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Sem Pressa

AnaPaula
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Eu nunca tive um burnout ou uma crise de pânico ou ansiedade derivadas de demandas de trabalho. Raiva já tive muita, mas nunca resultou em nada mais preocupante.

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PriscilaGomes

A escala injusta está certíssima, só a ligação causal no meio me deixa com um pé atrás. Ser antipática te protegeu no seu caso, e é um caso. Tem muita mulher de limite firme que adoeceu igual, porque o limite dela não valia nada contra a escala. Meu palpi

A escala injusta está certíssima, só a ligação causal no meio me deixa com um pé atrás. Ser antipática te protegeu no seu caso, e é um caso. Tem muita mulher de limite firme que adoeceu igual, porque o limite dela não valia nada contra a escala. Meu palpite é que a transição cara pesou mais que o temperamento.

Conteúdo da publicação

Eu nunca tive um burnout ou uma crise de pânico ou ansiedade derivadas de demandas de trabalho. Raiva já tive muita, mas nunca resultou em nada mais preocupante. 

A saúde mental das pessoas está gravemente ferida e comprometida e isso não é derivado apenas de escolhas individuais. Há nesse contexto o peso grande de trabalhos mal remunerados, com escalas injustas e desumanas, gestões que abusam de violência disfarçada, mas que no fundo exercem todo um abuso de poder. Existe a placa na parede de missão, visão, valores e esse pode ser o enfeite mais impostor da instituição.

E, desse contexto, que é adoecedor, infelizmente, só uma minoria consegue se afastar.

Esse caos já instalado na sociedade virou rotina. Dá-se até a impressão que o sofrimento no trabalho é algo moralmente bonito. Uma inversão assustadora nos bate à porta, porque uma vida relativamente tranquila e sem crises, pode ser erroneamente confundida com falta de ambição, preguiça, comodismo.

Essa narrativa me causa implicância e uma boa dose de enjoo, porque vejo como fluida, correta e normal a vida de quem está bem da cabeça, em paz e com tranquilidade. Claro, considerando os limites possíveis de estar bem dentro do mundo atual.

A rotina de estar bem de saúde mental e em paz consigo, deveria ser mais fomentada ao caos do burnout moderno.

Eu sempre entreguei profissionalismo exímio, inteligência e criatividade no mercado de trabalho. Entreguei bastante e ainda entrego, acima da média inclusive. Porém, eu também sempre recebi os títulos de arrogante, egoísta, grosseira e antipática. E eu nunca neguei e não nego.

Sou arrogante, egoísta, grosseira e antipática mesmo. Aliás, muito obrigada, porque são essas características que me mantiveram longe das doenças mentais causadas por locais de trabalho que pareciam bonitos e justos, mas no fundo só tinham a placa impostora enfeitando a parede.

São essas características que deixam a minha sanidade em total equilíbrio. Eu coloco limites para tudo na vida, porque o que é importante para a empresa, para o fulano, para ele, para ela, para o outro, pode não ser importante para mim.

E sendo assim, eu falo não, sem culpa e sem medo. Se eu ultrapassar os limites que eu mesma me imponho, eu não vou conseguir tanta dedicação e exímio como de costume.

Se eu não me delimitar, a minha saúde física e mental estará em pauta e isso é inegociável para mim.

Portanto, eu não vivo em uma correria. Em geral, não estou cercada dessa falta de tempo sufocante que assombra os dias atuais. Isso porque diariamente eu tomo decisões para que a minha rotina esteja longe desse modelo caótico.

Deixei coisas importantes para trás, fiz transições que me custaram muito dinheiro, paciência e tempo e tudo foi muito válido, porque hoje consigo tratar a minha disponibilidade com generosidade e para isso se manter, travo uma postura de comprometimento acima de tudo comigo mesma e depois, se possível com o coletivo, se possível...

Sou bem categórica e assertiva quanto a isso.

O preço que pago é não parecer suficientemente simpática e agradável. O mundo costuma odiar pessoas que colocam limites, principalmente quando somos mulheres e já nos intitulam de cuidadoras por puro patriarcado retrógrado.

Mulheres que colocam limite têm probabilidade de serem odiadas e se ainda tivessem as fogueiras, já sabem quem queimaria por lá.

Mas os tempos mudaram e, ao invés do fogo, temos escolhas. Então, continuemos com assertividade, mesmo que nos rotulem de difíceis. continuemos com frieza, mesmo que pensem que é grosseria.

Vamos seguindo, priorizando a nós, ainda que confundam com egoísmo. Vamos manter a postura imperativa, ainda que pareça arrogância.

Impor limites, dizer não e aprender a conviver com pessoas que dizem não é se afastar significativamente do colapso do cansaço, da correria, do caos e da pressa que o mundo nos impõe à força.

Descanse, enquanto eles correm sem direção.

Thoughts

  • SebastiaoOliva

    Concedo quase tudo, sobretudo a placa de valores, que conheço bem do lado de quem a pendura. Eu vejo um custo que o texto não conta: numa equipa pequena, o não sem culpa de uma pessoa costuma cair em cima do colega que não se atreve a dizê-lo. O limite é legítimo. O trabalho recusado raramente desaparece.

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  • Ovid

    Me fez pensar em quantas placas de missão e valores falam de paixão, entrega e superação, e quase nenhuma fala de sair no horário ou de dizer não. E você repetir o se possível, com reticências, depois de se colocar em primeiro lugar, diz mais sobre prioridade do que qualquer placa. Obrigado por compartilhar!

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  • PriscilaGomes

    A escala injusta está certíssima, só a ligação causal no meio me deixa com um pé atrás. Ser antipática te protegeu no seu caso, e é um caso. Tem muita mulher de limite firme que adoeceu igual, porque o limite dela não valia nada contra a escala. Meu palpite é que a transição cara pesou mais que o temperamento.

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