9 de setembro de 2026.
Ainda me pego pensando em nós.
E talvez essa seja a parte mais cruel de tudo: saber que, enquanto o mundo continua seguindo normalmente, dentro de mim parece que o tempo parou exatamente no lugar onde nós ainda existíamos.
Como eu explico ao meu coração que você precisa ir?
Sinceramente, eu não sei.
Não sei mais como é viver sem você. E o mais assustador é perceber que já não consigo me lembrar direito de como era a minha vida antes de você chegar. Não sei se eu era feliz, se aqueles dias eram bons, se eu realmente estava vivendo ou apenas existindo. Talvez eu fosse. Talvez houvesse felicidade antes de nós. Mas hoje, quando penso no futuro, não consigo desejar outra coisa além de você.
Nos dias bons, quero você.
Nos dias ruins, principalmente nos dias ruins, quero você.
Quero ter alguém para dividir as pequenas alegrias, os problemas, os silêncios, as noites difíceis e até aquelas coisas completamente banais que, quando compartilhadas com quem amamos, deixam de ser banais.
Eu entendo os seus motivos. Talvez você nem imagine o quanto.
E, apesar de tudo, existe uma parte de mim que sente orgulho da escolha que você está fazendo. Deixar o próprio amor de lado para cuidar da sua família é uma das coisas mais bonitas e dolorosas que alguém pode fazer. É um tipo de amor que exige uma coragem que eu não sei se teria.
Se eu estivesse no seu lugar, talvez tentasse de todas as formas encontrar outro caminho. Inventaria possibilidades, procuraria saídas, lutaria contra o destino até não restar mais força.
Mas eu não estou no seu lugar.
E sei que você não está simplesmente escolhendo partir porque quer.
Também sei que os meus erros tornaram tudo mais fácil. Talvez eu tenha dado motivos para você acreditar que partir seria menos doloroso do que continuar. E essa talvez seja uma das coisas que mais pesam dentro de mim.
Porque existe uma diferença enorme entre perder alguém para as circunstâncias e perceber que, talvez, essa pessoa também tenha começado a perder a vontade de permanecer.
E é isso que me destrói.
Talvez você esteja apenas cumprindo o seu papel de filha.
Mas talvez, no fundo, exista também uma parte de você que não queira mais ser minha.
E como eu vou dormir à noite com essa possibilidade?
Como vou fechar os olhos sabendo que talvez, quando eu acordar, o futuro que eu imaginava para nós já não exista?
Está difícil.
Muito difícil.
Mas estou tentando.
Tentando melhorar. Tentando ser mais forte. Tentando fazer com que a sua partida, se realmente precisar acontecer, seja um pouco menos pesada para você.
Sei que você sofre quando ficamos falando sobre isso. Por isso escrevo. Talvez escrever seja a única maneira que encontrei de conversar com você sem transformar a minha dor em mais um peso sobre os seus ombros.
E, por incrível que pareça, está me ajudando.
Então, enquanto ainda podemos, quero aproveitar cada instante.
Quero guardar cada conversa, cada risada, cada abraço, cada momento em que pude olhar para você e pensar: é aqui que eu quero estar.
Quero aproveitar o que nos resta sem transformar todos os nossos últimos dias em uma contagem regressiva para o fim.
Mas é impossível não pensar nisso.
Porque a cada dia que passa, sinto que estamos caminhando lentamente em direção a uma despedida que nenhum dos dois realmente queria fazer.
Eu acredito que o amor pode superar muita coisa.
Talvez até a distância.
Mas existe uma pergunta que não consigo calar dentro de mim:
como viver com a distância quando, junto dela, vêm a saudade, o medo, a insegurança e a dúvida?
Eu sei que você tentou continuar mesmo longe. Eu sei que tentou acreditar que seria possível.
Mas preciso ser honesto: eu não sei se vou conseguir.
Tenho medo de que a distância transforme cada dia em uma batalha dentro da minha cabeça. Vou pensar no que você está fazendo, onde está, com quem está. Vou sentir sua falta em lugares onde você nunca esteve. Vou procurar você em conversas, em músicas, em noites vazias e em todos aqueles pequenos momentos em que meu primeiro pensamento sempre foi contar alguma coisa para você.
E me sinto um lixo por não conseguir confiar em você completamente.
Não porque você necessariamente tenha feito algo para merecer essa desconfiança, mas porque existe alguma coisa quebrada dentro de mim que eu ainda não consegui consertar.
Eu tento.
De verdade.
Mas nem sempre querer mudar é suficiente para conseguir mudar.
E talvez o pior seja sentir que estou colocando você contra uma parede, como se estivesse obrigando você a escolher entre duas partes da sua própria vida:
eu ou a sua família.
Eu não me orgulho disso.
Essa nunca foi a minha intenção.
Eu nunca quis ser o homem que faria você escolher entre o amor e as pessoas que ama. Só que existe uma verdade que também preciso admitir: eu não sei como construir uma vida a dois sentindo que a pessoa que amo está tão distante de mim.
Talvez isso seja egoísmo.
Talvez eu seja mesmo um egoísta do caralho.
Mas talvez amar alguém profundamente também seja, de certa maneira, desejar que aquela pessoa permaneça ao nosso lado mesmo quando a vida inteira parece estar dizendo o contrário.
O amor é o egoísmo duplicado.
E talvez seja justamente por isso que amar seja tão bonito e, ao mesmo tempo, tão doloroso.
Agora teremos esses dias.
Dias para pensar.
Dias para sentir.
Dias para descobrir se aquilo que existe entre nós é forte o suficiente para atravessar tudo isso ou se estamos apenas tentando prolongar algo que já está chegando ao fim.
Eu só espero que essa distância não seja apenas a tortura que estou imaginando.
Espero que ela sirva para alguma coisa.
Que nos faça entender o que realmente queremos. Que nos faça perceber o quanto ainda existe para ser vivido. Que, talvez, depois de tudo isso, encontremos um caminho que hoje eu ainda não consigo enxergar.
Porque eu não quero que a nossa história termine por falta de amor.
Se um dia acabar, eu só espero que não seja porque deixamos o medo falar mais alto que aquilo que sentimos.
E, se existir alguma chance de continuarmos, por menor que seja, eu quero tentar.
Porque, apesar de todas as minhas inseguranças, dos meus erros, do meu medo e desse coração completamente perdido diante da possibilidade de te perder, existe uma coisa da qual eu ainda tenho certeza:
eu escolheria você.
Nos dias bons.
Nos dias ruins.
Quando tudo estiver fácil.
E principalmente quando tudo estiver desmoronando.
Como dizia Morgan Stark:
eu te amo mil milhões.