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Reconhecer me, naquilo que aponto.

Edidania
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A parte mais difícil da transformação, talvez, não seja reconhecer o que existe de errado ao nosso redor, mas admitir aquilo que ainda precisa ser transformado dentro de nós.

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salmo23

A lista das desculpas que a gente dá pra si mesmo me pegou. A do controle com nome de cuidado é a minha, sem dúvida nenhuma.

A lista das desculpas que a gente dá pra si mesmo me pegou. A do controle com nome de cuidado é a minha, sem dúvida nenhuma.

Conteúdo da publicação

A parte mais difícil da transformação, talvez, não seja reconhecer o que existe de errado ao nosso redor, mas admitir aquilo que ainda precisa ser transformado dentro de nós.

Somos muito hábeis em perceber as contradições alheias. Identificamos a hipocrisia, questionamos discursos, enxergamos a incoerência entre aquilo que alguém diz acreditar e aquilo que pratica.

E, muitas vezes, temos razão.

Mas existe uma pergunta que a consciência madura não consegue evitar para sempre:

E eu?

Porque há uma diferença entre enxergar a verdade e permitir que ela nos enxergue.

Podemos conhecer conceitos, defender princípios, falar sobre justiça, amor, fé, humildade e verdade, e ainda assim carregar dentro de nós pequenas regiões onde o ego continua sentado no trono.

O ser humano possui uma capacidade extraordinária de justificar a si mesmo.

Quando erramos, encontramos circunstâncias.

Quando ferimos, encontramos motivos.

Quando somos injustos, encontramos explicações.

Quando agimos movidos pela vaidade, chamamos de necessidade.

Quando queremos controlar, chamamos de zelo.

E quando o nosso orgulho é confrontado, muitas vezes chamamos de perseguição aquilo que, na verdade, era apenas um espelho.

Talvez por isso a transformação verdadeira seja tão desconfortável.

Ela não começa quando descobrimos os defeitos do mundo.

Começa quando permitimos que a verdade atravesse nossas próprias defesas.

E é nesse ponto que a espiritualidade deixa de ser apenas discurso e começa a se tornar experiência.

Porque seguir a Cristo não deveria significar apenas aprender a reconhecer o erro dos outros, mas permitir que Ele revele aquilo que ainda precisa morrer em nós.

Não é uma reforma da aparência.

É uma mudança de centro.

Enquanto o ego permanece no centro, até a fé pode ser usada para alimentar a própria imagem. Podemos falar de Deus e, silenciosamente, continuar adorando a nós mesmos.

Mas quando Cristo realmente ocupa o centro, algo começa a acontecer.

A necessidade de parecer diminui.

A necessidade de ter sempre razão perde força.

A crítica deixa de ser instrumento de superioridade.

O julgamento começa a dar lugar ao discernimento.

E a pergunta deixa de ser apenas:

“Quem está errado?”

Para se tornar:

“Senhor, o que esta situação está revelando sobre mim?”

Talvez essa seja uma das formas mais honestas de oração.

Porque Deus não precisa da nossa versão editada.

Ele já conhece o coração por trás das palavras, a intenção escondida atrás dos gestos, o pensamento que ninguém ouviu e a batalha que nem nós mesmos conseguimos explicar.

Diante dEle, não existe necessidade de construir uma personagem.

Existe apenas a possibilidade de ser transformado.

E talvez seja isso que significa nascer de novo tantas vezes ao longo da caminhada: não nos tornarmos pessoas que nunca erram, mas pessoas que já não conseguem permanecer confortáveis diante do próprio erro.

A verdade começa a trabalhar dentro de nós quando deixamos de usá-la como arma contra os outros e permitimos que ela seja lâmina sobre o nosso próprio coração.

Porque, no fim, talvez a grande obra de Deus em nós não seja nos tornar especialistas em apontar caminhos para os outros.

Talvez seja nos ensinar a caminhar.

Com menos aparência.

Menos vaidade.

Menos necessidade de reconhecimento.

E com mais verdade.

Mais consciência.

Mais entrega.

Até que aquilo que dizemos crer comece, finalmente, a se parecer com aquilo que somos quando ninguém está olhando.

Porque a verdadeira transformação não acontece quando conseguimos convencer o mundo de que mudamos.

Ela acontece quando, diante de Deus, já não precisamos fingir que somos aquilo que ainda estamos aprendendo a ser.

Edidania 🌹

Thoughts

  • gel

    Isto doeu um bocado.

    Permalink
  • culto_de_quarta

    Aposto que isso saiu depois de alguma conversa que você ganhou e ficou com gosto ruim. Texto assim costuma nascer de uma vitória que não desceu bem.

    Permalink
  • bancodetras

    Bah. Essa do espelho que a gente chama de perseguição doeu aqui.

    Permalink
  • Ovid

    Zelo como nome educado pra vontade de controlar me fez pensar em quanta coisa a gente faz em comunidade com essa desculpa, eu incluído. Aposto que muita gente vai ler essa lista e reconhecer primeiro o vizinho, e só na segunda leitura a si mesma. Obrigado por postar, Edidania!

    Permalink
  • salmo23

    A lista das desculpas que a gente dá pra si mesmo me pegou. A do controle com nome de cuidado é a minha, sem dúvida nenhuma.

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