URBEX — LO E BRU
Capítulo I — A Casa do Fim da Rua
A chuva caía fina sobre a cidade quando Lo e Bru estacionaram o carro diante de uma velha casa abandonada.
A construção ficava no fim de uma rua quase sem iluminação. O portão estava torto, coberto de ferrugem, e o mato havia tomado conta do quintal.
Bru colocou a Gopro presa à cabeça e verificou o equipamento.
— Gravando?
Lo levantou a câmera que segurava na mão.
— Gravando.
Bru olhou para a casa.
— Então vamos entrar.
— Você fala isso como se fosse fácil.
— É só uma casa abandonada.
Lo apontou a câmera para ele.
— Você sempre fala isso antes de alguma coisa tentar matar a gente.
Bru riu.
— Para de drama.
Os dois atravessaram o portão.
CREC!
Uma tábua velha quebrou sob o pé de Bru.
Ele congelou.
— O que foi isso?!
Lo começou a rir.
— Foi você!
— Eu sei! Mas parecia outra coisa!
— Nem entramos ainda.
Eles continuaram.
O mato chegava quase à cintura. Galhos batiam nas roupas enquanto avançavam.
A casa parecia ainda maior de perto.
Janelas quebradas.
Portas entreabertas.
Paredes cobertas de mofo.
E, no segundo andar, uma janela que balançava lentamente com o vento.
Nheeeeeec...
Bru apontou a cabeça para cima.
— Você ouviu?
Lo aproximou a câmera.
— A janela.
— Tem certeza?
— Não. Mas prefiro acreditar que é a janela.
Eles chegaram à porta principal.
Lo empurrou.
CRAAAAAAAC...
A porta abriu lentamente.
Os dois ficaram em silêncio.
A câmera de Lo iluminou o interior.
Um corredor comprido.
Papéis espalhados.
Móveis cobertos por lençóis.
Retratos antigos nas paredes.
E uma escada que desaparecia na escuridão.
Bru respirou fundo.
— Beleza. Entramos, filmamos cinco minutos e vamos embora.
Lo olhou para ele.
— Cinco minutos?
— Dez.
— Agora você está com medo?
— Não estou com medo.
Um barulho veio do andar de cima.
TUM!
Os dois se assustaram.
— CORRE!
Bru saiu disparado pela porta.
Lo correu atrás dele.
— VOLTA, SEU MALUCO!
Eles pararam no quintal.
Silêncio.
Lo respirava ofegante.
— Você falou que não estava com medo!
Bru colocou as mãos nos joelhos.
— Eu não estava!
— Então por que correu?
— Reflexo!
Lo começou a rir.
— Vamos voltar.
— Você é louco.
— O vídeo precisa de conteúdo.
Bru olhou para a casa.
— Tá bom.
Ele apontou para a câmera da cabeça.
— Mas se alguma coisa aparecer, você corre primeiro.
— Combinado.
Eles entraram novamente.
Dessa vez, seguiram pelo corredor.
No chão havia marcas antigas de barro.
Lo aproximou a câmera.
— Olha isso.
Bru abaixou a cabeça.
— Pegadas?
As marcas seguiam pelo corredor.
E desapareciam diante da escada.
Bru ficou sério.
— Essas marcas não estavam aqui quando entramos.
Lo olhou para ele.
— Talvez estavam.
— Não estavam, olha para a porta, nós fizemos essas pegadas quando entramos da primeira vez e saímos correndo.
Um vento frio atravessou o corredor.
Fuuuuuu...
Então veio um som.
Ras... ras... ras...
Alguma coisa se mexia dentro de um quarto.
Lo apontou a câmera.
— Tem alguma coisa ali.
Bru pegou um pedaço de madeira e aponta para o barulho, na cabeça dele era uma espingarda na mão e não uma madeira.
— Se for alguém, eu vou conversar.
— Conversar com um pedaço de pau?
