Lo permaneceu imĂłvel.

— Lo?

SilĂȘncio.

— Cara, eu vou te carregar daqui!

Nada.

EntĂŁo Lo pensou:

"Melhor fingir que estou desmaiado. Talvez o Bru resolva tudo sozinho."

Mas quando abriu discretamente um olho...

viu algo no alto da escada.

DOIS OLHOS ENORMES.

Lo congelou.

Os olhos brilhavam na escuridĂŁo.

Ele imediatamente fechou os olhos.

— BRU...

— O quĂȘ?!

— Não olha para cima.

— Por quĂȘ?

— Só... não olha.

Bru lentamente levantou a cabeça.

— Meu Deus, que cheiro ruim Ă© esse, parece que tem algo morto aqui?

Lo responde:

— PEIDEI....

Os dois ficaram olhando o alto da escada.

Os olhos estavam cada vez mais prĂłximos.

A criatura começou a descer.

Fuuuuuuush!

— CORRE!

Os dois gritaram ao mesmo tempo.

A coisa veio voando diretamente na direção deles!

Lo se jogou atrĂĄs de um sofĂĄ.

Bru levantou os braços para proteger o rosto.

FRAAAAAAP!

A criatura passou entre os dois e voou para o outro lado da sala.

SilĂȘncio.

Lo abriu um olho.

Bru abriu o outro.

Os dois olharam para o chĂŁo.

E entĂŁo ouviram:

"Uhuuuuu..."

Lo ficou alguns segundos em silĂȘncio.

— ...É uma coruja.

Bru respirou fundo.

— Uma coruja.

Lo saiu de trĂĄs do sofĂĄ.

— Eu quase morri.

— VocĂȘ desmaiou antes!

— Foi estratĂ©gia.

Bru começou a rir.

— EstratĂ©gia?

— Sim. Eu estava analisando a situação deitado.

A coruja pousou em uma viga e ficou olhando para eles.

Bru apontou a Gopro para ela.

— Pelo menos conseguimos uma boa imagem.

Lo pegou a cĂąmera do chĂŁo.

— Só falta uma coisa.

— O quĂȘ?

Lo apontou para a porta.

— Como a gente sai daqui?

Os dois olharam para a porta trancada.

E, naquele instante...

CLAC.

A maçaneta começou a girar sozinha.

Bru e Lo se entreolharam.

A coruja levantou voo.

E dessa vez...

não havia ninguém brincando.

URBEX — LO E BRU

Capítulo III — A Casinha no Mato

A maçaneta continuava girando.

CLAC... CLAC... CLAC...

Lo ficou olhando para a porta.

De repente, soltou um pequeno suspiro.

E entĂŁo...

PFFFFFT!

Bru arregalou os olhos.

— LO!

Lo colocou a mĂŁo no rosto.

— Ih... acho que caguei.....

O cheiro se espalhou pelo corredor.

Bru deu dois passos para trĂĄs.

— VocĂȘ estĂĄ brincando?!

Lo levou a mĂŁo ao peito.

— Não estou me sentindo bem...

E caiu no chĂŁo.

PLOFT!

Bru ficou olhando.

— Lo?

SilĂȘncio.

— Lo!

Nada.

Bru se abaixou.

— Cara, não faz isso comigo!

Lo abriu discretamente um olho.

Viu Bru completamente apavorado e pensou:

"Essa estĂĄ funcionando."

EntĂŁo fechou o olho novamente.

Bru ficou com as pernas bambas.

— Meu Deus... eu vou ter que sair dessa casa sozinho?

Nesse momento...

CLAC!

A porta da frente se abriu.

Sozinha.

Os dois ficaram imĂłveis.

Bru olhou para a porta.

Não havia ninguém do outro lado.

Apenas o quintal escuro, a chuva fina e o mato balançando com o vento.

Bru respirou fundo.

— Lo...

Nada.

— Levanta.

Lo continuou fingindo.

— LO, LEVANTA! A PORTA ABRIU!

Lo abriu os olhos.

— Abriu?

— Sim! E nĂŁo tem ninguĂ©m!

Lo se levantou rapidamente, ajeitando a roupa.

— Eu sabia.

Bru olhou desconfiado.

— Sabia?

Lo pegou a cĂąmera.

— Claro que sabia. Eu só estava...

Fez uma pausa.

— ...descansando.

Bru balançou a cabeça.

— VocĂȘ Ă© inacreditĂĄvel.

Lo caminhou até a porta.

