O anel rolando pra debaixo da pia bem na hora, e eu caí igual o Joel, achei que era pedido mesmo. Boné nenhum me engana mais.
Teoria nº 32: O Corpo Não Aguenta
Pensamento
O anel rolando pra debaixo da pia bem na hora, e eu caí igual o Joel, achei que era pedido mesmo. Boné nenhum me engana mais.
Conteúdo da publicação
Sexta-feira, 08 de maio de 2026
Os dois homens me encaram com um olhar intimidador. Preciso ser convincente e garantir que meus amigos — e, principalmente, o meu amor — não sabem de nada sobre a fórmula REFLEX.
— As únicas pessoas que sabem sobre a fórmula REFLEX sou eu, Augusto e o falecido doutor Prado — digo, com firmeza.
— Tem certeza? — questiona um dos homens, desconfiado.
— No dia em que fui sequestrado, levei uma bolada na cara — explico, com convicção. — Meus amigos criaram a teoria de que isso me deixou sem empatia por um tempo.
— E tem sido bastante convincente desde então — acrescento.
— Vou acreditar nas suas palavras — diz um dos homens, friamente. — Mas saiba que vai se arrepender se descobrirmos que está mentindo.
— Eu não estou. Ninguém mais sabe sobre a fórmula — respondo, sério. Por dentro, porém, estou tremendo.
— Boa tarde, então, doutor Martins — dizem eles, antes de saírem.
Assim que eles saem, minhas pernas fraquejam e eu caio no chão.
— Essa foi por pouco... — digo, levando a mão ao peito. Meu coração está acelerado.
Conversei seriamente com Wei, Rafael e Ariel sobre isso. Foi a última vez que falamos sobre a fórmula REFLEX. Não podemos arriscar.
É de noite, e finalmente o corpo do doutor Prado foi liberado para o velório. Estou sentado à mesa com outros físicos. O velório está muito movimentado; várias pessoas continuam chegando para dar um último adeus ao doutor Prado.
— Vou ao banheiro — diz Wei, enquanto se levanta.
— Conversando com você agora, percebo que voltou a ser como antes — comenta um dos físicos.
— Fico feliz que o velho doutor Martins tenha voltado — diz outro.
— Por acaso você tem um irmão gêmeo? Porque é difícil acreditar que era você — diz um dos físicos.
— Vamos imaginar que sim — responde Rafael.
Todos começam a rir.
— Amor! — escuto a voz de Ariel. — Boa tarde, pessoal — diz ele, chegando por trás e tocando meu ombro.
— Boa tarde, chefe — dizem os físicos.
— Pensei que você estivesse ocupado no restaurante — digo, enquanto me viro. Quando olho melhor, vejo que Ariel está de boné. — Você fica fofinho de boné — completo, todo bobo.
— Eu tenho uma coisa para te dizer — diz Ariel, me puxando levemente. — Vamos até o banheiro.
— O que você quer me dizer? — pergunto, confuso, enquanto ele me conduz até lá.
— É algo muito importante — diz Ariel, fechando a porta atrás de nós. — Uma surpresa — completa, colocando a mão no bolso.
— O que é? — digo, animado.
— É para você, amor — diz Ariel, tirando um anel do bolso. Meu coração dispara. Será que ele vai me pedir em casamento? Fico vermelho só de imaginar. Mas, de repente, o anel escorrega de sua mão. Ele cai no chão e rola até parar debaixo da pia do banheiro.
— Eu sou muito desastrado... estraguei tudo — diz Ariel, frustrado.
— Não se preocupe, amor. Eu pego — digo, enquanto me abaixo.
Me abaixo e estico a mão para debaixo da pia. Minhas mãos estão tremendo, meu coração está batendo forte. Não acredito que o meu amor vai me pedir em casamento. Finalmente alcanço.
— Peguei! — Digo todo bobo, segurando o anel com firmeza.
— Joel, cuidado! — Grita Wei, desesperado, ao sair de uma das cabines do banheiro.
Sinto um calafrio. Dou uma rápida olhada para o lado e vejo a faca vindo em minha direção. Consigo desviar no último instante. A lâmina acerta a pia.
— Ariel? — Grito, chocado.