— É minha diplomacia.
Eles abriram a porta lentamente.
Nada.
O quarto estava vazio.
Apenas caixas velhas e um armário quebrado.
Lo entrou.
Bru ficou na porta.
— Vamos embora.
— Espera.
Lo apontou a câmera para o teto.
Um pequeno morcego estava pendurado ali.
— Bru...
— O quê?
— Olha para cima.
Bru olhou.
— AAAAAAAAH!
O morcego voou.
— CORRE!
Os dois dispararam pelo corredor, o morceguinho parecia gigante.
— É SÓ UM MORCEGO! — gritou Lo.
— EU SEI!
— ENTÃO PARA DE CORRER!
— NÃO CONSIGO!
O morcego passou por cima deles e desapareceu pela janela.
Os dois ficaram parados.
Silêncio.
Lo começou a rir.
— Isso vai dar muita audiência.
Bru olhou para a câmera da cabeça.
— Se você colocar isso no vídeo, eu nego tudo.
De repente...
TUM... TUM... TUM...
Os dois pararam de rir.
O som vinha do andar de cima.
Três batidas.
Pausa.
Mais três.
TUM... TUM... TUM...
Lo levantou lentamente a câmera.
Bru engoliu seco.
— Isso não foi morcego.
— Não.
— Nem vento.
— Não.
Bru apertou o pedaço de madeira.
— Então o que foi?
A câmera de Lo começou a registrar a escada.
E, lá no alto...
uma sombra passou rapidamente diante da porta.
Lo ficou imóvel.
Bru sussurrou:
— Você viu?
Lo respondeu baixinho:
— Vi.
— Vamos embora?
Lo respirou fundo.
Olhou para a câmera.
Depois para a escada.
— Agora a gente vai descobrir o que tem lá em cima.
Bru fechou os olhos por um instante.
— Eu sabia que você ia dizer isso.
Os dois começaram a subir.
TUM...
Uma batida.
TUM...
Outra.
E quando chegaram ao último degrau...
a porta do corredor superior se fechou sozinha.
CLAC.
Bru e Lo se entreolharam.
Bru sussurrou:
— Agora... a gente corre?
Lo apertou a câmera.
— Agora a gente corre, Puuuummm, peidei..
E os dois dispararam escada abaixo.
Mas nenhum dos dois percebeu uma coisa:
a câmera de Lo continuava apontada para o andar superior.
E, durante alguns segundos, registrou uma figura parada no fim do corredor...
observando os dois fugirem.
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Capítulo II — Os Dois Olhos
Os dois chegaram à porta da frente quase tropeçando um no outro.
Bru colocou a mão na maçaneta.
— Abre!
CLAC!
A porta não abriu.
Bru tentou novamente.
— Está trancada!
Lo olhou para ele.
— Mas a gente não trancou!
Bru puxou a maçaneta com força.
CLAC! CLAC! CLAC!
Nada.
— LO!
Lo ficou completamente paralisado.
O corredor parecia ter ficado ainda mais escuro.
Então...
Toc... toc... toc...
Alguma coisa bateu em uma janela.
Lo arregalou os olhos.
— Eu... eu não estou gostando disso.
De repente, suas pernas amoleceram.
PLOFT!
Lo caiu no chão.
— LO!
Bru se ajoelhou ao lado dele.
— Lo! Levanta!
Nada.
— LO!
Bru deu dois tapinhas no rosto dele.
— Cara, acorda!
Lo abriu lentamente um olho.
Olhou para Bru.
Depois olhou ao redor.
O corredor estava cheio de pequenos ruídos.
Creeeeec...
Uma madeira rangendo.
Tic... tic... tic...
Alguma coisa pingando.
Rrrrrrrr...
Um som estranho vindo de algum lugar da casa.
Lo fechou o olho novamente.
Bru arregalou os olhos.
— Você desmaiou mesmo?
Lo permaneceu imóvel.
