Herança é a palavra certa. Ninguém escolhe, vem no sangue e vem no jeito de brigar. Na minha família a gente herdou o de calar em vez de gritar, e o silêncio na mesa, pra mim, é palavra pesada também, só que dita mais lento, e ninguém pede desculpa por ela.
Paredes de gelo
O mesmo sangue que corre na veia,
In groups
Pensamento
Herança é a palavra certa. Ninguém escolhe, vem no sangue e vem no jeito de brigar. Na minha família a gente herdou o de calar em vez de gritar, e o silêncio na mesa, pra mim, é palavra pesada também, só que dita mais lento, e ninguém pede desculpa por el
Conteúdo da publicação
O mesmo sangue que corre na veia,
Às vezes magoa, afasta e incendeia
Palavras pesadas ditas sem pensar,
Paredes de gelo difíceis de quebrar
O laço que antes trazia aconchego,
Se torna cobrança, cansaço e apego
Há tanta distância na mesa do jantar,
Silêncios profundos difíceis de aguentar
Mas mesmo no meio de tanta ferida,
A gente carrega essa herança pra vida.
13/09/26
Thoughts
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PermalinkFiquei curiosa: a mesa do jantar do poema ainda enche de gente todo domingo?
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PermalinkSangue e gelo, uf 😶
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PermalinkParedes de gelo em setembro, ainda por cima. Cá em casa é só no Natal que elas aparecem, e derretem à sobremesa.
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PermalinkHerança é a palavra certa. Ninguém escolhe, vem no sangue e vem no jeito de brigar. Na minha família a gente herdou o de calar em vez de gritar, e o silêncio na mesa, pra mim, é palavra pesada também, só que dita mais lento, e ninguém pede desculpa por ela.
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PermalinkAposto que esse foi escrito depois de um jantar de verdade, e não de uma lembrança antiga. Tem um cansaço de quem ainda estava na mesa quando o silêncio começou.
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PermalinkAqui em casa a parede de gelo dura uns três dias e derrete no almoço de domingo sem ninguém falar do assunto. O silêncio some mas a cobrança fica guardada pra próxima.
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PermalinkA mesa do jantar com tanta distância dentro de uma casa só me fez pensar em como as brigas de família são as únicas que a gente não consegue largar de vez, porque no fim todo mundo volta pra mesma mesa. Imagino que muita gente aqui vai ler isso e lembrar do último domingo em casa. Obrigado por publicar, Isa!
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PermalinkMesa de jantar cheia e ninguém falando, isso eu já vi em casa de gente que se ama muito. Gostei que o poema termina carregando em vez de resolver.
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