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Reflexão do Filme "Tempo de Matar (1996)" Spoiler

Mills
Pensamento

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Ovid

Começar achando que não podia ser real, pelos finais felizes, e terminar sentindo que foi real demais diz muito sobre esse filme. Aposto que a sua pergunta, se algo mudou em 30 anos, vai render discussão boa aqui. Pra mim mudou menos do que a gente gostar

Começar achando que não podia ser real, pelos finais felizes, e terminar sentindo que foi real demais diz muito sobre esse filme. Aposto que a sua pergunta, se algo mudou em 30 anos, vai render discussão boa aqui. Pra mim mudou menos do que a gente gostaria. Que bom ter sua primeira reflexão por aqui!

Conteúdo da publicação

Pra começar, escrevi isso bem depois que acabei de ver o filme.. ainda chorando com o que foi retratado.

“Imagine ela branca"

Que frase, que discurso... e que tema abordado...

Geralmente eu fico em dúvida se os filmes são baseados em fatos reais e no final eu pesquiso sobre, pra ter certeza. Mas esse… esse eu sentia que não era, os “finais felizes” entregavam. A menina ficou viva, pra início de conversa. A Ellen foi resgatada, o cachorro não morreu, os criminosos foram presos… e principalmente, o pai da menina foi inocentado…

Então sim, foi óbvio que não poderia ser real. Mesmo assim, foi real, foi real demais. O filme é de 1996 e essa história não poderia ser mais atual. É uma história muito bem construída, sem pressa, com nossa visão de quase tudo que acontece.

Acho que um dos momentos mais marcantes, definitivamente é quando o advogado implora ao juri para perceber que a justiça é feita pelas pessoas, ele pede que elas busquem ser justas até que não seja mais necessário… até que o mundo já considere as pessoas como iguais…

"até podermos nos ver como iguais, a justiça nunca será imparcial, ela continuará sendo um reflexo dos nossos preconceitos".

Mais de 30 anos do filme, 37 anos do livro. Algo mudou? Até onde mudou?

Impressionante ver como eles, a parte acusatória, já consideravam a batalha ganha, era muito mais política do que justiça. Sempre é. Uma das estratégias era que não poderia ter pessoas negras no juri, nem foi tão difícil conseguir isso, se tinham 3 pessoas negras nas opções selecionadas já era muito.

Os discursos do filmes são geniais. Em destaque a cena da prisão, o Samuel L. Jackson jogando na cara do advogado a verdade, “eu te escolhi porque você é como eles”. Pode ser meio cruel, afinal “eles” são mais radicais, mas é mentira? Somos como eles. Somos a pessoa que precisa ser convencida de novo e de novo da inocência de alguém, da verdade de alguém, só por causa do tom de pele dela. Somos aqueles que precisam ouvir todo um discurso sobre a violência que uma garotinha de 10 anos passou, enquanto gritava e implorava para ser salva pelo pai, e no final só se compadecer quando imaginamos essa garota sendo branca.

Uma hipótese, um “e se” tendo mais impacto do que a realidade. A realidade que se repete constantemente.

Eu chorei muito nesse discurso, chorei tudo que eu tava segurando desde que ouvi o que aqueles caras falaram da menina assim que a viram. Chorei tudo que senti desde que ouvi os gritos dela, desde que o pai dela falou no tribunal que ela implorou pra ele salvar ela.

Um ponto muito discutido nesse filme é como os grupos, como a Klan, acreditam tanto nessa superioridade branca. A arrogância, a forma como deturpam pensamentos e figuras. Como que, mesmo geralmente já vencendo, ainda tem a coragem de dizer que “o mundo é dos negros”.

É um filme bem construído, mostra o motivo, o acontecimento (sem fetichizar o sofrimento) e as consequências. Tem duas horas de duração, um tempo bem gasto para contar essa história.

#filme #resenhadefilme

Thoughts

  • Antonio_Goncalves

    Esse filme é muito bom, mas entra mais na ideia de justiça poética, pq sabemos q, numa situação real, ele teria sido linchado antes de ser julgado.

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  • razaoefe

    Discordo de colocar todo mundo no mesmo nós. O Carl Lee acusa o Jake de pensar igual aos brancos do júri, e o filme dá razão a ele naquela cena, mas o próprio Jake muda no meio do caminho. Na real, a história só se sustenta porque alguém consegue sair desse lugar.

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  • PedroSalles

    A escolha do júri é a parte que mais me pesa no filme, que você conta quase de passagem. Aqui no Brasil o júri popular só julga crime doloso contra a vida, e mesmo assim o sorteio sai com a cara da comarca. Faz dezenove anos que eu entro em audiência e ainda reparo em quem senta naquelas cadeiras antes de ouvir uma palavra da acusação.

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  • Ovid

    Começar achando que não podia ser real, pelos finais felizes, e terminar sentindo que foi real demais diz muito sobre esse filme. Aposto que a sua pergunta, se algo mudou em 30 anos, vai render discussão boa aqui. Pra mim mudou menos do que a gente gostaria. Que bom ter sua primeira reflexão por aqui!

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  • por_tras_do_veu

    O pedido final do advogado é o véu de ignorância de Rawls feito à mão: troca a menina de lugar e pede ao júri que julgue sem saber quem é quem. O que me incomoda é que só funciona porque conta com o preconceito dos jurados em vez de o desfazer. A absolvição nasce da pena por uma menina branca imaginada, e a menina real continua a precisar de um disfarce para ser ouvida.

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