— Lo?
Silêncio.
— Cara, eu vou te carregar daqui!
Nada.
Então Lo pensou:
"Melhor fingir que estou desmaiado. Talvez o Bru resolva tudo sozinho."
Mas quando abriu discretamente um olho...
viu algo no alto da escada.
DOIS OLHOS ENORMES.
Lo congelou.
Os olhos brilhavam na escuridão.
Ele imediatamente fechou os olhos.
— BRU...
— O quê?!
— Não olha para cima.
— Por quê?
— Só... não olha.
Bru lentamente levantou a cabeça.
— Meu Deus, que cheiro ruim é esse, parece que tem algo morto aqui?
Lo responde:
— PEIDEI....
Os dois ficaram olhando o alto da escada.
Os olhos estavam cada vez mais próximos.
A criatura começou a descer.
Fuuuuuuush!
— CORRE!
Os dois gritaram ao mesmo tempo.
A coisa veio voando diretamente na direção deles!
Lo se jogou atrás de um sofá.
Bru levantou os braços para proteger o rosto.
FRAAAAAAP!
A criatura passou entre os dois e voou para o outro lado da sala.
Silêncio.
Lo abriu um olho.
Bru abriu o outro.
Os dois olharam para o chão.
E então ouviram:
"Uhuuuuu..."
Lo ficou alguns segundos em silêncio.
— ...É uma coruja.
Bru respirou fundo.
— Uma coruja.
Lo saiu de trás do sofá.
— Eu quase morri.
— Você desmaiou antes!
— Foi estratégia.
Bru começou a rir.
— Estratégia?
— Sim. Eu estava analisando a situação deitado.
A coruja pousou em uma viga e ficou olhando para eles.
Bru apontou a Gopro para ela.
— Pelo menos conseguimos uma boa imagem.
Lo pegou a câmera do chão.
— Só falta uma coisa.
— O quê?
Lo apontou para a porta.
— Como a gente sai daqui?
Os dois olharam para a porta trancada.
E, naquele instante...
CLAC.
A maçaneta começou a girar sozinha.
Bru e Lo se entreolharam.
A coruja levantou voo.
E dessa vez...
não havia ninguém brincando.
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Capítulo III — A Casinha no Mato
A maçaneta continuava girando.
CLAC... CLAC... CLAC...
Lo ficou olhando para a porta.
De repente, soltou um pequeno suspiro.
E então...
PFFFFFT!
Bru arregalou os olhos.
— LO!
Lo colocou a mão no rosto.
— Ih... acho que caguei.....
O cheiro se espalhou pelo corredor.
Bru deu dois passos para trás.
— Você está brincando?!
Lo levou a mão ao peito.
— Não estou me sentindo bem...
E caiu no chão.
PLOFT!
Bru ficou olhando.
— Lo?
Silêncio.
— Lo!
Nada.
Bru se abaixou.
— Cara, não faz isso comigo!
Lo abriu discretamente um olho.
Viu Bru completamente apavorado e pensou:
"Essa está funcionando."
Então fechou o olho novamente.
Bru ficou com as pernas bambas.
— Meu Deus... eu vou ter que sair dessa casa sozinho?
Nesse momento...
CLAC!
A porta da frente se abriu.
Sozinha.
Os dois ficaram imóveis.
Bru olhou para a porta.
Não havia ninguém do outro lado.
Apenas o quintal escuro, a chuva fina e o mato balançando com o vento.
Bru respirou fundo.
— Lo...
Nada.
— Levanta.
Lo continuou fingindo.
— LO, LEVANTA! A PORTA ABRIU!
Lo abriu os olhos.
— Abriu?
— Sim! E não tem ninguém!
Lo se levantou rapidamente, ajeitando a roupa.
— Eu sabia.
Bru olhou desconfiado.
— Sabia?
Lo pegou a câmera.
— Claro que sabia. Eu só estava...
