A arte de escrever me encanta. Sempre me encantou. E me entristece ver pessoas apenas escrevendo palavras, sem senti-las de fato.
Durante algum tempo — que já passou, ou não — eu me perdi nas palavras não escritas. As que foram ditas já passaram. As que foram pensadas já não dá mais para dizer. Mas as que foram escritas... estão lá. Vão estar lá amanhã. E estiveram lá ontem.
Antes de pessoas, eu tenho um relacionamento com as palavras. Pensei em muitas, nunca as escrevi. E me arrependo profundamente, quase tão profundamente quanto o que sinto por elas.
Escrevi redações, copiei atividades, respondi perguntas em um livro cujo assunto nem lembro mais. Faço isso todos os dias, sem sentir nada além de tédio.
Parei de escrever o que sentia. Não aguentava mais olhar para as letras. O significado delas para mim? Se perdeu.
Estava cansada delas. Me cansei de palavras.
Mas nunca deixei de sentir, de pensar.
Comecei diversas vezes. Parei em todas. Peguei diversas folhas, e todas foram para o lixo.
Para onde foi todo o meu amor por escrever?
Foi tudo substituído pelo dever.
Sempre escrevi o que sentia. Sem a mínima preocupação com perfeição. Eram palavras perdidas na folha, que já não estava mais em branco. Puro sentimento jogado.
Mas era lindo.
Era arte.
Sempre será.
Vou voltar.
Poema autoral - Gabriela Martins