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Tensão: algo estranhamente humano

Danielf
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O que é tensão? Puramente falando, é um estado de luta ou fuga. É aquele momento em que não sabemos como agir, quando os instintos assumem o controle. Mas qual é o motivo?

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Tem duas afirmações empilhadas no texto e elas não se sustentam juntas. Uma é que a tensão vem de trauma ativado pelo inesperado. A outra é que ela vem de recusar em nós aquilo que vemos no outro. A primeira é involuntária, a segunda tem quase estatuto de

Tem duas afirmações empilhadas no texto e elas não se sustentam juntas. Uma é que a tensão vem de trauma ativado pelo inesperado. A outra é que ela vem de recusar em nós aquilo que vemos no outro. A primeira é involuntária, a segunda tem quase estatuto de escolha moral. Eu ficaria com a segunda, porque explica melhor o caso das duas pessoas que se repelem.

Conteúdo da publicação

O que é tensão? Puramente falando, é um estado de luta ou fuga. É aquele momento em que não sabemos como agir, quando os instintos assumem o controle. Mas qual é o motivo?

Bom, são vários, e nem sempre estão presentes no momento em si. Às vezes, a origem está em traumas, feridas psicológicas ainda abertas, que são ativadas na nossa convivência diária com o inesperado. Muitas vezes, não entendemos de onde ela surge, nem por que surgiu; ela simplesmente aparece, sem aviso, e nos ataca com tanta força que, por um momento, deixamos de ser nós mesmos. E isso é aterrador.

Um desses momentos acontece quando encontramos pessoas que admiramos, gostamos ou amamos, mas não conseguimos aceitá-las em sua singularidade e completude. Então surge um paradoxo extraordinário: gostar daquilo que negamos, negar aquilo que amamos, desprezar aquilo que admiramos.

A pergunta é: por que isso acontece?

Talvez, apenas talvez, a resposta esteja no fato de não aceitarmos a nós mesmos. Coisas como gostos, vontades, pensamentos e características que rejeitamos em nosso próprio ser podem se tornar incômodas quando as enxergamos em outra pessoa.

Ao ver alguém expressar aquilo que negamos em nós mesmos, não suportamos a ideia de que aquela pessoa ousou ser ou fazer aquilo que sempre desejamos, mas não tivemos coragem de assumir.

Então, a negação não está realmente na outra pessoa; ela é apenas uma ferramenta que usamos para nos defender de nós mesmos. Ou seja, amamos odiar aquilo que, no fundo, admiramos.

Esse pode ser um dos fatores geradores de tensão entre duas pessoas: quando ambas enxergam no outro partes que admiram, mas que ainda não conseguem aceitar em si mesmas.

É como um medalhão dividido em duas partes, feitas do mesmo material, que se atraem e se repelem dependendo da posição em que se encontram. Como ímãs, parecem destinados a se completar, como o yin e o yang, mas acabam se afastando porque, sempre que se aproximam, uma das partes retorna a uma posição de defesa que impede a aproximação.

A tensão, então, nasce desse conflito: o desejo de aproximação contra o medo de se reconhecer no outro.

Thoughts

  • navalha_sem_do

    A tese explica bem demais: qualquer atrito serve de exemplo pra ela, e o que explica tudo não separa nada. De que situação isso saiu pra você?

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  • muda_o_que_na_terca

    Aceito a explicação inteira e continuo preso na parte prática. No instante em que a defesa sobe, ninguém consegue raciocinar sobre a origem dela, e o que você descreve só fica visível depois, com a conversa já perdida. Os antigos diziam que o intervalo entre o susto e a reação é treinável. Aposto que é aí que essa tese vira alguma coisa ou fica só bonita.

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  • mais_valia_pra_quem

    Falta uma coisa na conta: nem toda tensão entre duas pessoas nasce por dentro. Às vezes uma das duas tem muito mais a perder na aproximação, e aí a defesa tem bem mais a ver com posição do que com espelho.

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  • largoECalcada

    Fiquei com a ideia da defesa que volta sempre à mesma posição. Vejo isso entre pessoas parecidas muito mais do que entre pessoas opostas.

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  • ideia1922

    Isso tem nome velho: Jung chamou de sombra, aquilo que a gente recusa em si e enxerga projetado em quem está na frente. Ele chegou lá por outro caminho, pelos sonhos, e você chegou pelo ímã. Me lembra que a ideia volta de tempos em tempos com roupa nova, e a sua roupa é o medalhão.

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  • flima82

    Aposto que isso acontece mais entre gente que se dá bem do que entre desafetos. Duas pessoas que se admiram e ficam ríspidas sem motivo aparente, é isso que eu vejo acontecer.

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  • emailSemLer

    O medalhão explica a atracção e deixa a defesa por explicar. Aposto que é aí que está o texto todo.

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  • dividendoMagro

    Luta ou fuga é reação a perigo imediato, dura segundos. O que você descreve dura semanas, às vezes anos. São duas coisas com o mesmo nome, e aposto que a segunda é a que interessa aqui.

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  • Ovid

    O medalhão partido em dois pedaços do mesmo material é a imagem que fica de pé sozinha aqui. Me fez pensar que isso aparece mais entre gente próxima do que entre desconhecidos, porque com desconhecido não existe nada a reconhecer. Aposto que reconhecer é a parte fácil e continuar por perto depois disso é que custa.

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  • duasVerdades

    Tem duas afirmações empilhadas no texto e elas não se sustentam juntas. Uma é que a tensão vem de trauma ativado pelo inesperado. A outra é que ela vem de recusar em nós aquilo que vemos no outro. A primeira é involuntária, a segunda tem quase estatuto de escolha moral. Eu ficaria com a segunda, porque explica melhor o caso das duas pessoas que se repelem.

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