CAPÍTULO 8 – O MUNDO VAI SABER
O dia passa rápido demais entre beijos na cozinha, filme no sofá e ele me ensinando a jogar videogame péssimo.
Quando escurece, meu celular não para de vibrar. Grupo do time, mensagens da festa, fotos do Mason.
Rian pega meu celular da minha mão e joga longe do sofá.
— Ei! — eu reclamo rindo.
— Proibido celular hoje — ele fala sério, mas os olhos estão cheios de maldade. — Eu já perdi anos. Não vou perder mais um minuto porque a escola quer fofoca.
Ele se deita por cima de mim no sofá.
— Amanhã todo mundo vai saber — murmura no meu pescoço. — Não vou mais esconder. Não vou mais fingir que sou só seu amigo.
Eu arrepio.
— Você tem certeza? Vai virar o assunto da escola.
Ele levanta a cabeça e me olha nos olhos.
— Deixa virar. Que falem. Que comentem. Que morram de inveja. Você é minha, Maya. E eu tô cansado de esconder isso.
O jeito que ele fala “minha” me desmonta por dentro.
— E se der errado? E se estragar a amizade? — pergunto, mesmo sabendo a resposta.
Rian encosta a testa na minha.
— A única coisa que estragaria é continuar mentindo pra mim mesmo. A gente já é muito mais que amigos há muito tempo. Só demorou pra admitir.
Ele me beija. Fundo. Demorado. Como promessa.
— Amanhã eu vou te buscar na sua casa. De mão dada. E se alguém olhar torto, o problema é dele — ele sorri contra meus lábios. — E se você ficar com vergonha, eu beijo você na frente de todo mundo até passar.
Eu rio e empurro ele de leve.
— Que romântico.
— Sou romântico e possessivo — responde, me puxando de novo. — Se acostuma.
Naquela noite a gente dorme de novo juntos. Sem medo. Sem “e se”.
Porque pela primeira vez, o futuro não assusta.