Verifico se a porta está trancada mais uma vez. Estava. Mesmo assim não me sentia segura naquela casa.
Deito-me na cama, mas, assim que fecho meus olhos, ouço um ruído. Levanto com rapidez, correndo até a porta da frente e checando a fechadura novamente. Trancada.
Antes de voltar para o quarto, pego um facão na cozinha e deixo na mesa de cabeceira. Uma decisão burra, provavelmente, já que, se ele quiser me atacar, terá facilidade. Porém, essa é a única maneira que vejo em que posso tentar me proteger de alguma forma.
Ouço outro ruído, mais outro e mais outro. Pareciam passos. Levanto-me novamente e seguro o cabo do facão, dessa vez ouvindo um barulho de alguém batendo à porta. Mantenho-me calada e encolhida até que a pessoa vá embora. Escuto o barulho de uma porta abrir; era alguém no vizinho.
Mais uma vez tento dormir, mas os pensamentos sobre poder ser morta por ele a qualquer momento não me permitiam. Pela quarta vez na noite, vou até a porta checar se estava bem trancada.
Quando finalmente consegui dormir, já era de manhã e eu precisava ir para o trabalho.