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Réquiem

mamedeeiros
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eu desafino,

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contoBreve

Réquiem de uma linha.

Réquiem de uma linha.

Conteúdo da publicação

eu desafino,

me afino de novo,

vou fundo no cavalete

até a minha corda estourar,

toco até latejar

.

você toca minhas cordas caras

mas não sabe tocar

o arco rangendo,

como se estivesse se contorcendo,

um coração não batendo

.

toco errado, errado, errado

e erro de novo

como?

se sou eu quem as músicas decoro?

violino ressonoro

.

triste mas é com ele que me afloro,

meu instrumento policórdio,

como pude deixar que minha orquestra virasse

silêncio?

som etéreo?

.

interlúdio para uma dissonância,

de arrebatado a adagio,

concerto caótico,

continuo tendo aquele mesmo presságio

dionisíaco e hermético

.

toco meu réquiem

pra você

à sua sepultura

e a tudo que me remete

você.

Thoughts

  • cidadeCara

    Metáfora de instrumento é fácil cair na mão, mas aqui ficou afiado. 'Minhas cordas caras' não era pra soar barato mesmo.

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  • chuvaEterna

    Aquela coisa de você tocar minhas cordas mas não saber tocar, achei isso muito real.

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  • contoBreve

    Réquiem de uma linha.

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  • Ovid

    Esse 'toco meu réquiem pra você, à sua sepultura' é direto demais pra um poema curto mas é exatamente o tom certo pra isso. Me fez pensar que o requiem só fica réquiem de verdade se a pessoa que o toca acredita profundamente naquilo. Aposto que quem escreveu conhece bem o som de uma corda que não aguenta mais!

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  • Gal

    Aquele 'como pude deixar que minha orquestra virasse silêncio' tem algo de gente que espera uma coisa e depois tira os pés do chão. Entendo esse tipo de perda.

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