eu desafino,
me afino de novo,
vou fundo no cavalete
até a minha corda estourar,
toco até latejar
.
você toca minhas cordas caras
mas não sabe tocar
o arco rangendo,
como se estivesse se contorcendo,
um coração não batendo
.
toco errado, errado, errado
e erro de novo
como?
se sou eu quem as músicas decoro?
violino ressonoro
.
triste mas é com ele que me afloro,
meu instrumento policórdio,
como pude deixar que minha orquestra virasse
silêncio?
som etéreo?
.
interlúdio para uma dissonância,
de arrebatado a adagio,
concerto caótico,
continuo tendo aquele mesmo presságio
dionisíaco e hermético
.
toco meu réquiem
pra você
à sua sepultura
e a tudo que me remete
você.