— Se tivesse alguĂ©m ou alguma coisa aqui, ia se ver comigo.

Bru ficou atrĂĄs dele.

— É mesmo?

— É.

Lo colocou um pé para fora.

— Pode aparecer!

Nada.

— Está vendo?

Lo saiu mais alguns passos.

— NĂŁo tem ninguĂ©m!

EntĂŁo...

TOC.

Uma mĂŁo tocou o ombro de Lo.

Ele congelou.

Bru congelou.

Os dois olharam lentamente para trĂĄs.

Lo arregalou os olhos.

— Bru...

— Não fala.

A mĂŁo apertou seu ombro.

Lo gritou:

— CORRE!

Os dois dispararam pelo quintal.

— AAAAAAAAH!

— NÃO OLHA PARA TRÁS!

— EU NÃO ESTOU OLHANDO!

— ENTÃO POR QUE VOCÊ ESTÁ GRITANDO?!

— PORQUE ESTÁ ATRÁS DE MIM!

Os dois atravessaram o mato, tropeçando em galhos e quase caindo vårias vezes.

Depois de alguns metros, encontraram uma pequena casinha abandonada, quase escondida entre as ĂĄrvores.

Entraram correndo.

BAM!

Bru fechou a porta.

Os dois ficaram encostados na parede, tentando recuperar o fĂŽlego.

SilĂȘncio.

Lo levantou a cĂąmera.

— Está gravando?

Bru olhou para a GoPro.

— Está.

Lo respirou fundo.

— Então temos provas.

Bru ficou em silĂȘncio por alguns segundos.

— Provas de quĂȘ?

Lo apontou para ele.

— De que vocĂȘ corre mais rĂĄpido quando estĂĄ com medo.

Bru respondeu:

— E vocĂȘ desmaia mais rĂĄpido quando solta pum.

Os dois começaram a rir baixinho.

Mas a risada desapareceu quando ouviram, do lado de fora:

Passos.

Toc... toc... toc...

Alguém estava caminhando pelo mato.

Os dois ficaram imĂłveis.

Os passos pararam diante da casinha.

Bru colocou a mĂŁo sobre a boca.

Lo desligou a luz da cĂąmera.

EntĂŁo...

toc... toc... toc...

TrĂȘs batidas na porta.

Os dois se olharam.

E uma voz baixa veio do lado de fora:

— Lo...

Os dois ficaram brancos.

Bru sussurrou:

— Como Ă© que essa coisa sabe seu nome?

Lo respondeu, quase sem voz:

— Eu... não faço ideia.

A maçaneta começou a girar.

CLAC...

CLAC...

E, dessa vez, nenhum dos dois achou graça.

URBEX — LO E BRU

Capítulo IV — A Assombração

Lo estava encostado na parede da pequena casinha, completamente apavorado.

Bru também não estava muito melhor.

Do lado de fora, a voz continuava:

— Loooo...

SilĂȘncio.

— Bruuuu...

Bru arregalou os olhos.

— Ela sabe nossos nomes...

Lo sussurou:

— Não responde.

— CadĂȘ vocĂȘs?

Os dois ficaram imĂłveis.

Lo olhou ao redor e encontrou um cabo de vassoura velho encostado num canto.

Pegou o cabo e levantou como se fosse uma espada.

— Estamos armados!

Bru olhou para ele.

— Armados com um cabo de vassoura?

— É o que temos!

Bru imediatamente se escondeu atrĂĄs de uma caixa velha.

— EntĂŁo vocĂȘ enfrenta ela.

— Bru!

— Boa sorte!

A voz continuava se aproximando.

— Lo... Bru... cadĂȘ vocĂȘs?

Lo segurou o cabo com as duas mĂŁos.

— Pode entrar! Estamos preparados!

A porta se abriu lentamente.

Nheeeeeec...

Uma silhueta apareceu na entrada.

Bru se encolheu ainda mais.

Lo levantou o cabo de vassoura.

Mas a figura continuava avançando.

— CadĂȘ vocĂȘs?

A pessoa entrou na casinha.

Olhou para um lado.

Depois para o outro.

— Lo?

— Bru?

Finalmente, encontrou os dois.

Lo deixou o cabo cair.

Toc!

Ele e Bru se ajoelharam imediatamente, fecharam os olhos e começaram a falar ao mesmo tempo:

— Por favor, não faça nada com a gente!

— A gente só veio gravar!

— Não queremos problemas!

