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CAPÍTULO 08: A Espera no Carro

BELADIA
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livro (Querida, Sorria!)

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livro (Querida, Sorria!)

Já eram nove horas da manhã quando Vivi estacionou o seu carro, um Palio de quatro portas na cor cinza. As portas laterais apresentavam amassados recentes e antigos, e a porta traseira tinha um estrago tão grande que quase impossibilitava seu fechamento. O veículo estava sujo, ostentando uma grossa camada de lama nas laterais.

De longe, Vivi observou a cena pelo para-brisa: a porta da garagem do bangalô estava escancarada, e a dona da casa chutava furiosamente a porta da casa. Havia diversos objetos espalhados pelo quintal — roupas, pequenos móveis e cacos irreconhecíveis. Vivi suspirou, pensativa.

O neto, que até então estava quieto no banco de trás, pulou para o vão entre os bancos da frente e indagou:

— O que ela está fazendo, vovó?

— Hum... — Vivi avaliou a situação. — Ela está surtando.

— O que quer dizer essa palavra, "surtando"?

— É quando a gente deixa sair algo que estava guardado há muito tempo. Igual a você, quando fica com muita raiva, chora e grita. É uma frustração acumulada que precisa sair.

— Ah, é só birra. Pensei que só criança fazia birra — concluiu o menino, com a voz calma, enquanto assistia à mulher esbravejar ao vento.

— É, meu filho... adulto também faz birra — respondeu Vivi. Com um clique seco, ela trancou as portas do carro por dentro. Melhor esperar dentro do carro.