O seu silêncio já foi perturbador para mim. Eu imaginava tantas coisas e, muitas vezes, pensava que talvez o problema fosse eu.
Mas, depois de dois anos, percebi que o silêncio sempre esteve presente entre nós. Eu insistia, tentava conversar e buscava fazer você entender o que estava acontecendo, até perceber que meus esforços não mudavam muita coisa.
Então, eu parei.
Aos poucos, o seu silêncio também se tornou o meu. E é estranho perceber como me sinto confortável desse lado, apenas observando e deixando as coisas acontecerem, sem precisar questionar ou insistir por algo que deveria ser natural.
Talvez sejam esses os “gritos de uma pessoa acomodada”: quando ela se cansa de tentar ser ouvida e aprende a ficar em silêncio.
Você conheceu uma versão minha que se importava, que tentava e que acreditava que ainda valia a pena fazer dar certo. Mas essa versão já não está mais aqui da mesma forma.
Agora, seguimos em silêncio, esperando que alguém tome uma decisão. E acredito que, mais uma vez, ela terá que partir de mim, porque você nunca pareceu disposto a enfrentar o desconforto das conversas que tanto tentei ter com você.
No fim, o que mais dói não é o seu silêncio, mas perceber que passei tanto tempo tentando ser ouvida que, agora, já não sinto a mesma vontade de falar.