Na lotação, ela sentou-se ao meu lado.
Não vi seu rosto, mas percebi sua beleza,
Meu canto do olho tem exímia destreza;
Enxerga bem sempre que requisitado.
Tinha cheiro de lápis, de teor amadeirado;
Daquelas caixas de lápis de cor e giz de cera,
De infinitas cores, expostos na prateleira;
Cheiro irreverente, com toque diferenciado.
Perfume incomum, igual nunca senti;
Por instantes transportou minha mente,
Por um lugar desconhecido e diferente;
Prazer, clareza e calmaria havia ali.
Depois de alguns pontos, desembarcou.
Novamente não vi seu rosto, mas era bela,
Seus lindos cabelos e corpo falavam por ela;
E meu canto do olho nunca se equivocou.
Deixou seu doce cheiro de lápis para trás.
Amadeirado, de enigmático parecer;
Adocicado, que jamais vou me esquecer,
Mesmo que amanhã, não me lembre mais.