Verso 1
O sinal toca — começa o tribunal
Corredor vira palco do julgamento brutal
Risos voam baixo, igual pedra na mão
Cada palavra vira condenação
Ele chega quieto, tentando falar
Mão estendida só pra cumprimentar
Mas antes da frase terminar no ar
Já tem gente rindo pra humilhar
Imitam os gestos, fazem show no pátio
Chamam de estranho, viram espetáculo barato
Pra eles é piada, diversão banal
Pra quem recebe é um peso mortal
Pré-Refrão
E quem vê de longe chama de brincadeira
Mas brincadeira não deixa cicatriz inteira
Porque cada risada que ecoa no chão
Vai se enterrando fundo no coração
Refrão
Bullying não é zoeira, é ferida aberta
É risada cruel que nunca desperta
Na pública, estadual ou particular
A mesma covardia insiste em morar
Vocês apontam dedos como se fossem reis
Mas não têm coragem de sentir o que ele fez
Respeita quem luta só pra existir
Num mundo que insiste em ferir
Verso 2
Chamam de lento, de esquisito, de errado
Sem saber o mundo que vive do outro lado
Uma mente diferente, um jeito real
Que vocês esmagam por achar “anormal”
Ele aprende a ficar em silêncio total
Pra não virar piada no tribunal
Mas cada silêncio vira um trovão
Guardado gritando dentro do coração
Ponte
O problema nunca foi ser diferente
O problema é a crueldade da gente
Porque rir da dor de quem tenta viver
É mostrar o pior que alguém pode ser
Refrão Final
Bullying não é piada, é destruição
É deixar alguém perdido na multidão
Se escola ensina matemática e lição
Também devia ensinar coração
Porque um simples gesto de humanidade
Vale mais que toda essa maldade
E quem hoje vocês tentam apagar
Pode ser quem vai o mundo mudar.