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Perdido no tempo

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Pensamento

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rveiga27

Terminei em março e o contrato do apartamento vai até novembro, oxe, eu no quarto e ele no sofá. A gente ainda ri das mesmas coisas e comigo essa é a parte chata. Você escreveu isso depois de alguma coisa acontecer?

Terminei em março e o contrato do apartamento vai até novembro, oxe, eu no quarto e ele no sofá. A gente ainda ri das mesmas coisas e comigo essa é a parte chata. Você escreveu isso depois de alguma coisa acontecer?

Conteúdo da publicação

O que se tornou o amor?

Às vezes me pego pensando se ainda existem sentimentos verdadeiros ou se, em algum momento, nós simplesmente desaprendemos a amar. Talvez o amor ainda exista, mas tenha se tornado raro demais em um mundo que aprendeu a tratar pessoas como coisas descartáveis, sentimentos como passatempo e promessas como palavras que podem ser esquecidas assim que deixam de ser convenientes.

Vivemos em uma época em que tudo parece ter prazo de validade. As pessoas chegam, ficam enquanto é bom e vão embora quando deixa de ser fácil. Trocam de sentimentos como quem troca de roupa. Procuram constantemente algo novo, alguém novo, uma sensação nova. E, quando a novidade desaparece, acreditam que o amor acabou.

Mas talvez o amor nunca tenha sido sobre novidade.

Talvez amar seja justamente permanecer quando já não existe aquela euforia do começo. Seja olhar para a mesma pessoa durante anos e ainda enxergá-la como alguém que vale a pena conhecer novamente. Seja escolher a mesma mão para segurar depois de uma discussão, depois de uma fase difícil, depois de dias em que o mundo parece pesado demais.

Conquistar várias pessoas é fácil. Difícil é conquistar a mesma pessoa todos os dias.

Difícil é permanecer.

E talvez seja isso que tenha se perdido.

Até mesmo aquilo que um dia foi considerado sagrado parece ter perdido o significado. Promessas de uma vida inteira são feitas com a mesma facilidade com que são quebradas. Pessoas juram amor eterno sem sequer saber se estão dispostas a enfrentar os primeiros dias difíceis. O "para sempre" deixou de representar uma vida inteira e passou a significar apenas "enquanto fizer sentido para mim".

E eu confesso que não sei onde me encaixo nisso tudo.

Às vezes sinto que nasci na época errada. Como se existisse dentro de mim uma forma de amar que já não encontra lugar neste mundo. Enquanto tantos procuram quantidade, eu ainda procuro profundidade. Enquanto tantos têm medo de se entregar, eu queria encontrar alguém que não tivesse medo de ficar.

Não quero viver colecionando histórias. Não quero conhecer mil pessoas para esquecer todas depois. Não quero transformar sentimentos em números, nem confundir desejo com amor, carência com companhia ou paixão com eternidade.

Eu quero uma história.

Uma só.

Quero alguém que conheça todas as minhas versões e, ainda assim, escolha permanecer. Quero conhecer também todos os lados dela — os bonitos, os difíceis, os que ninguém mais conhece — e continuar escolhendo-a mesmo quando amar deixar de ser fácil.

Quero me casar. Quero construir uma família. Quero dividir uma casa, uma vida, problemas, conquistas, domingos preguiçosos, noites difíceis e manhãs comuns. Quero envelhecer ao lado de alguém e descobrir que a maior prova de amor não foi uma grande declaração, mas todos aqueles pequenos dias em que nós poderíamos ter desistido e não desistimos.

Quero chegar ao fim da minha vida e olhar para trás sabendo que amei uma única mulher com tudo aquilo que eu tinha para oferecer.

Talvez isso pareça antiquado.

Talvez pareça ingenuidade.

Talvez algumas pessoas leiam isso e pensem que estou vivendo dentro de uma história de romance que não existe mais.

Mas, sinceramente, eu prefiro ser considerado ingênuo por ainda acreditar no amor do que me tornar indiferente apenas para conseguir sobreviver em um mundo onde sentir profundamente parece ser uma fraqueza.

