NOTA AO LEITOR
Esta história foi escrita como um alerta.
Durante o Setembro Amarelo, muito se fala sobre prevenção ao suicídio, mas talvez uma das coisas mais importantes que possamos aprender seja que nem sempre o sofrimento é visível. Há pessoas que continuam trabalhando, estudando, sorrindo, cumprindo compromissos e respondendo que está “tudo bem” enquanto enfrentam, silenciosamente, uma batalha que aqueles ao seu redor desconhecem.
Dídimo é um personagem fictício, mas as questões levantadas por sua história fazem parte da realidade de muitas pessoas.
Em nenhum momento esta obra pretende apresentar, justificar ou romantizar o suicídio como uma saída plausível para as dores da alma. Ao contrário: a trajetória de Dídimo procura mostrar como o sofrimento pode modificar a maneira como uma pessoa enxerga a si mesma, o futuro e até mesmo as possibilidades que ainda existem diante dela.
Por isso, precisamos estar atentos.
Às vezes, um pedido de ajuda não se apresenta como um pedido de ajuda.
Pode aparecer numa mudança de comportamento, numa frase aparentemente casual, no isolamento, na desesperança, em perguntas recorrentes sobre a morte ou simplesmente naquele “estou bem” que parece esconder alguma coisa.
Não precisamos ter todas as respostas para acolher alguém.
Podemos ouvir.
Podemos permanecer.
Podemos levar a sério.
Podemos ajudar essa pessoa a procurar atendimento profissional.
E, para quem se reconhece de alguma maneira nas inquietações de Dídimo, fica também um convite: tenha coragem para falar.
O sofrimento pode nos convencer de que nada mudará, de que ninguém compreenderá ou de que procurar ajuda será inútil. Ainda assim, não é necessário enfrentar tudo sozinho.
Peça ajuda.
A alguém de confiança. A um profissional de saúde. A um serviço de emergência quando houver risco imediato.
Sua história não precisa terminar no momento em que a dor parece ter se tornado maior do que você consegue suportar.
Setembro Amarelo — prevenção ao suicídio é responsabilidade de todos nós.
CVV 188