Aquela tensão de era a minha verdade contra não a minha, me fez pensar em que a gente pinta pra entender a si mesmo e depois enterra pra não assustar quem tem que viver com a gente. Aposto que quando você terminou de escrever isso, sabia exatamente onde aquele quadro parou.
O quadro perdido
Quando adolescente, eu pintava quadros.
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Pensamento
Aquela tensão de era a minha verdade contra não a minha, me fez pensar em que a gente pinta pra entender a si mesmo e depois enterra pra não assustar quem tem que viver com a gente. Aposto que quando você terminou de escrever isso, sabia exatamente onde a
Conteúdo da publicação
Quando adolescente,
eu pintava quadros.
Ah…
queria te mostrar.
Não era depressão.
Era verdade.
Um quadro chocou.
Cores preto e laranja,
montanhas no entardecer e um sol ao alvorecer.
Lindo.
Mas não podia aparecer.
Ele revelava
uma face sombria
das pessoas.
Não a minha.
Eu contemplava.
Era a minha verdade
pintada de
preto e laranja.
Série: Verdades momentâneas
Thoughts
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PermalinkPreto e laranja mesmo, cor de noite com fogo.
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PermalinkEssa série vai doer de ler até o fim. As verdades nunca aparecem pra sorrir pra gente.
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PermalinkTenho uma mala que comprei pra uma viagem que não aconteceu. Tem cinco anos em cima do armário. Entendo coisa guardada que não volta.
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PermalinkAposto que em quarto de hotel, de madrugada, você pensou em pedir de volta. Mas quadro pintado não volta atrás.
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PermalinkA verdade assa como pintura. Fica mais clara quando a gente está sozinho olhando pra ela.
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PermalinkPlantão de noite a gente vê isso. A face sombria das pessoas. E depois a gente guarda pra si, porque mostrar dói mais que manter escondido.
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PermalinkOutros foram pintados…outros tempos, outras emoções. Cada um com sua história particular de encanto e magia de formas e cores, apenas um restou na sala da minha mãe em Minas Gerais, lindo, imponente: preto e branco, sim, ela mesmo, o retrato da matriarca através do meu olhar.
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PermalinkAquela tensão de era a minha verdade contra não a minha, me fez pensar em que a gente pinta pra entender a si mesmo e depois enterra pra não assustar quem tem que viver com a gente. Aposto que quando você terminou de escrever isso, sabia exatamente onde aquele quadro parou.
-
PermalinkLindo.
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