Faz três dias que a gente não se fala.
Sim, eu estou contando.
Talvez pareça pouco para você,
mas depois de oito meses
entre conversas, afastamentos e reencontros,
esses três dias parecem diferentes.
Porque, pela primeira vez,
eu sinto que você realmente me colocou
no lugar de amiga.
E talvez o mais doloroso
seja perceber que esse lugar
nunca teve o mesmo significado para mim.
É engraçado…
eu te vi por uma tela,
em chamadas de vídeo,
e ainda assim enxerguei coisas
que talvez só eu tenha enxergado.
Seus sorrisos,
seus olhares,
aqueles pequenos segundos
em que eu jurava existir alguma coisa
entre nós.
Talvez fosse só a minha esperança
dando significado ao que você nunca prometeu.
Você sempre disse que a distância pesa,
que moramos em lados diferentes do mundo,
que certas coisas não dão certo assim.
E eu entendo.
O que talvez você nunca entenda
é que eu teria enfrentado a distância por você.
Eu teria atravessado um oceano
sem sequer saber como seria te encontrar
fora de uma tela.
Porque eu me importei.
E talvez seja justamente isso
que esteja doendo agora.
Não são os três dias.
É perceber que, em três dias,
você não sentiu falta o suficiente
para perguntar sequer se eu estou bem.
Enquanto eu passei esses mesmos três dias
me perguntando se você está bem.
Eu não queria promessas.
Não queria que você largasse tudo por mim.
Eu só queria sentir
que a minha ausência também fazia falta.
Oito meses deveriam significar alguma coisa…
nem que fosse apenas um
“você está bem?”
Mas talvez eu tenha confundido
conexão com sentimento,
olhares com intenção,
e carinho com algo que você nunca sentiu.
E essa é a parte mais difícil:
eu me importei tanto com você
que até a sua falta
ainda me faz querer saber
se você está bem.