Nas entranhas da São Paulo vibrante
rios murmuram sob o caos incessante
ANHANGABAÚ que em tempos fluía
agora silêncio embaixo da vida
pelos becos da Sé, TAMANDUATEÍ
encurralado, mas ainda está ali
suas águas sussurram segredos distantes
memórias de margens já tão distantes
ITORORÓ, onde outrora dança acontecia
agora resta apenas um eco de melancolia
baixado ao subsolo pelo progresso
sopra saudade sem o seu regresso
SARACURA canta em tom abafado
seu canto perdido ainda encantado
PACAEMBU dorme sob a cidade
carregando corrente de saudade
e as ruas erguem-se como pontes suspensas
sobre os corpos d'água de vozes densas
mas se ouvirmos com atenção o chão
os rios cantam sua persistente canção.
No ventre de concreto, escondem-se veias
guardando histórias sob poeira e teias
os rios embutidos, mas jamais apagados
são São Paulo pulsando, indomados.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Poema extraído do livro Não deixe a leitura morrer! Adote um livro.