O que é tensão? Puramente falando, é um estado de luta ou fuga. É aquele momento em que não sabemos como agir, quando os instintos assumem o controle. Mas qual é o motivo?
Bom, são vários, e nem sempre estão presentes no momento em si. Às vezes, a origem está em traumas, feridas psicológicas ainda abertas, que são ativadas na nossa convivência diária com o inesperado. Muitas vezes, não entendemos de onde ela surge, nem por que surgiu; ela simplesmente aparece, sem aviso, e nos ataca com tanta força que, por um momento, deixamos de ser nós mesmos. E isso é aterrador.
Um desses momentos acontece quando encontramos pessoas que admiramos, gostamos ou amamos, mas não conseguimos aceitá-las em sua singularidade e completude. Então surge um paradoxo extraordinário: gostar daquilo que negamos, negar aquilo que amamos, desprezar aquilo que admiramos.
A pergunta é: por que isso acontece?
Talvez, apenas talvez, a resposta esteja no fato de não aceitarmos a nós mesmos. Coisas como gostos, vontades, pensamentos e características que rejeitamos em nosso próprio ser podem se tornar incômodas quando as enxergamos em outra pessoa.
Ao ver alguém expressar aquilo que negamos em nós mesmos, não suportamos a ideia de que aquela pessoa ousou ser ou fazer aquilo que sempre desejamos, mas não tivemos coragem de assumir.
Então, a negação não está realmente na outra pessoa; ela é apenas uma ferramenta que usamos para nos defender de nós mesmos. Ou seja, amamos odiar aquilo que, no fundo, admiramos.
Esse pode ser um dos fatores geradores de tensão entre duas pessoas: quando ambas enxergam no outro partes que admiram, mas que ainda não conseguem aceitar em si mesmas.
É como um medalhão dividido em duas partes, feitas do mesmo material, que se atraem e se repelem dependendo da posição em que se encontram. Como ímãs, parecem destinados a se completar, como o yin e o yang, mas acabam se afastando porque, sempre que se aproximam, uma das partes retorna a uma posição de defesa que impede a aproximação.
A tensão, então, nasce desse conflito: o desejo de aproximação contra o medo de se reconhecer no outro.