Porque eu ainda acredito.

Mesmo depois das decepções. Mesmo depois das perdas. Mesmo depois de perceber que amar alguém não é garantia de que essa pessoa ficará.

Eu ainda acredito.

E talvez essa seja a parte mais triste de tudo: viver em uma época que me ensinou a desconfiar de tudo, mas ainda carregar dentro de mim a esperança quase infantil de que, em algum lugar, exista alguém que também esteja cansada desse mundo superficial.

Alguém que ainda queira ficar.

Alguém que ainda queira construir.

Alguém que ainda acredite que duas pessoas podem escolher uma à outra não apenas enquanto tudo estiver bem, mas até quando a vida inevitavelmente deixar de ser bonita.

Porque, no fim, talvez o amor verdadeiro nunca tenha sido encontrar alguém perfeito.

Talvez tenha sido encontrar alguém imperfeito, alguém completamente humano, e ainda assim pensar:

"É com você que eu quero atravessar tudo."

E se isso for loucura, então talvez eu prefira ser louco.

Porque, em um mundo onde quase todo mundo parece ter medo de amar para sempre, eu ainda tenho medo é de passar pela vida sem ter amado alguém o suficiente para querer ficar para sempre.

Thoughts

  • peu

    Casei duas vezes e moro sozinho faz tempo. Não virei indiferente, só deixou de ser o assunto do dia, e demorou uns anos.

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  • Bianquinha

    Aposto que isso saiu depois de ver alguém prometer uma vida inteira e desmarcar em três meses. Aqui a data está marcada e o que me assusta é a parte depois da festa, que ninguém organiza.

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  • serieLonga

    Estou numa segunda relação e cada um de nós manteve a sua morada. Ninguém decidiu isso, foi ficando assim. A vontade de ficar não se gasta, pelo que vejo. O que cresce é a lista do que se discute para ficar.

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  • rveiga27

    Terminei em março e o contrato do apartamento vai até novembro, oxe, eu no quarto e ele no sofá. A gente ainda ri das mesmas coisas e comigo essa é a parte chata. Você escreveu isso depois de alguma coisa acontecer?

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  • postalfeio

    Fotografo casamento desde os 29 e a foto que eu guardo nunca é a oficial. É a das onze da noite, os noivos sentados sozinhos comendo enquanto a festa já é dos convidados. Aquilo parece mais com o que você descreve.

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  • passaporteVencido

    Casado dos 27 aos 42 e faz um ano e meio que não sou mais. Levei quatro meses só para tirar o nome dela de um plano de saúde, fila mesmo. O fim acontece em dia comum, igual o resto que está aí.

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  • pfreitas88

    Aqui a casa sai do meu salário desde 2023 e nós dois nunca tocamos nisso em voz alta, visse. Permanecer também é isso. É ficar dentro de uma conversa que ninguém começa há dois anos.

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  • Iraceminha

    Envelhecer ao lado de alguém eu tenho, e a parte que ninguém escreve é essa: ele parou de trabalhar no ano e as minhas manhãs sumiram, que eram a única hora do dia que era minha. Não estou reclamando. Pra mim a promessa de ficar junto veio com um detalhe de horário que ninguém combina antes.

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  • BrunaSeixas

    Aqui em casa domingos preguiçosos e manhãs comuns não são o mínimo, são o teto. A minha semana e a do Téo se cruzam duas vezes, e o resto nós dois resolvemos por recado escrito. Teve dois meses no ano em que só nos falamos assim, sem briga nenhuma, e foi pior do que se tivesse briga.

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  • Adenilson

    Estou com a mesma mulher desde os 24 e permanecer, no sentido de continuar ali, foi a parte fácil. O ano ruim comigo foi um em que nós dois passamos meses só tratando de assunto prático e não brigamos uma vez sequer. Ninguém saiu, ninguém traiu, e mesmo assim faltava alguma coisa que eu não sei nomear até hoje.

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