Você se tornou silêncio,
e eu virei pergunta.
Já faz algum tempo que o seu sorriso não me visita, que seus olhos aprendem a desviar dos meus como quem teme encontrar o reflexo do que deixou de sentir.
Eu percebo.
Percebo no toque apressado, nas conversas que terminam antes de começar, na distância que consegue existir mesmo quando dividimos a mesma cama.
E a pior solidão é aquela que se sente ao lado de quem a gente ama.
Eu ainda acredito que alguns amores não acabam de uma vez.
Eles esfriam aos poucos, como um café esquecido sobre a mesa, esperando que alguém ainda tenha coragem de aquecê-lo outra vez.
Então, antes que o silêncio fale por nós...
me responda.
Se ainda existe amor, olhe bem para mim.
Não para lembrar de quem eu fui, mas para enxergar quem ainda estou tentando ser ao seu lado.
Se ainda houver nós, segure minha mão.
Não porque tem pena, nem porque a rotina mandou ficar, mas porque, no fundo, o seu coração ainda escolhe o meu.
E, se não escolher...
não me deixe viver de migalhas de esperança.
Prefiro uma verdade que me faça chorar hoje do que uma ausência que me mate aos poucos.
Porque eu ainda amo você.
Mas também sinto saudade da pessoa que você era quando fazia questão de me amar em voz alta.
E, talvez, essa seja a pergunta que mais machuca dentro de mim
Será que você ainda volta?
Não para casa.
Você nunca foi embora.
Mas volta para nós.
Volta para o começo.
Volta para o jeito que seus olhos sorriam antes mesmo da sua boca.
Porque, se ainda houver amor, eu ainda sei o caminho de volta.
Só não posso caminhar por dois.