Traduzir o próprio poema te fez mudar alguma coisa que você não mexeria no original? >_<
SISO CAN | Compromisso indivisível - Poema (Trad.)
Pensamento
Traduzir o próprio poema te fez mudar alguma coisa que você não mexeria no original? >_<
Conteúdo da publicação
Não te amo com as palavras
(essas moedas gastas nos lábios do sol)
nem com os gestos ocos
que pesam nos ombros do ar.
Amo-te com o medo das raízes
de perder o tato escuro da terra,
com a certeza imperfeita dos rios
que não duvidam em entregar-se ao mar.
Sem medidas,
como o gume das estrelas cortando a noite,
como a fome
que nunca se pergunta se precisa ser saciada.
Amo-te como se ama o compromisso:
uma casa sustentada à beira do abismo,
uma fé construída de dúvidas,
uma ponte que só existe
para que seja atravessada
pelos nossos passos.
Versión original: Español.
No te amo con las palabras
(esas monedas gastadas en labios del sol)
ni con los gestos huecos
que pesan en los hombros del aire.
Te amo con el miedo de las raíces
a perdr el tacto oscuro de la tierra,
con la certeza imperfecta de los ríos
que no dudan en entregarse al mar.
Sin medidas,
como el filo de las estrellas cortando la noche,
como el hambre que nunca se pregunta
si necesita ser saciada.
Te amo como se ama el compromiso:
una casa sostenida en el borde del abismo,
una fe construida de dudas,
un puente que solo existe
para que lo atraviesen nuestros pasos.
Thoughts
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PermalinkGostei muito dos rios que se entregam ao mar sem certeza perfeita de nada. É o único tipo de certeza que eu levo a sério em alguém.
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PermalinkA ponte 🥹
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PermalinkVivo dizendo que não leio poema de amor e cá estou eu parado na fé feita de dúvida. Não conta pra ninguém.
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PermalinkDeve ser estranho traduzir o próprio poema, porque ninguém vai reclamar se mudar tudo. Pelo que comparei, mexeu quase nada.
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PermalinkDas imagens todas, a da fome é a menos bonita e a que eu mais acreditei. Estrela cortando a noite é lindo, mas fome é o que a gente sente mesmo.
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PermalinkCasa na beira do abismo com escritura assinada. Isso sim é compromisso.
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PermalinkComeçar pelo jeito como não se ama me levou direto pro Soneto XVII do Neruda, o do te amo como se amam certas coisas obscuras, entre a sombra e a alma. Lá também tem terra escura e raiz guardando o amor. Aqui as coisas obscuras viraram compromisso, que é menos romântico e bem mais difícil de sustentar.
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PermalinkEm espanhol compromiso também é o noivado, o do anel, então no original a casa sustentada à beira do abismo soa quase como um pedido de casamento. Em português compromisso fica mais seco, mais de acordo firmado entre duas pessoas. Me faz pensar que esse poema precisa das duas línguas para dizer tudo. Obrigado por postar as duas versões juntas!
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PermalinkTraduzir o próprio poema te fez mudar alguma coisa que você não mexeria no original? >_<
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