Isso tem cheiro de ex mandando oi do nada depois de meses. Essas desculpas pra continuar respondendo a gente conhece de longe.
Só mais uma vez
Pensamento
Isso tem cheiro de ex mandando oi do nada depois de meses. Essas desculpas pra continuar respondendo a gente conhece de longe.
Conteúdo da publicação
Eu sei exatamente onde isso termina,
conheço o gosto amargo do depois,
mas existe uma voz dentro de mim
que sempre sussurra: só mais uma vez.
E eu acredito.
Como se as promessas que fiz ontem
não tivessem sido minhas também,
como se eu pudesse sair ilesa
de algo que me conhece tão bem.
O pior é que não preciso de muito,
às vezes, basta um pensamento,
e tudo aquilo que enterrei com esforço
volta a respirar aqui dentro.
Eu tento fugir de mim mesma,
mas meus passos me levam ao mesmo lugar.
É como abraçar uma chama
sabendo que ela vai me queimar.
E ninguém vê.
Ninguém vê a guerra nos meus intervalos,
as desculpas que invento para continuar,
nem quantas vezes digo que estou no controle
só para não admitir que quero voltar.
Talvez amanhã eu consiga,
talvez amanhã eu saiba dizer não…
Mas esta noite, sou eu contra a vontade, e então a olho e digo, porque quer que eu caia novamente? Não foi suficiente acabar comigo? Agora que aprendi a viver sem você, porque quer ressusitar se antes você morreu?
A chama tinha se apagado, mas ainda restou brasas.
Quero tentar resistir a vontade de te fazer arder de novo
Thoughts
-
PermalinkA virada no fim muda tudo: o texto passa o tempo todo falando da vontade e de repente fala com ela, como quem pergunta a um morto por que voltou. E as brasas ficaram comigo, porque chama apagada não quer dizer que não sobrou nada. Gostei de terminar na tentativa, sem fingir que a noite já está decidida.
-
PermalinkIsso tem cheiro de ex mandando oi do nada depois de meses. Essas desculpas pra continuar respondendo a gente conhece de longe.
-
PermalinkA chama do meio volta no final já como brasa, como se o fogo tivesse mudado de forma sem sair do lugar. Deve ser por isso que o título pesa tanto: quem diz só mais uma vez já sabe que não vai ser a última. Obrigado por postar isso, Gigica!
-
PermalinkO poema muda de figura quando ela para de falar sozinha e passa a falar com a vontade, perguntando por que quer que ela caia de novo. Gostei muito dessa troca.
Até ali era uma voz lá dentro, depois vira alguém sentado na frente. Li como se dar um rosto pra coisa já fosse metade da resistência, mesmo com as brasas ainda acesas.
Publicações relacionadas
-
De mim para um antigo eu
Quando te vejo no espelho vejo o quão diferente é
-
Vive, sobrevive e compreende melhor a vida aqueles que já sentiram
Vive, sobrevive e compreende melhor a vida aqueles que já sentiram o sopro da morte, conseguindo fazer o vento lutar contra o tempo.
-
Em estilhaços
Eu estava na minha era de ouro
-
"O Não "
: "O Não" – Autora & Educadora Rosana Figueira
-
Acorrentado
A mente trava e repete, repete e repete. O medo é o comando e o olhar é o gatilho. A multidão se dispersa, mas o perigo persiste. O perigo que é sentido e não provado, o que retrai e continua calado.
-
Constrangimento?
— Ela está te chamando.
-
Por que deveria?
Durante toda a vida, ouvi sobre paixão.
-
FOTOMEMORIOGRAFIA
Tudo parece uma memória de distantes dias em que o prazer pela, ar infunde a nossos inspiros unissonamente enquanto um balanço de galhos transfunde à paisagem da tarde numa fotografia em sépia.
Eu sei exatamente onde isso termina,