Eu tinha doze anos
quando perdi você.
Achava que a dor
ia crescer menos
do que eu.
Mas hoje tenho dezoito,
quase dezenove.
Minha voz mudou.
Meu rosto mudou.
Aprendi a atravessar a cidade sozinha,
a pagar contas,
a esconder o choro em lugares públicos.
A vida inteira insistiu em seguir.
Só existe uma coisa
que nunca mudou.
Ainda espero ouvir
seus passos
quando a porta de casa faz barulho.
Ainda viro o rosto
por um segundo,
como se o impossível
tivesse decidido voltar.
E, por esse breve instante,
eu volto a ter doze anos outra vez.
Porque algumas perdas
não envelhecem.
Elas apenas aprendem
a morar dentro da gente.
E eu sei...
Que, no final,
passarei mais tempo de luto por você
do que de tempo vivido ao seu lado.