— Pode ficar com a casa!

A figura ficou em silĂȘncio por alguns segundos.

EntĂŁo respondeu:

— Seus palermas!

Lo abriu um olho.

A voz continuou:

— Sou eu! Trice, sua namorada, vocĂȘs me esqueceram no carro dormindo!

Lo abriu os dois olhos.

Bru saiu lentamente de trĂĄs da caixa.

— Trice?!

Ela cruzou os braços.

— Sim! Eu mandei mensagem para vocĂȘs e vocĂȘs nĂŁo responderam. Resolvi vir procurar vocĂȘs.

Lo levantou devagar.

— Eu sabia o tempo todo.

Bru olhou para ele, indignado.

— SABIA?!

— Claro, o tempo todo.

— VocĂȘ estava pedindo para o fantasma nĂŁo matar vocĂȘ!

Lo apontou para o cabo de vassoura.

— Aquilo fazia parte do plano.

Trice começou a rir.

— Que plano?

Lo ficou sério.

— Plano... de sobrevivĂȘncia.

Bru começou a rir também.

— VocĂȘ quase se entregou quando começou a rezar!

Lo apontou para ele.

— E vocĂȘ se escondeu atrĂĄs de uma caixa!

Trice olhou para os dois.

— VocĂȘs sĂŁo os exploradores urbanos mais medrosos que eu jĂĄ vi.

Lo pegou a cĂąmera novamente.

— Mas temos uma ótima gravação.

Bru olhou para a GoPro.

— Temos mesmo.

Nesse momento, a cĂąmera de Lo fez um pequeno bip.

Os trĂȘs olharam para ela.

Lo franziu a testa.

— Eu não apertei nada.

A tela da cĂąmera acendeu sozinha.

E apareceu uma imagem da casa abandonada.

SĂł que havia algo estranho.

No segundo andar, atrĂĄs da janela...

havia uma figura parada, olhando diretamente para a cĂąmera.

Trice parou de rir.

Bru engoliu seco.

Lo ficou pĂĄlido.

— Trice...

— O quĂȘ?

— VocĂȘ disse que veio sozinha?

Ela respondeu:

— Sim.

Os trĂȘs olharam para a pequena janela da casinha.

Do lado de fora, no meio da mata...

alguĂ©m estava parado observando os trĂȘs.

URBEX — LO E BRU

Capítulo V — O Vulto na Janela

Os trĂȘs ficaram paralisados.

Na pequena janela da casinha, entre as ĂĄrvores, havia um vulto escuro.

Parecia uma pessoa.

Parada.

Observando.

Trice sussurrou:

— VocĂȘs estĂŁo vendo isso?

Bru respondeu:

— Estou vendo e não quero mais ver!

Lo pegou a cĂąmera.

— Talvez seja alguĂ©m, eu estive lĂĄ e nĂŁo vi ninguĂ©m, tambĂ©m estava escuro e o holofote apagou...

O vulto nĂŁo se mexeu.

Um silĂȘncio tomou conta da casinha.

EntĂŁo Lo disse:

— Melhor sair daqui.

Bru respondeu imediatamente:

— Finalmente vocĂȘ falou uma coisa inteligente!

Os trĂȘs abriram a porta e saĂ­ram em disparada.

— CORRE!

— NÃO OLHA PARA TRÁS!

— EU NÃO ESTOU OLHANDO!

— ENTÃO POR QUE ESTÁ CORRENDO EM ZIGUE-ZAGUE?!

Eles atravessaram o mato, tropeçando nos galhos, até chegarem novamente perto do carro.

SĂł entĂŁo pararam.

Bru colocou as mĂŁos nos joelhos.

— Nunca mais...

Trice respirava ofegante.

— VocĂȘs realmente acharam que aquilo era um fantasma?

Lo olhou para a casa.

— Tinha forma de pessoa!

— E estava olhando para a gente!

— Exatamente!

Os trĂȘs entraram no carro.

Lo colocou a cĂąmera sobre o banco.

— Vamos assistir à gravação depois.

E foram embora.

Horas mais tarde, em casa, Lo abriu o vídeo, sua imaginação dizia que o lugar era assombrado, mas para eles todo lugar era assombrado.

Ele avançou a gravação até o momento em que o vulto apareceu na janela.

— Aqui!

Bru se aproximou.

— Dá zoom.

Lo aumentou a imagem.

A figura ficou mais nĂ­tida.

SilĂȘncio.

Trice franziu a testa.

