Talvez você nunca saiba
o quanto cabia de você
dentro dos meus dias.
Foram oito meses
de conversas, chamadas, risadas,
fotos aleatórias sem motivo,
e pequenos momentos
que talvez para você fossem apenas momentos,
mas que para mim
foram criando um lugar.
Um lugar onde eu esperava encontrar você.
Você sempre disse
que mantinha os pés no chão,
que gostava de mim como amiga.
E eu nunca quis transformar suas palavras
em algo que elas não eram.
Só que existe uma coisa
que eu nunca soube explicar:
como eu poderia olhar para você
e sentir tanto
se, para você,
talvez fosse tão simples?
Eu não gostava apenas do seu sorriso bonito.
Gostava até das pequenas imperfeições.
Da sua pinta no rosto,
daqueles detalhes que talvez você nem perceba,
do jeito que você aparecia pela tela
sem precisar fazer esforço algum
para ser especial aos meus olhos.
E talvez seja justamente isso
que torne tudo tão difícil.
Porque eu não enxergava você como perfeito.
Eu enxergava você como você.
Com seus defeitos,
seu jeito complicado,
seu orgulho,
esse ego enorme que às vezes
eu até achava engraçado.
E, mesmo assim,
aos meus olhos,
havia alguma coisa em você
que ninguém mais tinha.
Talvez tenha sido o seu olhar.
Aquele olhar que encontrava o meu
do outro lado da tela
e fazia a distância parecer menor.
Talvez tenha sido o seu sorriso.
Ou talvez tenha sido simplesmente
a maneira como eu me sentia
quando você estava ali.
Eu não sei em que momento
uma amizade começou a doer.
Só sei que hoje
eu percebo o silêncio de um jeito diferente.
Porque quando eu não mando mensagem,
você também não manda.
E eu tento não pensar nisso.
Tento não perguntar
se você sente minha falta,
se em algum momento
o seu dia fica estranho sem mim,
se alguma coisa lembra você de nós.
Mas às vezes eu queria
que você sentisse só um pouquinho
do vazio que eu sinto.
Não para sofrer.
Só para saber
que eu estive aqui.
Que alguém, do outro lado do oceano,
esperava por suas mensagens,
guardava seus sorrisos,
reparava nos seus pequenos detalhes
e achava bonito até aquilo
que você provavelmente nunca considerou bonito em si mesmo.
Talvez eu tenha criado futuros
que nunca existiram.
Talvez tenha imaginado demais.
Mas eu não inventei você.
Você existiu.
As conversas existiram.
Os olhares existiram.
Os sorrisos existiram.
A conexão que eu senti existiu.
Só talvez ela tenha significado
uma coisa diferente para cada um de nós.
E é isso que eu ainda estou aprendendo a aceitar.
Você pode continuar sendo
apenas meu amigo.
Pode continuar seguindo sua vida
sem sentir a falta que eu sinto.
E eu não vou te culpar por isso.
Porque gostar de alguém
não dá direito de ser correspondido.
Mas, se um dia você se perguntar
se alguém realmente reparou em você...
Espero que se lembre de mim.
Porque eu reparei.
Reparei no seu sorriso.
No seu olhar.
Na sua pinta no rosto.
Nos seus pequenos jeitos.
Nas suas imperfeições.
Reparei em você
quando você nem imaginava
que alguém estava olhando tão de perto.
E talvez você nunca saiba,
mas durante oito meses
você foi muito mais
do que uma pessoa atrás de uma tela.
Você foi uma parte bonita
dos meus dias.
E talvez seja justamente por isso
que agora dói tanto
aprender a sentir sua falta
em silêncio.