Eu sei exatamente onde isso termina,
conheço o gosto amargo do depois,
mas existe uma voz dentro de mim
que sempre sussurra: só mais uma vez.
E eu acredito.
Como se as promessas que fiz ontem
não tivessem sido minhas também,
como se eu pudesse sair ilesa
de algo que me conhece tão bem.
O pior é que não preciso de muito,
às vezes, basta um pensamento,
e tudo aquilo que enterrei com esforço
volta a respirar aqui dentro.
Eu tento fugir de mim mesma,
mas meus passos me levam ao mesmo lugar.
É como abraçar uma chama
sabendo que ela vai me queimar.
E ninguém vê.
Ninguém vê a guerra nos meus intervalos,
as desculpas que invento para continuar,
nem quantas vezes digo que estou no controle
só para não admitir que quero voltar.
Talvez amanhã eu consiga,
talvez amanhã eu saiba dizer não…
Mas esta noite, sou eu contra a vontade, e então a olho e digo, porque quer que eu caia novamente? Não foi suficiente acabar comigo? Agora que aprendi a viver sem você, porque quer ressusitar se antes você morreu?
A chama tinha se apagado, mas ainda restou brasas.
Quero tentar resistir a vontade de te fazer arder de novo