— Espera...

Lo aumentou ainda mais.

E entĂŁo perceberam.

O vulto nĂŁo estava olhando para eles.

Era um manequim velho, coberto parcialmente por um tecido branco.

Atrås dele havia uma måquina de costura enferrujada, caixas e vårios pedaços de tecido.

Lo ficou alguns segundos olhando para a tela.

Bru começou a rir.

— NÃO ACREDITO!

Trice caiu na gargalhada.

— VocĂȘs fugiram de um manequim!

Lo tentou manter a seriedade.

— Não era qualquer manequim.

— Era o quĂȘ? — perguntou Bru.

Lo respondeu:

— Um manequim muito assustador.

Bru quase caiu da cadeira de tanto rir.

Trice apontou para a tela.

— E vocĂȘs nem perceberam que aquela casa tinha sido uma antiga oficina de costura.

Lo ficou pensativo.

— Então todas aquelas sombras...

Bru completou:

— Eram objetos velhos.

Lo olhou para os dois.

— Provavelmente.

Nesse instante, o vĂ­deo continuou rodando sozinho.

A imagem mostrou novamente o corredor da casa abandonada.

E, por alguns segundos, apareceu algo que nenhum dos trĂȘs havia percebido durante a gravação.

Uma porta no fundo do corredor se abriu lentamente.

Lo parou de rir.

Bru também.

Trice ficou séria.

— Isso estava aberto quando vocĂȘs entraram?

Lo balançou a cabeça.

— Não.

Os trĂȘs ficaram olhando para a tela.

A gravação continuava.

E dessa vez...

nĂŁo parecia ser um manequim.

URBEX — LO E BRU

Capítulo VI — O Último Susto

Os trĂȘs continuavam olhando para a gravação.

A porta no fundo do corredor estava entreaberta.

Atrås dela, não havia ninguém.

Apenas uma escuridĂŁo profunda.

EntĂŁo...

Nheeeeeec...

A porta abriu sozinha.

Parou.

Depois começou a fechar.

Toc.

Ficou fechada por alguns segundos.

E novamente:

Nheeeeeec...

Abriu.

Lo ficou olhando para a tela.

— Isso nĂŁo Ă© normal.

Bru concordou.

— Dessa vez eu tambĂ©m nĂŁo vou inventar desculpa.

A porta abriu e fechou mais uma vez.

Nhec... toc.

Lo levantou as mĂŁos.

— Pronto. Acabou. Nunca mais volto naquela casa.

Bru apontou para a tela.

— Eu tambĂ©m nĂŁo!

Trice começou a rir.

— Frouxos!

Lo olhou para ela.

— Frouxo nada. É questĂŁo de inteligĂȘncia.

— Sei...

Lo levantou devagar.

— Bom... eu vou ali.

— Aonde? — perguntou Bru.

— Tenho que... trocar as calças.

Trice começou a gargalhar.

Bru ficou em silĂȘncio por alguns segundos.

— Eu tambĂ©m preciso.

— VocĂȘ tambĂ©m?!

— Precaução.

Os dois saĂ­ram discretamente da sala.

Trice ficou sozinha, rindo.

— Dois malucos...

Ela voltou a olhar para o vĂ­deo.

A porta continuava abrindo e fechando.

Nheeeeeec...

Toc.

Trice balançou a cabeça.

— Deve ser o vento.

E fechou o vĂ­deo.

EPÍLOGO

Naquela mesma noite, a velha casa permanecia completamente vazia.

Nenhum fantasma.

Nenhuma criatura.

Nenhuma assombração.

Apenas o vento entrando pelas janelas quebradas.

No fundo do corredor, a velha porta se movimentava lentamente.

Nheeeeeec...

Toc.

Nheeeeeec...

Toc.

A fechadura estava quebrada havia muitos anos.

Por isso, com cada rajada de vento, a porta abria e fechava sozinha.

E assim continuou durante toda a madrugada.

Enquanto isso, bem longe dali, Lo e Bru provavelmente ainda juravam que tinham escapado de uma assombração.

FIM. đŸ‘»đŸ˜„

Thoughts

  • Terezita

    Ri alto com a Trice esquecida dormindo no carro, minha filha. Gostei demais dela entrando na casinha e chamando os dois de palermas!

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  • gel

    A coruja 😂

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  • salmo23

    Kkkkk o Lo fingindo desmaio duas vezes pro Bru resolver tudo sozinho, conheço gente assim 😂

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