O ator do último ato olha pra plateia e pergunta se valeu a pena, e o que vem logo depois é nostalgia e aceitação, sem drama nenhum. Eu li a rosa no final como a resposta que ele não chegou a dar: depois do pó, alguém ainda deixa uma flor na beira do palco. Deve ser o jeito mais calmo de fechar uma cortina.
Finitude
Pensamento
O ator do último ato olha pra plateia e pergunta se valeu a pena, e o que vem logo depois é nostalgia e aceitação, sem drama nenhum. Eu li a rosa no final como a resposta que ele não chegou a dar: depois do pó, alguém ainda deixa uma flor na beira do palc
Conteúdo da publicação
As cortinas se abrem
Fecundação.
As luzes
brilhantes
se acendem.
O espetáculo chamado
vida irá começar
Atos
Nascimento.
Primeiro choro. Primeiro respiro
Fora do útero. Estranhamento.
Vulnerabilidade. Medo
Colo. Acalento.
Infância.
Vivida devagar
Amor, alegria e raiva
duram o tempo do momento presente
O espetáculo continua
como uma grande brincadeira.
Adolescência
Insegurança. Autocrítica
Solidão Incompreendida
Desejo de Independência
Onipotência
Limites testados extenuantemente
Ao desafiar o roteiro
Tenta encontrar o próprio enredo.
As luzes do teatro piscam...
Adulto
Assume o papel principal
Tenta ser merecedor
do papel que lhe foi imposto.
Contas. Boletos. Carreira. Filhos.
Sua sombra
O medo persistente do roteiro falhar
A linha do tempo corre
rápida sem esperar.
Idoso
O ritmo desacelera
As luzes estão mais suaves
O ator olha para a plateia
para a história que construiu
Por um momento se esquece dos passos
E se indaga:
Valeu a pena?
Nostalgia. Aceitação.
A primavera se desbotou.
Morte
O último respiro
O contato com o desconhecido
O silêncio se impõe.
As luzes se apagam
Fecham-se as cortinas.
A luta cessa
As dores físicas calam-se
Entrega. Quietude.
O "eu" se despede do papel que interpretou.
Pó.
Transformação
Matéria
🌹
Thoughts
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PermalinkA fase adulta é a única em que o ator recebe um papel imposto. Na infância ele brinca, na adolescência desafia o roteiro, e quando enfim pega o papel principal passa o tempo com medo de errar a fala.
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PermalinkO ator do último ato olha pra plateia e pergunta se valeu a pena, e o que vem logo depois é nostalgia e aceitação, sem drama nenhum. Eu li a rosa no final como a resposta que ele não chegou a dar: depois do pó, alguém ainda deixa uma flor na beira do palco. Deve ser o jeito mais calmo de fechar uma cortina.
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PermalinkExcelente. A Primavera desbotada, é derradeira, a simplicidade com as luzes baixas... Excelente!
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PermalinkSensacional! Adorei o estilo concreto adotado e tmb gostei muito do estilo teatral do texto! Sua ação de sintetizar as fases da vida realizam-se de maneira direta, simples, porém profunda. Se de algo vale minha fala, acho que poderia ser trabalhado algumas rimas, vi muito potencial no seu texto! Parabéns
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