— Só morra de uma vez, seu maldito! — Grita Ariel friamente, avançando com a faca. Seguro seu braço com força. — Você destruiu a minha vida! — Ele grita, furioso.
— Augusto... — Digo, finalmente entendendo.
— Seu desgraçado! — Grita Wei, atacando Augusto por trás. Os dois entram em luta corporal. Wei tenta arrancar a faca da mão dele.
— Me dá isso! — Diz Wei, forçando.
Augusto, em um movimento rápido, dá uma joelhada no estômago de Wei.
— Não se meta. — Diz Augusto, antes de cravar a faca no estômago dele.
— Luiz! — Grito desesperado, enquanto tento me levantar.
— Eu odeio vocês! — Grita Augusto friamente, puxando a faca e desferindo mais um golpe.
— Toma o seu amiguinho. — Diz, jogando Wei em cima de mim. Caímos no chão.
— Luiz! — Grito, desesperado.
— Joel... — Diz ele com dificuldade. O sangue escorre rapidamente de seus ferimentos.
— Você vai pagar, Joel. — Diz Augusto, sacando uma arma e apontando diretamente para mim.
— Você cometeu um erro gravíssimo. Você não devia ter usado a fórmula Reflex para se transformar em alguém mais baixo que você. — Digo, chocado.
— Eu não ligo. O que me importa agora é matar você e o seu doce chefe. — Diz Augusto, friamente.
— Quando você voltar à sua forma original, há o risco de ficar tetraplégico. — Digo, com preocupação.
— É melhor se preocupar com você mesmo agora. — Diz Augusto, enquanto começa a apertar o gatilho. De repente, seu corpo começa a tremer.
— Droga! — Grita Augusto, começando a procurar algo no bolso. Ele está atrás da fórmula. Se não tomar agora, vai se transformar de volta.
Me levanto rapidamente e dou um chute na arma, que cai longe pelo chão. Augusto cai de joelhos, tremendo violentamente. Ele consegue tirar a fórmula do bolso, mas, antes que leve o frasco aos lábios, eu a arranco de sua mão.
— Já chega. — Digo, firme. — Já chega de querer ser outra pessoa. — Completo, jogando a fórmula no chão.
— Não! — Grita Augusto, desesperado, enquanto o líquido se espalha pelo chão. Seus tremores aumentam, e ele cai de lado, gritando de dor enquanto o corpo começa a voltar ao normal.
Ele se contorce no chão por alguns segundos, até finalmente desmaiar. Seu corpo original havia retornado.
— Vai chamar ajuda. — Grita Wei, com dificuldade.
Abro a porta do banheiro e grito por socorro.
As pessoas começam a entrar rapidamente.
— Mas... é o Augusto! — Diz alguém, chocado, ao vê-lo desacordado no chão.
— Chamem uma ambulância! Ele feriu o Wei e ainda tentou me matar! — Digo, desesperado.
— Esse rapaz não cansa de fazer maldade. — Comenta um deles, em choque.
A ambulância não demora a chegar. Wei é levado às pressas para o hospital. Estou apavorado — ele perdeu muito sangue, o banheiro ficou encharcado.
Augusto também é levado, ainda inconsciente, desta vez escoltado pela polícia.
Pego meu carro e sigo para o hospital. Rafael foi junto com Wei na ambulância.
Chego ao hospital e dou apoio ao Rafael. Ele está chorando muito. Wei está sendo operado neste momento, e o estado dele é delicado.
— Como está o Luiz? — Pergunta uma mulher, desesperada, ao se aproximar.
— Maya... — Diz Rafael, abraçando-a com força. — Eu não quero perdê-lo.
— Vai ficar tudo bem. O nosso amor é forte, ele vai sair dessa. — Diz Maya, tentando se manter firme.
— Nosso amor? — Digo, confuso.
— Depois conversamos sobre isso. — Diz Rafael, enxugando as lágrimas. — Joel, esta é a doutora Maya.
— Sou o doutor Martins. — Digo, estendendo a mão.
— É um prazer finalmente conhecê-lo. — Diz Maya, apertando minha mão.
Ariel chega logo em seguida, e pouco depois o pai de Wei entra às pressas.
— Como está o meu filho? — Grita ele, desesperado.
— Ele está na sala de cirurgia. — Digo, com a voz trêmula.
— Eu não quero perder o meu filho. — Diz o pai de Wei, à beira do desespero.