Fez uma pausa.
— ...descansando.
Bru balançou a cabeça.
— Você é inacreditável.
Lo caminhou até a porta.
— Se tivesse alguém ou alguma coisa aqui, ia se ver comigo.
Bru ficou atrás dele.
— É mesmo?
— É.
Lo colocou um pé para fora.
— Pode aparecer!
Nada.
— Está vendo?
Lo saiu mais alguns passos.
— Não tem ninguém!
Então...
TOC.
Uma mão tocou o ombro de Lo.
Ele congelou.
Bru congelou.
Os dois olharam lentamente para trás.
Lo arregalou os olhos.
— Bru...
— Não fala.
A mão apertou seu ombro.
Lo gritou:
— CORRE!
Os dois dispararam pelo quintal.
— AAAAAAAAH!
— NÃO OLHA PARA TRÁS!
— EU NÃO ESTOU OLHANDO!
— ENTÃO POR QUE VOCÊ ESTÁ GRITANDO?!
— PORQUE ESTÁ ATRÁS DE MIM!
Os dois atravessaram o mato, tropeçando em galhos e quase caindo várias vezes.
Depois de alguns metros, encontraram uma pequena casinha abandonada, quase escondida entre as árvores.
Entraram correndo.
BAM!
Bru fechou a porta.
Os dois ficaram encostados na parede, tentando recuperar o fôlego.
Silêncio.
Lo levantou a câmera.
— Está gravando?
Bru olhou para a GoPro.
— Está.
Lo respirou fundo.
— Então temos provas.
Bru ficou em silêncio por alguns segundos.
— Provas de quê?
Lo apontou para ele.
— De que você corre mais rápido quando está com medo.
Bru respondeu:
— E você desmaia mais rápido quando solta pum.
Os dois começaram a rir baixinho.
Mas a risada desapareceu quando ouviram, do lado de fora:
Passos.
Toc... toc... toc...
Alguém estava caminhando pelo mato.
Os dois ficaram imóveis.
Os passos pararam diante da casinha.
Bru colocou a mão sobre a boca.
Lo desligou a luz da câmera.
Então...
toc... toc... toc...
Três batidas na porta.
Os dois se olharam.
E uma voz baixa veio do lado de fora:
— Lo...
Os dois ficaram brancos.
Bru sussurrou:
— Como é que essa coisa sabe seu nome?
Lo respondeu, quase sem voz:
— Eu... não faço ideia.
A maçaneta começou a girar.
CLAC...
CLAC...
E, dessa vez, nenhum dos dois achou graça.
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Capítulo IV — A Assombração
Lo estava encostado na parede da pequena casinha, completamente apavorado.
Bru também não estava muito melhor.
Do lado de fora, a voz continuava:
— Loooo...
Silêncio.
— Bruuuu...
Bru arregalou os olhos.
— Ela sabe nossos nomes...
Lo sussurou:
— Não responde.
— Cadê vocês?
Os dois ficaram imóveis.
Lo olhou ao redor e encontrou um cabo de vassoura velho encostado num canto.
Pegou o cabo e levantou como se fosse uma espada.
— Estamos armados!
Bru olhou para ele.
— Armados com um cabo de vassoura?
— É o que temos!
Bru imediatamente se escondeu atrás de uma caixa velha.
— Então você enfrenta ela.
— Bru!
— Boa sorte!
A voz continuava se aproximando.
— Lo... Bru... cadê vocês?
Lo segurou o cabo com as duas mãos.
— Pode entrar! Estamos preparados!
A porta se abriu lentamente.
Nheeeeeec...
Uma silhueta apareceu na entrada.
Bru se encolheu ainda mais.
Lo levantou o cabo de vassoura.
Mas a figura continuava avançando.
— Cadê vocês?
A pessoa entrou na casinha.
Olhou para um lado.
Depois para o outro.
— Lo?
— Bru?
