Pra começar, escrevi isso bem depois que acabei de ver o filme.. ainda chorando com o que foi retratado.
“Imagine ela branca"
Que frase, que discurso... e que tema abordado...
Geralmente eu fico em dúvida se os filmes são baseados em fatos reais e no final eu pesquiso sobre, pra ter certeza. Mas esse… esse eu sentia que não era, os “finais felizes” entregavam. A menina ficou viva, pra início de conversa. A Ellen foi resgatada, o cachorro não morreu, os criminosos foram presos… e principalmente, o pai da menina foi inocentado…
Então sim, foi óbvio que não poderia ser real. Mesmo assim, foi real, foi real demais. O filme é de 1996 e essa história não poderia ser mais atual. É uma história muito bem construída, sem pressa, com nossa visão de quase tudo que acontece.
Acho que um dos momentos mais marcantes, definitivamente é quando o advogado implora ao juri para perceber que a justiça é feita pelas pessoas, ele pede que elas busquem ser justas até que não seja mais necessário… até que o mundo já considere as pessoas como iguais…
"até podermos nos ver como iguais, a justiça nunca será imparcial, ela continuará sendo um reflexo dos nossos preconceitos".
Mais de 30 anos do filme, 37 anos do livro. Algo mudou? Até onde mudou?
Impressionante ver como eles, a parte acusatória, já consideravam a batalha ganha, era muito mais política do que justiça. Sempre é. Uma das estratégias era que não poderia ter pessoas negras no juri, nem foi tão difícil conseguir isso, se tinham 3 pessoas negras nas opções selecionadas já era muito.
Os discursos do filmes são geniais. Em destaque a cena da prisão, o Samuel L. Jackson jogando na cara do advogado a verdade, “eu te escolhi porque você é como eles”. Pode ser meio cruel, afinal “eles” são mais radicais, mas é mentira? Somos como eles. Somos a pessoa que precisa ser convencida de novo e de novo da inocência de alguém, da verdade de alguém, só por causa do tom de pele dela. Somos aqueles que precisam ouvir todo um discurso sobre a violência que uma garotinha de 10 anos passou, enquanto gritava e implorava para ser salva pelo pai, e no final só se compadecer quando imaginamos essa garota sendo branca.
Uma hipótese, um “e se” tendo mais impacto do que a realidade. A realidade que se repete constantemente.
Eu chorei muito nesse discurso, chorei tudo que eu tava segurando desde que ouvi o que aqueles caras falaram da menina assim que a viram. Chorei tudo que senti desde que ouvi os gritos dela, desde que o pai dela falou no tribunal que ela implorou pra ele salvar ela.
Um ponto muito discutido nesse filme é como os grupos, como a Klan, acreditam tanto nessa superioridade branca. A arrogância, a forma como deturpam pensamentos e figuras. Como que, mesmo geralmente já vencendo, ainda tem a coragem de dizer que “o mundo é dos negros”.
É um filme bem construído, mostra o motivo, o acontecimento (sem fetichizar o sofrimento) e as consequências. Tem duas horas de duração, um tempo bem gasto para contar essa história.