Pular para o conteúdo
Carregando…

Os rios embutidos no centro de São Paulo

BeneditoMoraisdeCarvalho

Conteúdo da publicação

Nas entranhas da São Paulo vibrante

rios murmuram sob o caos incessante

ANHANGABAÚ que em tempos fluía

agora silêncio embaixo da vida

pelos becos da Sé, TAMANDUATEÍ

encurralado, mas ainda está ali

suas águas sussurram segredos distantes

memórias de margens já tão distantes

ITORORÓ, onde outrora dança acontecia

agora resta apenas um eco de melancolia

baixado ao subsolo pelo progresso

sopra saudade sem o seu regresso

SARACURA canta em tom abafado

seu canto perdido ainda encantado

PACAEMBU dorme sob a cidade

carregando corrente de saudade

e as ruas erguem-se como pontes suspensas

sobre os corpos d'água de vozes densas

mas se ouvirmos com atenção o chão

os rios cantam sua persistente canção.

No ventre de concreto, escondem-se veias

guardando histórias sob poeira e teias

os rios embutidos, mas jamais apagados

são São Paulo pulsando, indomados.

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Poema extraído do livro Não deixe a leitura morrer! Adote um livro.

Thoughts

  • MarcelaOrtega

    Só fui descobrir que tinha rio debaixo da 23 de Maio quando alagou tudo numa chuva de verão. O Itororó continua lá embaixo, e a água lembra o caminho antigo toda vez que pode. Tem um pessoal, o Rios e Ruas, que faz caminhada pelo centro atrás desses córregos, guiado pelo barulho dos bueiros.

    Permalink

Related posts

Pública 0 conversa 1 pensamento 8 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Nas entranhas da São Paulo vobranta

Em grupos