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Tem cobrança, mas cadê a orientação?

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Tem uma coisa que virou rotina no trabalho brasileiro e quase ninguém tratou como assunto sério: as empresas onde já houve papo aberto sobre o uso da IA, passaram a esperar que todo mundo use, mas…

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horaExtraSempre

Tem um detalhe de dinheiro nisso que passa batido. Curso pago pelo próprio funcionário, estudado fora do expediente, e o ganho de produtividade entra inteiro no faturamento da empresa. Já vi chamarem esse arranjo de investimento na carreira, em slide, num

Tem um detalhe de dinheiro nisso que passa batido. Curso pago pelo próprio funcionário, estudado fora do expediente, e o ganho de produtividade entra inteiro no faturamento da empresa. Já vi chamarem esse arranjo de investimento na carreira, em slide, numa reunião de resultado.

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Tem uma coisa que virou rotina no trabalho brasileiro e quase ninguém tratou como assunto sério: as empresas onde já houve papo aberto sobre o uso da IA, passaram a esperar que todo mundo use, mas seguiram sem ensinar absolutamente nada sobre ela. A cobrança chegou primeiro.

As empresas passaram a cobrar produtividade com inteligência artificial, mas só 26,5% dos profissionais que usam IA no trabalho receberam treinamento. O resto se vira sozinho, e depois vira estatística de risco de segurança.


Uma pesquisa da Serasa Experian divulgada hoje (segunda, 31 de agosto) mostra o tamanho disso: entre os profissionais que já usam IA no trabalho, só 26,5% receberam treinamento. Um em cada quatro. Todo o resto está se virando sozinho, aprendendo por tentativa, copiando o que viu num vídeo, perguntando pro colega do lado que também não sabe. Pense no que isso significa no dia a dia. Alguém abre uma ferramenta que nunca ninguém explicou, com um prazo apertado, e tenta descobrir na marra o que pode e o que não pode colocar ali dentro. Sem regra, sem exemplo, sem alguém pra perguntar. E ainda assim entrega. E ainda assim é cobrado no mês seguinte por entregar mais rápido.

Não surpreende, então, o que a KnowBe4 encontrou em agosto: 40% dos profissionais brasileiros usam as próprias ferramentas de IA no trabalho. Aparece na imprensa com nome de filme de espionagem, shadow AI, IA das sombras. Mas o que existe por trás desse nome é gente tentando dar conta da própria função com o que conseguiu encontrar sozinha. Ninguém baixa um aplicativo escondido por rebeldia. Baixa porque a alternativa é não entregar.

E tem um número na mesma pesquisa que resume tudo: 62% dos funcionários brasileiros admitem que a falta de tempo, a sobrecarga e as distrações do dia levam a erros de segurança, mesmo quando conhecem os protocolos. Leia de novo essa parte final. Mesmo conhecendo. A pessoa sabe a regra. Ela só não tem folga nenhuma pra cumprir a regra.

Aqui a conversa muda de lugar. Enquanto o assunto for tratado como descuido individual, a empresa continua procurando culpado numa mesa qualquer do escritório. Só que ninguém erra sozinho num ambiente que combina cobrança alta, prazo curto e instrução zero. Isso é condição de trabalho.

Escrevi no último texto sobre quem usa IA todo dia e não conta pra ninguém. Naquela hora o preço do silêncio era pessoal: a pessoa perdia o crédito pelo próprio trabalho. Aqui o preço é da empresa inteira, que descobre tarde demais por onde a informação dela andou passando. É o mesmo vazio cobrando em duas moedas diferentes.

O que me espanta é que ainda tem organização tratando isso como fase, como onda que passa, como coisa que dá pra resolver com um comunicado interno pedindo cuidado. Gente, não vai voltar atrás. A ferramenta já está na mão de todo mundo, dentro e fora do expediente, e a única escolha qu restou às empresas é entre ensinar a usar ou fingir que ninguém está usando.

Cobrar produtividade de IA sem oferecer treinamento é exigir resultado de uma linguagem que a empresa nunca se dispôs a ensinar. Quantos anos mais vão levar pra entender que treinar não é gasto, é a única forma de saber o que está acontecendo dentro da própria casa?

Thoughts

  • plantaoDeNoite

    A conta disso costuma chegar como incidente. Domingo de madrugada, dado de cliente onde não devia estar, e de repente vira projeto prioritário em quarenta e oito horas.

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  • legacy2016

    Na prática aparece sempre a mesma figura: o colega que descobriu sozinho vira o professor não remunerado do setor inteiro. Funciona até ele sair, e aí a empresa descobre que o treinamento dela era uma pessoa.

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  • horaExtraSempre

    Tem um detalhe de dinheiro nisso que passa batido. Curso pago pelo próprio funcionário, estudado fora do expediente, e o ganho de produtividade entra inteiro no faturamento da empresa. Já vi chamarem esse arranjo de investimento na carreira, em slide, numa reunião de resultado.

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  • Ovid

    Obrigado por trazer esses números, não conhecia essa pesquisa da Serasa! Vi que você citou o texto anterior, vai postar a continuação?

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  • rmoreira89

    Treinar e orientar aparecem como sinônimo no texto e na prática são coisas diferentes. Ensinar a ferramenta leva uma tarde. Definir qual dado pode sair da empresa leva meses e depende de alguém que assine embaixo.

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  • MauricioDelfino

    Eu vi isso com a internet no escritório lá por 2001. Liberaram o acesso, mandaram pesquisar, e o primeiro treinamento veio depois que alguém baixou um executável numa máquina de faturamento. Você tem razão quando diz que não volta atrás: aquilo também não voltou.

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  • cveiga43

    Convém olhar o denominador. Os 26,5% são entre quem já usa, e quem ainda nem começou fica de fora da conta, portanto a fatia real é menor.

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  • chamadoReaberto

    Esse ciclo já rodou aqui com a nuvem. Primeiro veio a cobrança de migrar, depois veio a fatura, e o treinamento chegou no terceiro ano. Eu guardo o e-mail até hoje. Esse seu shadow AI é a mesma coisa com nome novo: gente resolvendo com o que achou, porque a alternativa era não entregar.

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  • thiago_backend

    Treinamento resolve metade do problema. A outra metade é que ninguém nunca escreveu o que pode e o que não pode ser colado dentro da ferramenta, e isso é decisão de política interna, nenhum curso substitui. Sem essa linha, o funcionário treinado vai colar o contrato do cliente lá dentro com mais confiança ainda.

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