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Nos Encontramos no Escuro

Sathariel

Conteúdo da publicação

Pretendo colocar aqui o retrato, em byte e bit, de uma mulher de carne e osso. Mas enfrento um problema sério: não consigo começar sequer uma história, quem dirá descrever essa moça.

Ela é como um fantasma de moscas pairando no silêncio incômodo da briga, da perda, da vergonha e da culpa. Tem um olhar negro que prende e assusta, como o de alguém que sabe mais do que deveria, mas prefere manter guardado o que pensa.

Joguei cartas com ela anteontem, bebemos no meu bar favorito e transamos ao som da chuva fraca. Depois do jantar, deixei meu olhar se perder nela, dos cabelos ondulados aos dedos magros. Eu queria conversar, mas ela queria outra coisa.

Dava para perceber, mas fingi não notar. Essa noite, não.

Essa noite seríamos nós dois.

Não percebi que ela me olhava de volta. Quis me encobrir na hora, esconder qualquer vestígio que denunciasse a mistura de medo e admiração que eu sentia. Minha companheira não pareceu se incomodar; manteve os olhos fixos em mim.

Uma mosca dançava sob meu dedo. Seu trabalho estava começando, e eu, cedendo.

Thoughts

  • kiko79

    Essas moscas em volta dela o texto todo me deixaram com a pulga atrás da orelha. Meu palpite é que ela nem é bem uma mulher, e o trabalho que começa no fim é o dela com ele.

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  • Ovid

    A mosca dançando sob o dedo dele no último parágrafo deixa a história num ponto em que tudo pode virar terror ou romance. Isso vai depender de quem ela é de verdade, e eu fico torcendo pra que o narrador continue sem saber por mais um tempo, porque é esse medo misturado com admiração que me prendeu até o fim.

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Pretendo colocar aqui o retrato, em byte e bit, de uma mulher de carne e osso. Mas enfrento um problema sério: não consigo começar sequer uma história, quem dirá descrever essa moça.

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