Finalmente, encontrou os dois.
Lo deixou o cabo cair.
Toc!
Ele e Bru se ajoelharam imediatamente, fecharam os olhos e começaram a falar ao mesmo tempo:
— Por favor, não faça nada com a gente!
— A gente só veio gravar!
— Não queremos problemas!
— Pode ficar com a casa!
A figura ficou em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu:
— Seus palermas!
Lo abriu um olho.
A voz continuou:
— Sou eu! Trice, sua namorada, vocês me esqueceram no carro dormindo!
Lo abriu os dois olhos.
Bru saiu lentamente de trás da caixa.
— Trice?!
Ela cruzou os braços.
— Sim! Eu mandei mensagem para vocês e vocês não responderam. Resolvi vir procurar vocês.
Lo levantou devagar.
— Eu sabia o tempo todo.
Bru olhou para ele, indignado.
— SABIA?!
— Claro, o tempo todo.
— Você estava pedindo para o fantasma não matar você!
Lo apontou para o cabo de vassoura.
— Aquilo fazia parte do plano.
Trice começou a rir.
— Que plano?
Lo ficou sério.
— Plano... de sobrevivência.
Bru começou a rir também.
— Você quase se entregou quando começou a rezar!
Lo apontou para ele.
— E você se escondeu atrás de uma caixa!
Trice olhou para os dois.
— Vocês são os exploradores urbanos mais medrosos que eu já vi.
Lo pegou a câmera novamente.
— Mas temos uma ótima gravação.
Bru olhou para a GoPro.
— Temos mesmo.
Nesse momento, a câmera de Lo fez um pequeno bip.
Os três olharam para ela.
Lo franziu a testa.
— Eu não apertei nada.
A tela da câmera acendeu sozinha.
E apareceu uma imagem da casa abandonada.
Só que havia algo estranho.
No segundo andar, atrás da janela...
havia uma figura parada, olhando diretamente para a câmera.
Trice parou de rir.
Bru engoliu seco.
Lo ficou pálido.
— Trice...
— O quê?
— Você disse que veio sozinha?
Ela respondeu:
— Sim.
Os três olharam para a pequena janela da casinha.
Do lado de fora, no meio da mata...
alguém estava parado observando os três.
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Capítulo V — O Vulto na Janela
Os três ficaram paralisados.
Na pequena janela da casinha, entre as árvores, havia um vulto escuro.
Parecia uma pessoa.
Parada.
Observando.
Trice sussurrou:
— Vocês estão vendo isso?
Bru respondeu:
— Estou vendo e não quero mais ver!
Lo pegou a câmera.
— Talvez seja alguém, eu estive lá e não vi ninguém, também estava escuro e o holofote apagou...
O vulto não se mexeu.
Um silêncio tomou conta da casinha.
Então Lo disse:
— Melhor sair daqui.
Bru respondeu imediatamente:
— Finalmente você falou uma coisa inteligente!
Os três abriram a porta e saíram em disparada.
— CORRE!
— NÃO OLHA PARA TRÁS!
— EU NÃO ESTOU OLHANDO!
— ENTÃO POR QUE ESTÁ CORRENDO EM ZIGUE-ZAGUE?!
Eles atravessaram o mato, tropeçando nos galhos, até chegarem novamente perto do carro.
Só então pararam.
Bru colocou as mãos nos joelhos.
— Nunca mais...
Trice respirava ofegante.
— Vocês realmente acharam que aquilo era um fantasma?
Lo olhou para a casa.
— Tinha forma de pessoa!
— E estava olhando para a gente!
— Exatamente!
Os três entraram no carro.
Lo colocou a câmera sobre o banco.
— Vamos assistir à gravação depois.
E foram embora.
Horas mais tarde, em casa, Lo abriu o vídeo, sua imaginação dizia que o lugar era assombrado, mas para eles todo lugar era assombrado.
