Fechei o livro onde verti meu pranto,
Guardei a tinta e suspendi a pena;
Morreu no peito a dolorosa cena
De procurar em versos o teu encanto.
O quarto escuro já não veste o manto
Daquela espera estéril e serena;
A porta aberta rompe a nossa algema
E o mundo real substitui o espanto.
Não canto mais a dor de te perder,
Nem busco a musa que a caneta pedia,
Pois o papel cedeu à tua memória...
Visto o meu fato para te ver nascer,
E deixo a folha branca, fria e vazia,
Pois o que era verso, virou história.