Li um poema e sinto a necessidade gritante de começar um texto igual a ele, não consigo entender a necessidade constante de reprovação que tenho por ideias originais. Parto do pressuposto de que tudo foi feito e, por isso, tudo pode ser copiado. Mas até onde a vergonha da cópia conforta o amago da criatividade? Pela falta de diferença na cópia, comecei diferente a prosa, mas quantas outras narrativas começam da mesma forma que essa?
Entre a moralidade e a mente, habita o prazer. Nada é bom demais pra ser verdade, mas nada é mentiroso ou oculto demais pra ser revelado, então seria um conjunto de existências devoradas por um senso maior de falta de vergonha? Copiar só parece mais um reflexo de outro espelho em um menor, que, enquanto olho para ele, ele olha para o outro. Refletindo a minha imagem, mas, principalmente refletindo, o reflexo do outro. A sombra daquele parece melhor que a própria