Ele avançou a gravação até o momento em que o vulto apareceu na janela.
— Aqui!
Bru se aproximou.
— Dá zoom.
Lo aumentou a imagem.
A figura ficou mais nítida.
Silêncio.
Trice franziu a testa.
— Espera...
Lo aumentou ainda mais.
E então perceberam.
O vulto não estava olhando para eles.
Era um manequim velho, coberto parcialmente por um tecido branco.
Atrás dele havia uma máquina de costura enferrujada, caixas e vários pedaços de tecido.
Lo ficou alguns segundos olhando para a tela.
Bru começou a rir.
— NÃO ACREDITO!
Trice caiu na gargalhada.
— Vocês fugiram de um manequim!
Lo tentou manter a seriedade.
— Não era qualquer manequim.
— Era o quê? — perguntou Bru.
Lo respondeu:
— Um manequim muito assustador.
Bru quase caiu da cadeira de tanto rir.
Trice apontou para a tela.
— E vocês nem perceberam que aquela casa tinha sido uma antiga oficina de costura.
Lo ficou pensativo.
— Então todas aquelas sombras...
Bru completou:
— Eram objetos velhos.
Lo olhou para os dois.
— Provavelmente.
Nesse instante, o vídeo continuou rodando sozinho.
A imagem mostrou novamente o corredor da casa abandonada.
E, por alguns segundos, apareceu algo que nenhum dos três havia percebido durante a gravação.
Uma porta no fundo do corredor se abriu lentamente.
Lo parou de rir.
Bru também.
Trice ficou séria.
— Isso estava aberto quando vocês entraram?
Lo balançou a cabeça.
— Não.
Os três ficaram olhando para a tela.
A gravação continuava.
E dessa vez...
não parecia ser um manequim.
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Capítulo VI — O Último Susto
Os três continuavam olhando para a gravação.
A porta no fundo do corredor estava entreaberta.
Atrás dela, não havia ninguém.
Apenas uma escuridão profunda.
Então...
Nheeeeeec...
A porta abriu sozinha.
Parou.
Depois começou a fechar.
Toc.
Ficou fechada por alguns segundos.
E novamente:
Nheeeeeec...
Abriu.
Lo ficou olhando para a tela.
— Isso não é normal.
Bru concordou.
— Dessa vez eu também não vou inventar desculpa.
A porta abriu e fechou mais uma vez.
Nhec... toc.
Lo levantou as mãos.
— Pronto. Acabou. Nunca mais volto naquela casa.
Bru apontou para a tela.
— Eu também não!
Trice começou a rir.
— Frouxos!
Lo olhou para ela.
— Frouxo nada. É questão de inteligência.
— Sei...
Lo levantou devagar.
— Bom... eu vou ali.
— Aonde? — perguntou Bru.
— Tenho que... trocar as calças.
Trice começou a gargalhar.
Bru ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu também preciso.
— Você também?!
— Precaução.
Os dois saíram discretamente da sala.
Trice ficou sozinha, rindo.
— Dois malucos...
Ela voltou a olhar para o vídeo.
A porta continuava abrindo e fechando.
Nheeeeeec...
Toc.
Trice balançou a cabeça.
— Deve ser o vento.
E fechou o vídeo.
EPÍLOGO
Naquela mesma noite, a velha casa permanecia completamente vazia.
Nenhum fantasma.
Nenhuma criatura.
Nenhuma assombração.
Apenas o vento entrando pelas janelas quebradas.
No fundo do corredor, a velha porta se movimentava lentamente.
Nheeeeeec...
Toc.
Nheeeeeec...
Toc.
A fechadura estava quebrada havia muitos anos.
Por isso, com cada rajada de vento, a porta abria e fechava sozinha.
E assim continuou durante toda a madrugada.
Enquanto isso, bem longe dali, Lo e Bru provavelmente ainda juravam que tinham escapado de uma assombração.
FIM. 👻😄