E eu não queria muito.
De verdade, eu não precisava de festa,
nem de presente,
nem de um texto enorme dizendo o quanto sou especial.
Eu só queria ser lembrada.
Passei o dia olhando o celular,
mesmo tentando fingir que não estava esperando.
Cada notificação me fazia pensar
que talvez alguém tivesse lembrado.
Mas não.
O dia passou
e o meu celular permaneceu em silêncio.
E sabe o que mais doeu?
Foram aquelas pessoas
que eu nunca esqueço.
Todo ano eu lembro do aniversário delas.
Mando mensagem, desejo coisas boas,
faço questão de demonstrar carinho,
mesmo quando estou ocupada,
mesmo quando não estou bem.
Porque eu me importo.
E ontem eu percebi que talvez
eu esteja oferecendo aos outros
um carinho que nem sempre volta para mim.
Eu tentei não levar para o coração.
Disse para mim mesma que as pessoas esquecem,
que todo mundo tem seus problemas,
que não deveria criar expectativa.
Mas eu criei.
E doeu.
Doeu passar o meu aniversário
sentindo que eu poderia desaparecer por um dia
e quase ninguém perceberia.
Doeu porque eu queria me sentir importante
para alguém.
Queria que alguém lembrasse de mim
sem o Facebook avisar,
sem uma data aparecer na tela,
sem eu precisar lembrar que era meu aniversário.
Eu queria ser lembrada
porque alguém pensou em mim.
Ontem eu completei mais um ano de vida,
mas também aprendi uma coisa
que eu não queria aprender:
nem todo mundo que ocupa um lugar enorme
no nosso coração
reserva o mesmo espaço para nós.
E talvez seja isso que mais esteja doendo hoje.
Não o “parabéns” que não chegou.
Mas perceber
quantas vezes eu estive presente
por pessoas que ontem
não estiveram presentes por mim.
Mesmo assim,
eu estou aqui.
Com o coração um pouco mais quieto,
os olhos talvez mais pesados
e uma vontade enorme de parar
de esperar dos outros
o mesmo cuidado que eu ofereço.
Enfim… feliz aniversário pra mim.
Que eu aprenda a me dar o carinho
que tantas vezes esperei dos outros. 🤍