— Não foi o senhor que tinha cortado relações com o próprio filho? — Questiona Rafael, incrédulo.
— Isso foi culpa sua! Você fez a gente brigar! — Retruca o pai, exaltado.
— Já chega, vocês dois! — Intervém Maya, com firmeza. — Neste momento, o que importa é a saúde do Luiz.
— Você tem razão. — Diz o pai de Wei, respirando fundo.
De repente, um médico se aproxima.
— Como está o meu filho, doutor? — Pergunta o pai, aflito.
— Ele perdeu muito sangue e precisa de uma transfusão urgente, mas não temos o tipo sanguíneo dele disponível aqui. — Explica o médico.
— Infelizmente, eu não posso doar. Ele tem o mesmo tipo de sangue da mãe. — Diz o pai, desesperado. — Vou ligar para a mãe dele agora mesmo.
— Mas a sua esposa não está na China? — Pergunta Maya, aflita.
— Vou mandar preparar o jato particular agora. — Responde o pai, decidido.
— Desculpe interromper, mas o paciente precisa de sangue imediatamente. — Diz o médico, visivelmente preocupado. — Ele não vai resistir até amanhã.
— Joel, seu sangue é universal, não é? — diz Rafael, desesperado. — Você já comentou isso antes...
— Sim... — digo com a voz trêmula. Doar sangue. Agulha. A ideia do metal atravessando minha pele faz meu estômago revirar. Meu corpo começa a tremer sem controle.
As lembranças vêm como um soco: eu pequeno, em uma cama de hospital. O câncer. As sessões intermináveis de quimioterapia.
— Joel, por favor, salve meu filho — diz o pai do Wei, desesperado.
— Eu não posso... eu não consigo... — digo, chorando.
— Eu sei que você tem medo de agulhas, mas, por favor, salve o Luiz — implora Rafael, em desespero.
— Não! Eu não quero ser furado outra vez! — grito, entrando em pânico, enquanto tampo os ouvidos com força, como se pudesse silenciar tudo. — Eu não aguento mais isso!
— Amor, se acalma... vai ficar tudo bem — diz Ariel, tocando meu rosto.
— Por favor, salva ele... — dizem Rafael, Maya e o pai do Wei, quase em coro, todos desesperados.
— Não pressionem ele! — Ariel grita, me puxando para perto. — Vocês só estão deixando ele mais nervoso!
— Mas se ele não fizer isso... meu filho pode morrer! — o pai do Wei chora em desespero.
— Vem, amor — diz Ariel, me puxando.
— Mas...
— A gente já volta. O Joel precisa se acalmar primeiro — diz Ariel, cortando o pai do Wei.
Ariel me leva até a recepção. A gente se senta. Minhas mãos tremem tanto que mal consigo mantê-las sobre o colo.
— Eu preciso salvar o meu amigo... — digo, em meio ao choro. — Mas só de pensar em agulhas, meu corpo entra em colapso. Eu não consigo respirar...
— Vai ficar tudo bem — diz Ariel, me abraçando. Ele faz carinho no meu cabelo, é isso começa a me acalmar aos poucos.
Se eu não enfrentar esse medo agora... alguém vai morrer por minha causa!
Thoughts
-
PermalinkO anel rolando pra debaixo da pia bem na hora, e eu caí igual o Joel, achei que era pedido mesmo. Boné nenhum me engana mais.
Publicações relacionadas
-
Teoria nº 33: Solução Final
Sexta-feira, 08 de maio de 2026
-
TEORIA DO IMPACTO EMOCIONAL REPENTINO
TEORIA DO IMPACTO EMOCIONAL REPENTINO
-
Epílogo
Domingo, 15 de agosto de 2027
-
Contrato de Domínio
Segunda-feira, 05 de janeiro de 2026
-
Contrato de colisão
Domingo, 04 de janeiro de 2026
-
SUPERION E OS GUERREIROS DA LUZ
SUPERION E OS GUERREIROS DA LUZ
-
📖 O HOMEM QUE SEGURAVA A PRÓPRIA PENA
PRÓLOGO: As Linhas que Não Escrevi
-
Meu décimo terceiro dia de terror
Terça-feira, 23/01/2024
Sexta-feira, 08 de maio de 2026