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Procrastinação e vitimismo.

HeldonMenezes
Pública 7 conversas 15 pensamentos 36 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Romper o ciclo da procrastinação e do vitimismo exige, antes de tudo, o reconhecimento de que se é vítima do problema e que a grande virada de chave para resolver o problema não é técnica, mas sim,…

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Pensamento

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A ação vir antes da vontade é a lógica de quase todo ritual: ajoelhas primeiro e o estado de espírito vem depois, se vier. Os beneditinos chamavam a isso horário, e funcionava sem regra dos cinco minutos.

A ação vir antes da vontade é a lógica de quase todo ritual: ajoelhas primeiro e o estado de espírito vem depois, se vier. Os beneditinos chamavam a isso horário, e funcionava sem regra dos cinco minutos.

Conteúdo da publicação

Romper o ciclo da procrastinação e do vitimismo exige, antes de tudo, o reconhecimento de que se é vítima do problema e que a grande virada de chave para resolver o problema não é técnica, mas sim, emocional. Sob a pressão do medo, da ansiedade ou do cansaço, nossa mente, automaticamente clama por alívio imediato. É aí que o mecanismo de fuga entra em ação: a procrastinação adia o que deve ser feito, enquanto o vitimismo justifica a paralisia, terceirizando a culpa para a falta de tempo, o cansaço ou para outras desculpas.

Para se libertar dessas amarras emocionais e assumir o controle da própria rotina, precisam-se programar ao menos quatro mudanças pessoais profundas:

1. Assumir a Autorresponsabilidade

O vitimismo se alimenta da ideia de que somos reféns das circunstâncias. Enquanto se acredita que "não se fez porque o dia foi ruim" ou porque "as coisas são mais difíceis para você", o controle da sua vida sempre estará nas mãos do ambiente, não nas suas.

Troque a mentalidade de "isso está acontecendo comigo" para "o que eu posso fazer com o que está acontecendo?". Aceite que não pode controlar os seus sentimentos iniciais de preguiça ou desânimo, mas pode exercer controle total sobre a sua decisão de levantar e fazer o que precisa ser feito, apesar de inicialmente desanimado.

 

2. Não espere por "Inspiração" ou "Vontade"

Um dos maiores mitos do comportamento humano é crer que precisa haver motivação para começar uma tarefa. Se você esperar a vontade aparecer, a procrastinação vencerá quase sempre, porque o cérebro prefere economizar energia.

Entenda que a ação precede a motivação, e não o contrário. O humor melhora depois que se começa a produzir. Quando a barreira emocional surgir, aplica-se a "regra dos 5 minutos": comprometa-se a fazer a tarefa por apenas cinco minutos. Uma vez que o cérebro rompe a inércia do início, o desconforto emocional diminui drasticamente e fica mais fácil continuar.

 

3. Tolere o Desconforto

A procrastinação é, no fundo, uma incapacidade de lidar com emoções desconfortáveis de curto prazo (como o tédio, a frustração de não saber por onde começar ou por medo de errar). Adia-se a tarefa tão somente para não se deparar com um sentimento ruim.

Trate o desconforto como um músculo que deve ser treinado. Quando sentir o impulso de olhar o celular ou abandonar uma tarefa difícil, faça uma pausa consciente. Respire fundo, reconheça a emoção ("estou me sentindo frustrado agora") e escolha voluntariamente ficar no desconforto por mais um tempo, em vez de fugir dele. Fazer o que deve ser feito mesmo estando sem vontade é a definição real de maturidade rumo ao autocontrole.

 

4. Substitua a Autocrítica pela Autocompaixão

Chicotear-se psicologicamente ou se culpar por ter procrastinado ontem não o ajuda a produzir hoje. Pelo contrário: a culpa gera mais ansiedade, e mais ansiedade gera mais procrastinação. Esse ciclo alimenta o vitimismo com a ideia: "eu não consigo mesmo".

Perdoe-se pelos erros passados de forma realista. Reconheça que ontem você falhou, mas que o momento presente é uma nova oportunidade de escolha. Trate a si mesmo com a firmeza de um adulto responsável, mas com a gentileza de quem entende que o processo de mudança é gradual.

Nada no começo é fácil, no entanto, a sua decisão de agir é o passo mais importante para a sequência de atividades necessárias em direção a uma nova vida, novos rumos, sem procrastinar e/ou se vitimizar.

Thoughts

  • tgoncalves

    Falta a parte prática: quem paga quando a pessoa não faz. Na obra, adiar uma decisão custa dinheiro a outro, e isso mexe muito antes da autocompaixão. Já aplicaste a regra dos cinco minutos a ti próprio, e em quê?

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  • rotaAntiga

    A regra dos cinco minutos aguenta comigo até ao minuto seis 😅 O que resolve mesmo é o telemóvel ficar noutra divisão.

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  • religioes_lado_a_lado

    A ação vir antes da vontade é a lógica de quase todo ritual: ajoelhas primeiro e o estado de espírito vem depois, se vier. Os beneditinos chamavam a isso horário, e funcionava sem regra dos cinco minutos.

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  • rbatista64

    A mulher que cuida da mãe acamada e ainda faz a janta pra casa toda não está procrastinando, meu filho. A parte dela do dia é que nunca vem.

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  • por_tras_do_veu

    O texto abre a pedir que a pessoa se reconheça vítima do problema e gasta os quatro pontos a combater o vitimismo. A tensão desfaz-se com uma distinção que Epicteto já fazia: nomear a causa e recusar a responsabilidade são dois actos diferentes, e só o segundo merece esse nome. Onde discordo é na palavra emocional a carregar tudo: quem tem dois empregos adia por aritmética.

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  • Ovid

    A regra dos cinco minutos comigo funciona ao contrário: começo por cinco e paro três horas depois, porque esqueci de parar. O ponto do texto que me fez pensar mais foi o da autocompaixão, que quase nunca entra nesse tipo de lista e aqui é o que segura os outros três. Obrigado por trazer isso pra cá, Heldon!

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  • papo_reto_12

    Autorresponsabilidade funciona bonito quando tem alguém segurando a barra em casa. Pra um adolescente que falta aula porque a mãe sai às cinco e ele leva o irmão na creche, dizer que o dia foi ruim é relatório, cê entende, e a regra dos cinco minutos dele começa às onze da noite. O ponto 4 eu compro inteiro.

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  • EstiloManhaes

    Exatamente 👏🏻

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